EP 80 – Todas as Formas de Paranoia

Intrigas políticas, ameaças tecnológicas, o mal-estar das relações humanas… De quais maneiras o cinema está tratando, ou já tratou, a nossa paranoia de cada dia (9:47)? No episódio da semana, Chico Fireman, Cris Lumi, Michel Simões e Tiago Faria batem um papo sobre um tema que sempre esteve presente na história do cinema… e que vem se mostrando bastante atual.

Já que o assunto é paranoia, nossas opiniões sobre duas estreias da semana que se encaixam nesse filão. De carreira indie, e figurinha carimbada no Festival de Sundance, o diretor James Ponsoldt tem seu primeiro trabalho de grande orçamento em O Círculo (19:38), dirigindo Emma Watson e Tom Hanks numa espécie de Black Mirror à Hollywood.

Já o jovem cineasta Trey Edward Shults, que ganhou destaque com o drama Krisha, agora lança Ao Cair da Noite (49:09), um terror psicológico sobre a luta pela sobrevivência.

O Varandeiro do Zodíaco, nosso canceriano Aílton Monteiro, explica como o cinema influencia os cancerianos. E mais: Cantinho do Ouvinte, dois filmes brasileiros nas recomendações e rápidas impressões sobre Twin Peaks e o universo de David Lynch. Bom podcast!

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Ao Cair da Noite

It Comes at Night (2017 – EUA) 

Após a elogiada estreia em Krisha, o diretor Trey Edward Shults surge com um filme que vaga entre o terror e o thriller psicológico, com grau de elogios que já coloca seu nome em destaque. E, assim como seu longa anterior, esse aqui oferece elementos interessantes, mesmo que dentro de um contexto que já vimos antes.

Os personagens vivem um momento caótico, trancafiados numa casa na floresta, Paul (Joel Edgerton), sua esposa (Carment Ejogo) e o filho adolescente (Kelvin Harrison) sobrevivem entre a segurança de uma rotina restritiva e aterrorizado pelo desconhecido, enquanto uma estranha doença mortal ronda a região. A trama realmente se configura com a chegada de um estranho (Christopher Abbott) e se estabelece o clima de desconfiança que se torna a grande atmosfera conduzida por Shults.

Do medo do desconhecido, relativamente controlado fora de casa, adiciona-se agora o medo do estranho que agora está dentro de sua “fortaleza”, e nesse clima de desconfiança e parceria que tenta se reestabelecer as relações sociais entre parentes e hóspedes. Tensão sexual, questões raciais, panos de fundo que podem ser levantados, enquanto Shults mantém-se assustando o público com cenas entre a penumbra e a luminosidade tímida.

Colossal

Colossal (2016 – EUA) 

A premissa soa inusitada. E não só ela, porque o filme dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo mistura a narrativa indie (aquela típica de Sundance) de dramas pessoais e personagens losers, com monstros gigantes (sim, algo como o Godzilla). E me pergunto, porquê não? Até ai tudo bem, o que mais buscamos é o novo, o inusitado. Pois bem, o resultado… bem, o resultado são outros quinhentos.

Vigalondo nunca abre mão dos preceitos desse cinema indie americano mesmo, nossa protagonista (Anne Hathaway) surge desempregada, à beira do alcoolismo e ganha um pé-na-bunda do namorado (Dan Stevens) nada mais indie americano, não é? Ao voltar a sua cidade natal, e reencontrar antigos amigos, estranhos monstros aparecem em Seul. Só que o filme dá uma guinada ainda mais forte no lado dramático de seus personagens, algo entre o vilão e o politicamente incorreto. Fragilidades como ciúmes e aceitação se tornam armas nas mãos de vilões, e o que parecia ser um filme divertido, nunca se sustenta como sua proposta se colocava. E a decepção pode vir como um tombo de uma altura ainda maior do que as expectativas prometidas.

EP 79 – Varanda à Francesa

Qual é o cinema francês (11:03) que chega aos cinemas brasileiros? Na reta final do Festival Varilux, Chico Fireman, Cris Lumi, Michel Simões e Tiago Faria batem um papo sobre a presença francesa nas nossas salas, das produções autorais às mais comerciais. Em destaque, dois filmes que estão em exibição no ciclo: Frantz (19:16) é o novo trabalho do eclético diretor François Ozon. Já o cineasta Alain Guiraudie volta a causar incomodo com Na Vertical (34:48).

Os varandeiros também discutem Colossal (53:15), misto de indie americano e filme de monstro, com Anne Hathaway e direção do espanhol Nacho Vigalondo. E mais: Cantinho do Ouvinte, as sempre caprichadas Recomendações e uma geral no Olhar de Cinema (7:58), festival que cresce em Curitiba. Bom podcast!

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Neve Negra

Nieve Negra (2017 – ARG) 

Filme após filme, é impressionante a capacidade de Ricardo Darín em mobilizar público, dentro do circuito de cinema nacional, não importa seja um drama, um thriller, uma comédia ou um melodrama. Afinal, esse segundo filme do diretor Martín Hodara nem devesse ser digno de nota, pois não foge do esquema de uma “reviravolta” para mexer com o público, e claramente se estabelece como o grande mote do filme.

O irmão ermitão (Darín), que vive na Patagônia, é procura pelo outro irmão (Leonardo Sbaraglia) a fim de aceitar a venda de um negócio da família. Pouco a pouco, o roteiro tenta construir as razões do distanciamento, a tragédia do passado, e a aspereza com que o sujeito isolado do mundo age com qualquer ser humano. Mesma a coragem em tratar um assunto tabu, no grande momento da virada da trama, apresenta ser um OVNI dentro de uma narrativa tão sedimentada em suas bases de didatismo em tom de tragédia sulamericana.

Coração e Alma

Reparer Les Vivants (2016 – FRA) 

Indicado a melhor roteiro no César e integrante da Mostra Horizonte, do Festival de Veneza, o novo filme da diretora Katell Quillévéré muda completamente a rota, da leveza dramática de seu filme anterior (Suzanne), para o peso do drama familiar que enfrenta tragédias e nova esperanças. De um lado a fatídica morte de um jovem, de outro a possibilidade de recuperar a vida com um transplante de órgãos.

Quillévéré cria a falsa leveza nas primeiras cenas, um acidente de carro quase hipnótico, para a seguir tratar da dor da perda dos pais, enquanto, em paralelo, corre a história de uma mãe que nem subir as escadas sozinha consegue e precisa, desesperadamente, de um coração. Não deixa de trazer à tona o sempre importante tema da doação de órgãos, mas não precisa gastar mais de vinte minutos vislumbrando um coração batendo, durante uma operação de transplante. Se perde num drama banal, para um tema tão urgente.

EP 78 – Deixe a Luz Acesa

Os filmes mais assustadores, aqueles que tiraram o sono de Chico Fireman, Cris LumiMichel Simões e Tiago Faria, ganham espaço na Varanda esta semana. Excepcionalmente neste episódio, substituímos o Cantinho do Ouvinte por áudios especiais de Ailton Monteiro, Ana Clara Matta, Henrique Miura e Rafael Argemon. Eles comentando suas experiências com filmes aterrorizantes. E você, tem um filme assustador? Conte para a gente no nosso site, Twitter ou Facebook, que vamos trazer as opiniões no próximo Cantinho do Ouvinte.

Aproveitamos o tema sinistro para destacar dois títulos de terror da safra mais recente. De um lado a boa surpresa A Autópsia (32:18). Do outro, o nacional O Rastro (39:38), que transforma um hospital desativado no Rio de Janeiro em palco para uma história perturbadora. Nas recomendações, um artigo de imprensa sobre séries para TV, o drama adolescente Antes que Eu Vá e outros dois filmes que chegaram agora às plataformas de streaming. Bom podcast!

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