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Jiang Hu Er Nü / Ash is the Purest White (2018 – CHI)

É perceptível que o cineasta chinês Jia Zhang-ke entrou em uma nova fase na carreira, desde Um Toque de Pecado. É um cinema mais saudosista, em As Montanhas Se Separam já se apresentava como um novelão através dde décadas, e aqui essa estrutura se repete quando a dançarina apaixonada por um mafioso é presa, e ao sair da cadeia tenta reencontrar seu amor.

Soam ecos de seus filmes e temas mais celebrados, mas aquele ar mais poético deu espaço para um sentimentalisto a seu modo enquanto as mutações da sociedade chinesa seguem correndo, paralelamente, aos personagens. É um cinema menos criatvo, mais carinhoso, e ainda assim atraente, por mais que um pouco distante de seus melhores momentos.

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The Miseducation of Cameron Post (2018 – EUA)

A homossexualidade tratada, por alguns, como doença, não é novidade na história do cinema. Adaptando o livro homônimo de Emily M. Danforth, a diretora Desiree Akhavan conta sobre a jovem que é mandada para um acampamento religioso “especializado” em jovens que tenham essa propensão de atração pelo sexo oposto. Praticamente um AA para quem tem comportamentos “atípicos”.

O filme aponta a fragilidade da visão moralista que grande parte da sociedade carrega sobre a homossexualidade, e a maneira como esse grupo acredita que possa corrigir esse deslize. Passa longe de ser um coming-of-age transformador, ainda que consiga construir relações interessantes entre personagens marginalizados por essa sociedade. Akhavan não escapa muito do estigma do filme indie típico de Sundance, e pouco avança nos personagens, além da protagonista, interpretada por Chloë Grace Moretz que trafega bem entre a doçura e a solidão de sentimentos reprimidos. Bater no moralismo não é tarefa tão difícil, mas em tempos como os atuais, volta a ser mais que necessário.

Take Me Somewhere Nice (HOL – 2019)

A jovem bosnia mora com a mae na Holanda e volta a seu país para visitar o pai hospitalizado. Ela nao consegue abrir a mala, o primo é nada amistoso, e ela ali para visitar um pai que ela nem conhece. Vazio, indiferença e ingenuidade se misturam com liberdade, aventuras, tristeza, melancolia e sexo num road movie curioso, e meio torto, numa sociedade que ainda tenta se refazer das feridas de guerra. Dirigido com jovialidade  por Ena Sendijarević, com traços de um cinema nórico mais gélido, com um quê de indie americano dos balcãs.


Festival: Rotterdam 2019

Pilots

Publicado: abril 8, 2019 em Cinema
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Pilotinnen / Pilots (1995 – ALE)

Trabalho de conclusão de curso de Christian Petzold, foi o primeiro de um total de três telefilmes que o cineasta alemão dirigiu no início de carreira. Em entrevistas ele diz que se inspirou muito em O Último Golpe, de Michael Cimino, nessa estrutura de um fora da lei mais velho e outro apenas começando. Mas, a referência a cultura americana vem de outra forma em sua estreia, na tv e no rádio a noticia da morte de Frank Sinatra, filmes e músicas a todo o momento, as mulheres lamentam a morte do galã.

A trama gira em torno de duas mulheres, vendedoras externas de uma empresa de cosméticos (Blue Eyes, coincidência ou Sinatra novamente?) viajando pela Alemanha a fim de bater as metas de vendas. Rivalidade acirrada pelo emprego entre a mais jovem e a experimente é a tônica da primeira fase da trama. Promiscuidade e ganância competem com desesperança e a submissão feminina. Não se poderia esperar que toda a disputa e humilhações entre as mulheres a levariam a segunda parte da trama, uma espécie de fuga à Bonnie & Clyde (mas sem que exista relação  sexual entre elas).

Petzold já emprega os primeiros sinais do que usaria na narrativa para realizar seus melodramas mais recentes, mas aqui bem num estilo bem mais cru. Pouco a pouco o capitalismo se torna um dos grandes vilões da história (o outro é obviamente o chefe/amante, que representa a figura masculina opressora que se impõe através do seu poder), o que une as mulheres que viviam sob ódio mortal. O sonho de enriquecer, de mudar para Paris, mas mesmo a proximidade ainda guarda resquícios da rivalidade e da visão vulgar da amiga/oponente.

O Podcast Cinema na Varanda debatendo os seguintes temas:

 

Se7en – Os Sete Crimes Capitais e a carreira de David Fincher em debate

 

Girl

Publicado: março 25, 2019 em Cinema
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Girl (2018 – BEL)

Sensação do Festival de Cannes, onde venceu (entre outros prêmio) o Camera D’or, o estreante belga Lukas Dhont traz a história de uma adolescente transgênero que tenta ser bailarina. Parte da recepção calorosa deve vir da necessidade de boa parte do público encontrar uma história sim, sem exageros, com seus dramas, mase sem nada espalhafatoso. Todos os pontos são tratados de maneira sensível, começando pela utilização dos espelhos, diversas cenas de observação e esse confronto da imagem vista x vontade de mudança do corpo.

O filme já começa nos 15 anos da garota, que se coloca numa posição de total definição de sua sexualidade, de quem ela se sente exatamente, por mais que haja sofrimento (físico, afinal a preparação para uma cirurgia causa transformações no corpo), social (como ser abraçada normalmente pela sociedade) e pessoal (a relação com o pai, além dos já corriqueiros traumas da adolescência).

O filme de Dhont sempre prefere a delicadeza, até nos momentos mais extremos, ainda que seja um filme ligado ao aspecto observacional, ao processo físico pela qual passa a adolescente. Há polêmicas imagens de nudez, do esforço fisico antagônico aos preparativos médicos, mas fica a sensação de um filme que foge do confronto do tema, por ser tão benevolente no trato social com essa personagem, afinal, sabemos que raros espectros da sociedade lidariam de forma nada cruel com personagens nessa condição de buscar o seu eu.

EP 170 – Capitã Marvel

Publicado: março 24, 2019 em Podcast

O Podcast Cinema na Varanda debatendo os seguintes temas:

 

Capitã Marvel – Anna Boden, Ryan Fleck, EUA – 2019