Arquivo da categoria ‘Cinema’

Lacombe, Lucien

Publicado: janeiro 17, 2022 em Cinema
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Lacombe, Lucien (1974 – FRA)

O desejo pelo poder acima do idealismo. O jovem Lucien Lacombe queria entrar na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial, não foi aceito e foi parar na polícia alemã. Era só um garoto que buscava seu espaço, autoafirmação, e através de sua truculência que ele se impõe. E é assim também que ele desenvolve esse relacionamento amoroso com uma judia. O filme de Louis Malle é sobre alguém que queria seu espaço, que queria lutar, não importava o lado, ele queria estar no jogo.

Ladrões de Cinema

Publicado: janeiro 16, 2022 em Cinema
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Ladrões de Cinema (1977)

É Brasil, é malandragem, é história, é popular, é samba, e ainda uma bela homenagem ao cinema. Que delicia acompanhar esse grupo de malandros que roubam equipamentos de filmagem de gringos e decidem fazer um filme sobre Tiradentes, sem saber nem por onde começar. Um Brasil que Fernando Coni Campos filmou nos anos 70 e parece hoje como se nunca poderia imaginar.

Os Olhos de Tammy Faye

Publicado: janeiro 12, 2022 em Cinema
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The Eyes of Tammy Faye (2021 – CAN)

Ao invés de deixar evidenciar que vai preferir narrar muitos fatos e ainda optar pela cinebiografia tradicional e portanto nada aprofundada, o diretor Michael Showalter opta pel tom de quase fábula caricata. Afinal, Tammy Faye (Jessica Chastain) é uma figura espalhafosa que se encaixa no formato, cantor, apresentadora de tv, de estilo brega e extremamente exagerado. A história dela e do marido (Andrew Garfield), televangélicos que se tornaram um fenômeno midiático na tv norte-americana por décadas, vai do auge à decadência com escândalos sexuais, de dependência química e de golpes financeiros. E o filme opta sempre por esse tom levemente cômico que dá espaço para os atores brilharem, e Chastain realmente brilha, a atriz não perde a oportunidade. Maquiagem, figurinos, esses detalhes técnicos chamam atenção, e todos ajudam a fantasiar bem esse formato raso de retratar personalidades.

Crônica da Inocência

Publicado: janeiro 11, 2022 em Cinema
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Comédie de l’innocence (2000 – FRA)

Do elegante da maneira de filmar de Raoul Ruiz ao intrigante da história do garoto que de repente diz não ser filho daquela mãe. Ruiz filma Isabelle Huppert como a mãe, de classe média alta e vida pomposa, que permite que o filho desenvolva esse jogo, estranheza, mistério, chamem como quiserem, e entra na dança qundo a criança dá um endereço de um bairro que eles nunca passaram perto e naquela casa age como se reconhece tudo muito bem.

A trama tem seu desenrolar, até cria explicações, porém o interessante do filme de Ruiz não está nesses aspectos, esse jogo de dualidade de mães, seus drama, a enfim, o estudo de cada um dos adultos dessa história é que formam a real crônica da inocência. Curioso que tudo se desenrola durante uma viagem a negócios do pai, e o filme se constitui como um jogo psicológico em que Ruiz nunca sai da velocidade observaciconal que seus travellings criam pacientemente. Mais do que diálogos que desvendem qualquer mistério está essa cumplicidade automática entre as mães, que aliado ao instigante mistério do públido sobre o que se passa, vai construindo um filme inovador em sua proposta dentro de um cinema tradicional dentro da filmografia do cineasta.

Ligas Encarnadas

Publicado: janeiro 10, 2022 em Cinema

Red Garters (1954 – EUA)

Eu nem sei classificar direito esse filme de George Marshall, porque é musical, é western, é comédia e romance. Com seus cenários fakes e vestidos coloridos, tudo tão kitsch, homens e mulheres tão clichês que essa salada artificial se torna uma daquelas ingenuidades saborosas entre romances, duelos e o código do Oeste (sem esquecer de levantar o chapéu).

Estocolmo

Publicado: janeiro 8, 2022 em Cinema
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Stockholm (2018 – CAN)

A Síndrome de Estocolmo (quando sequestrador e sequestrado criam um vínculo em emocional duradouro) merecia um filme melhor. Estive em frente a ao prédio onde nos anos 70 era o banco em que ocorreu o assalto, hoje uma loja de roupas. Impossível não imaginar policiais e imprensa de olho no que ocorria lá dentro. Só que se a condução do sequestro realmente foi bem absurda pelos sequestradores, e o filme de Robert Budreau fica na tentativa de emular uma comédia de assalto, e nunca faz jus a qualquer expectativa.

As Órbitas da Água

Publicado: janeiro 6, 2022 em Cinema
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As Órbitas da Água (2019)

Se os filmes de Frederico Machado já trafegavam fortemente pelo sensorial, seu novo trabalho mergulha ainda mais fundo. Terceira parte da trilogia inspirada em obras do poeta Nauro Machado (seu pai), parte de uma trama simples, do filho retornando à casa do pai. Teremos muito confronto do passado para reverberar no futuro, mas o principal é como o diretor usa dos elementos cinematográficos para transformar sentimentos em imagens. Planos ultrafechados, os sons, um cinema que se assemelha a Terence Malick. Suas opções autorais podem afastar grande parte do público, felizmente ele se mantém longe das concessões, gostando mais ou menos que cada filme, espero que conserve sua autoralidade.

The Braves

Publicado: janeiro 5, 2022 em Cinema
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Entre Les Vagues / The Braves (2021 – FRA)

A câmera na mão tremente o tempo todo e muitas vezes em planso fechados é a forma com que a estreante Anaïs Volpé tenta buscar dinamismo e emoção para a história de duas amigas que sonham com a carreira no teatro, enquanto vivem de seus empregos pouco animadores, de suas aventuras românticas e molecagens como invadir casamentos. Quando tudo parece bem, uma dela adoece, e o filme tenta não perder esse ritmo dinâmico enquanto insere momentos lacrimejantes que marcam história do tipo. Alguns momentos histéricos, outros nem tanto, conflitos aqui, inseguranças ali, e um resultado irregular, mas de alguma medida cativante.

A Filha Perdida

Publicado: janeiro 4, 2022 em Cinema
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The Lost Daughter (2021 – EUA)

O tema da maternidade é táo complexo e único que, provavelmente, será uma fonte inesgotável para o cinema. Afinal, colocar alguém no mundo, ser responsável por essa pessoa, carregar em seu corpo por tantos meses com todas as modificações que seu próprio corpo sofrerá no processo, deve ser, tem que ser, uma relação única. A partir do livro de Elena Errante, a atriz Maggie Gyllenhaal faz sua estréia na direção mirano nas dádivas e complexidades da maternidade.

Olivia Colman é a protagonista que passa férias na Grécia e debaixo do guarda-sol ao lado se encontra uma família espalhafatosa, mas os pontos de aproximação estão principalmente uma grávida com mais de quarenta anos, e uma jovem mãe e sua filha. A narrativa vai buscar em flashback’s maneiras de contar o passado de nossa protagonista, sua relação com maternidade e profissão, e assim formar um pouco dessa personalidade agridoce, as vezes simpática, as vezes áspera.

Gosto da sensação de estranheza e das boas doses do inesperado, a construção foge da personagem simples e direta, ela é complexa, difícil, tão única que tem comportamentos mais que questionáveis, por outro lado demonstra cumplicidade e intimidadade, mesmo com quem ela provoca. É dessa dualidade que nasce o tímido clima de suspense, e que o conhecimento do passado dessa mulher enriquecem a completar a pintura desse quadro instigante.

Por outro lado, os flashbacks tão essenciais estão alguns degraus aquém do restante do material, como se a inspiração estivesse apenas no tempo presente. Essa irregularidade não faz bem ao filme como um todo, mas claramente Maggie Gyllenhaal não estava interessada num filme simples, em contar uma história. Talvez o melhor do filme nem esteja nele, e sim no que ele pode provocar em você se enxergar a maternidade como essa fase complexa, tão prazerosa quanto difícil, uma fase que veio para ficar, e que não será passageira. E, principalmente, que cada um reage a sua maneira e portanto se prova que há infinitas maneiras de se entregar amor.

Drive My Car

Publicado: janeiro 3, 2022 em Cinema
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Doraibu Mai Ka / Drive My Car (2021 – JAP)

Um dos filmes sensação do último festival de Cannes, o japonês Ryusuke Hamaguchi coloca de vez seu nome entre os cineastas mais quentes da atualidade. Aqui adaptando um conto de Murakami. Oo filme abre com o perfil de uma mulher nua iluminado pelo luar da janela aberta, ela conversa com seus companheiro, conta uma história que está criando. A construção visual é elaborada, mais adiante encontraremos outra cena muito bonita esteticamente, com braços colocando cigarros acesos para fora do carro. A maior parte do filme já dialoga muito com o estilo de Hamaguchi, os tipos de planos, os diálogos e mais diálogos, afinal são 180 minutos.

Figura importante da trama é a peça Tio Vânia, de Chekov, que o protagonista trabalha na encenação e trata de envelhecimento e alguém frustrado pelo que construiu na vida. Nada muito diferente do nosso protagonista que enfrenta os dramas recentes de seu casamento. A dor da perda que se repete, o vazio existencial, mas também a decepção, estão todos lá, e todo jogo de relações pessoais que o filme de Hamaguchi coloca diante desse personagem vai de encontro ao próprio Tio Vânia que se está ensaiando.

Dessa vez Hamaguchi coloca no centro uma figura masculina, mas são as personagens femininas que causam ferida e talvez o caminho para cura (a personagem da motorista), ou aceitação, nessa via-crucis que ele vive. É curioso que quanto mais introspectivo em seus sentimentos, mais claro fica o quando de incomodo esse homem carrega, ainda que apenas nós saibamos os motivos por grande parte desse filme. É o mais elaborado trabalho de Hamaguchi porque as emoções estão tão reprimidas, e é em Chekov que encontramos os caminhos para mergulhar melhor em tudo.