O Outro Lado da Esperança

Toivon Tuolla Puolen / The Other Side of Hope (2017 – FIN) 

Dentro das obsessões estéticas e narrativas de seu cinema, o finlandês Aki Kaurismaki é mais um a trazer o tema dos refugiados sírios à Europa. Seus planos fixos, os ambientes sempre em cores frias e os diálogos que nunca saem do tom dão a tônica de seus filmes, e mesmo quando trata o melodrama do refugiado renegado pelo governo local, o cineasta faz o tema caber bem dentro de seu estilo cinematográfico. E o faz com boas doses de humanismo e otimismo (prática nem tão comum assim em seus trabalhos anteriores).

Se de um lado está o sírio clandestino em busca de abrigo, de outro o homem cansado de seu emprego e casamento que larga tudo para abrir um restaurante. O destino os confronta e o finlandês resolve ajudar ao refugiado desesperado, enquanto os toques de humor de Kaurismaki permeiam as relações sociais. É a bandeira da tolerância sendo estiada, por mais que seus roteiros sempre gostem de criar situações incomuns, discutíveis, ou até exageradas (que dentro da passividade e calma de seus personagens, talvez camufle muito desse exagero).

Não é um cinema que empolgue a muitos, principalmente pela lentidão, ou até pela clareza com que trata de seus temas. Mas, não deixa de ser uma voz importante que não abuse da miséria humana em imagens chocantes, e prefere encontrar personagens e situações que dialoguem com a reflexão de qual Europa “estamos” construindo. Um de seus melhores filmes, vencedor do prêmio de melhor direção no festival de Berlim.

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Três Anúncios para um Crime

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (EUA – 2017) 

E já temos o primeiro grande filme sobre a Era Trump. Porque essa conjunção de roteiro dramático com comédia de humor negro (à la irmãos Coen) remete a características socialmente marcantes no mandato do atual presidente dos EUA. De um filme sobre uma mulher (Frances McDormand) revoltada por a policia não ter conseguido desvendar o mistério do assassinato de sua filha, o diretor Martin McDonagh tece esse estudo social dos rincões desse país cuja liderança dá passos para trás e traz a intolerância como palavra de ordem.

Do inconformismo vem a ideia do anúncio provocativo nos três outdoors da cidade. A policia se revolta, e a cidade se divide apoiando ou revidando ao inconformismo dessa mãe. Surgem reações, reviravoltas, e atitudes inconsequentes e irracionais, onde o desrespeito pelo outro é presença central nas relações humanas. McDonaugh realmente se aproxima muito dos primeiros filmes do Coen, o humor e a violência são muito parecidos, mas essa carga dramática que tanto McDormand, como Woody Harrelson carregando em suas histórias é um elemento novo nesse cinema provocativo e ácido.

A trama leva alguns atos às últimas consequências, mas é um retrato tão vibrante de uma nação que está mais desunidada a cada dia, onde cada um pessoa exclusivamente em si mesmo, e troca o discordar (ou não aceitar) por brigar até aniquilar o que tenha visão de mundo contrária a sua. Trump e seu governo agressivo e intolerante são a linha mestra para um povo que perde sua unidade e só se deteriora em aspectos humanos. E nisso tudo, o novo filme de McDonaugh é feroz, elevando seu cinema a um patamar bem superior ao que realizou em seus dois trabalhos anteriores. Devemos vê-lo, com protagonismo, na corrida do Oscar, no Festival de Veneza já foi destacado com prêmio de Melhor Roteiro.

Guia 2017: Mostra SP

Imperdíveis retrospectivas de Agnés Varda, Paul Vecchiali e Alain Tanner. Filmes premiados nos festivais como o vencedor da Palma de Ouro, ou fortes candidatos ao Oscar. A Mostra SP começa na quinta, com uma programação recheada para os cinéfilos. O cartaz e o filme de abertura são assinados pelo artista chinês Ai Weiwei, numa edição que dialoga muito com outras artes, além de ter uma seção especial de filmes em Realidade Virtual. Quem estiver por SP, não pode perder.

Em vermelho, os filmes que a Toca coloca grandes expectativas, dentro da listinha dos filmes que participaram dos principais festivais, uma forma de ajudar aos nossos leitores. Muitos textos nos próximos dias por aqui. Bons filmes!

Filme Título Original País Diretor Festival Seleção Ano Prêmio
Visages, Villages Visages, Villages “Faces, Places” FRA Agnès Varda & Jr Cannes out of competittion 2017
O Outro Lado da Esperança The Other Side of Hope FIN Aki Kaurismäki Berlim Competition 2017 diretor
Zama Zama ARG Lucrecia Martel Veneza out of competittion 2017
Loveless Nelyubov “Loveless” RUS Andrey ZVYAGINTSEV Cannes Competition 2017
O Amante de Um Dia L’amant d’un Jour “Lover for a Day” FRA Philippe Garrel Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
O Incidente no Nile Hilton The Nile Hilton Incident SUE Tarik Saleh Sundance World Cinema Dramatic 2017 filme
Doce País Sweet Country AUS Warwick Throton Veneza Competition 2017 especial do juri
Pororoca Pororoca ROM Constantin Popescu San Sebastian Competition 2017 ator
Caniba Caniba FRA Lucien Castaing-Taylor, Verena Paravel Veneza Orizzonti 2017 especial do juri
Nico, 1988 Nico, 1988 ITA Susanna Nicchiarelli Veneza Orizzonti 2017 filme
Lucky Lucky EUA John Carroll Lynch Locarno Competition 2017
Três Anuncios para um Crime Three Billboards Outside Ebbing, Missouri EUA Martin McDonagh Veneza Competition 2017 roteiro
Happy End Happy End AUT Michael HANEKE Cannes Competition 2017
O Dia Depois GEU-HU “THE DAY AFTER” COR Hong Sang-soo Cannes Competition 2017
24 Frames 24 Frames IRA Abbas Kiarostami Cannes 70th Anniversary Events 2017
Ciao Ciao Ciao Ciao FRA/CHI Song Chuan Berlim Panorama 2017
O Terceiro Assassinato Sandome no satsujin “The Third Murder” JAP Hirokazu Kore-eda Veneza Competition 2017
Custódia Jusqu’a La Guarde “Custody” FRA Xavier Legrand Veneza Competition 2017 diretor
Vida e Nada Mais La Vida y Nada Más “Life and Nothing More” ESP Antonio Mendez Esparza San Sebastian Competition 2017
A Cordilheira la Cordillera “The Summit” ARG Santiago Mitre San Sebastian special screenings 2017
Sollers Point Sollers Point EUA Matt Porterfield San Sebastian Competition 2017
The Square The Square SUE Ruben Ostlund Cannes Competition 2017 filme
Dayveon Dayveon EUA Amman Abbasi Sundance Next <=> 2017
Félicité Félicité FRA Alain Gomis Berlim Competition 2017 Juri
Cuatreros Cuatreros ARG Albertina Carri Berlim Forum 2017
A Trama L’atelier “The Workshop” FRA Laurent Cantet Cannes Un Certain Regard 2017
Napalm Napalm FRA Claude Lanzmann Cannes special screenings 2017
Uma Vida Violenta Une Vie Violente “A Violent Life” FRA Thierry de Peretti Cannes Critics Week 2017
Teerão Tabu Tehran Taboo ALE Ali Soozandeh Cannes Critics Week 2017
Desaparecimento NAPADID SHODAN “Disappearance” IRA Ali Asgari Veneza Orizzonti 2017
Sem Data, Sem Assinatura No Date, No Signature IRA Vahid Jalilvand Veneza Orizzonti 2017 diretor, ator
A Noite em que Nadei La Nuit Ou J’ai Nage “The Night I Swam” FRA Damien Manivel, Igarashi Kohei Veneza Orizzonti 2017
Irmãos do Inverno Vinterbrødre “Winter Brothers” ISL Hlynur Pálmason Locarno Competition 2017 ator
Scary Mother Sashishi Ded “Scary Mother” GEO Ana Urushadze Locarno Cineasti del Presente 2017
Cocote Cocote RDO Nelson Carlo De Los Santos Arias Locarno Signs of Life 2017 filme
Liberdade Freiheit “Freedom” ALE Jan Speckenbach Locarno Competition 2017
Livre e Fácil Free and Easy HK Jun Geng Sundance World Cinema Dramatic 2017
Inflamar Kaygi “Inflame” TUR Ceylan Özgün Özçelik Berlim Panorama 2017
Person to Person Person to Person EUA Dustin Guy Defa Sundance Next <=> 2017
Esplendor Hikari “Radiance” JAP Naomi Kawase Cannes Competition 2017
A Noiva do Deserto LA NOVIA DEL DESIERTO “THE DESERT BRIDE” ARG/CHL Cecilia Atan & Valeria Pivato Cannes Un Certain Regard 2017
Ana, Meu Amor Ana, mon amour ROM Calin Peter Netzer Berlim Competition 2017 contrib artistica
1945 1945 HUN Ferenc Török Berlim Panorama 2017
Human Flow Human Flow CHI Ai Weiwei Veneza Competition 2017
Uma Espécie de Família Una Especie de Familia ARG Diego Lerman San Sebastian Competition 2017 roteiro
Tenha um Bom Dia Hao ji le “Have a Nice Day” CHI Liu Jian Berlim Competition 2017
Noites Brilhantes Helle Nachte  “Bright Nights” NOR Thomas Arsland Berlim Competition 2017 ator
Mil Cordas One Thousand Ropes NZL Tusi Tamasese Berlim Panorama 2017
LUTANDO ATRAVÉS DA NOITE Combat au bout de la nuit CAN Sylvain L’Espérance Berlim Panorama 2017
o Pequeno Porto Piata Lod “Little Harbour” ESL Iveta Grofova Berlim Generation KPlus 2017
Para Akheem For Ahkeem EUA Jeremy Levine & Landon Van Soest Berlim Forum 2017
Um Sentimento Maior que o Amor A Feeling Greater than Love LIB Mary Jirmanus Saba Berlim Forum 2017
Animais Tiere “Animals” SUI Greg Zglinski Berlim Forum 2017
As Filhas de Abril LAS HIJAS DE ABRIL “APRIL’S DAUGHTER” MEX Michel Franco Cannes Un Certain Regard 2017
MARLINA, ASSASSINA EM QUATRO ATOS Marlina Si Pembunuh Dalam Empat Surya “Marlina the Murderer in Four Acts” INA Mouly Surya Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
Corações Puros Curio Puri “Pure Hearts” ITA Roberto De Paolis Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
A Defesa do Dragão La Defensa del Dragon COL Natalia Santa Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
A Oeste do Rio Jordão West of the Jordan River “Field Diary Revisited” ISR Amos Gitai Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
O Pequeno Fazendeiro Petit Paysan “Bloody Milk” FRA Hubert Charuel Cannes Critics Week 2017
Makala Makala FRA Emmanuel Gras Cannes Critics Week 2017
Oh Lucy! Oh Lucy! JAP Atsuko Hirayanagi Cannes Critics Week 2017
Os Versos Esquecidos Los Versos del Olvido “Oblivion Verses” FRA Alierza Khatami Veneza Orizzonti 2017 roteiro
A Sombra da Árvore Undir trenu “Under the Tree” ISL Hafsteinn Gunnar Sigurdsson Veneza Orizzonti 2017
Outrage Coda Outrage Coda JAP Takeshi Kitano Veneza out of competittion 2017
9 Dedos 9 Doigts FRA F.J. Ossang Locarno Competition 2017 diretor
A Telenovela Errante La Telenovela Errante CHL Raúl Ruiz, Valéria Sarmiento Locarno Competition 2017
AQUELES QUE ESTÃO BEM Dene Wos Guet Geit “Those Who Are Fine” SUI Cyril Schäublin Locarno Cineasti del Presente 2017
O Forte dos Loucos Le Fort Des Fous ARG Narimane Mari Locarno Cineasti del Presente 2017
Lar Home BEL Fien Troch Veneza Orizzonti 2016
Em Retirada Walking Out EUA Alex Smith, Andrew Smith Sundance US Dramatic 2017
O Jovem Karl Marx The Young Karl Marx FRA Raoul Peck Berlim Berlinale Special 2017
Além das Palavras Beyond Words POL Urszuala Antoniak San Sebastian Competition 2017
Chavela Chavela EUA Catherine Gund & Daresha Kyi Berlim Panorama Doc 2017
O Pacto de Adriana El Pacto de Adriana CHL Lissette Orozco Berlim Panorama Doc 2017
A Filha Die Tochter ALE Mascha Schilinski Berlim Perspective Deutsches Kino 2017
Beijos de Borboleta Butterfly Kisses RU Rafael Kapelinski Berlim Generation 14Plus 2017
Uma Verdade mais Incoveniente AN INCONVENIENT SEQUEL EUA Bonni COHEN & Jon SHENK Cannes special screenings 2017
Mar de Tristeza Sea Sorrow RU Vanessa Redgrave Cannes special screenings 2017
Mobile Homes Mobile Homes CAN Vladimir de Fontenay Cannes Quinzena dos Realizadores 2017
Golias Goliath SUI Dominik Locher Locarno Competition 2017
Gotthard – VIDA E ALMA Gotthard – One Life, One Soul SUI Kevin Merz Locarno Piazza Grande 2017
Belinda Belinda FRA Marie Dumora Berlim Panorama Doc 2017
Não Devore Meu Coração! Don’t Swallow My Heart, Alligator Girl! BRA Felipe Bragança Sundance World Cinema Dramatic 2017
Não Me Ame Love me Not GRE Alexandros Avranas San Sebastian Competition 2017
Assim É a Vida Le Sens de la Fête/C’est la Vie FRA Olivier Nakache, Eric Toledano San Sebastian Competition 2017
Três Luzes Mittsu no hikari “Three Lights” JAP Kohki Yoshida Berlim Forum 2017
A CANÇÃO DOS ESCORPIÕES The Song Of Scorpions SUI Anup Singh Locarno Piazza Grande 2017
Jupiter’s Moon Jupiter’s Moon HUN Kornél MUNDRUCZÓ Cannes Competition 2017

Martírio

martirioMartírio (2016) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O documentarista e estudioso Vincent Carelli apresenta um dos mais completos estudos políticos da questão indígena no país. Como cinema, não vai muito além de um desses programas televisivos investigativos, com vasto material gravado em aldeias indígenas contrastando com imagens de tv de discursos de políticos (em imensa maioria ruralistas). Não espere indignação da classe política pela desumanidade desses discursos de parlamentares, porque eles acreditam piamente nos interesses econômicos e na necessidade de salvaguardar o lado capitalista e “desenvolvimentista”.

Relembrar a questão indígena é sempre resgatar comportamentos ultrajantes que passam despercebidos pela sociedade e seu dia-a-dia atribulado. Carelli faz um raio-x histórico, desde antes do governo Getúlio Vargas, prova que os presidentes quase sempre pecaram em priorizar o interesse econômico (seja de esquerda ou direita), e o confronto que já se tornou uma guerra civil se coloca como insolúvel e cada vez mais injusto (vide a PEC 215). O diretor nunca escode sua tendência a favor dos indígenas, mas que pessoa em sã consciência não teria tal comportamento?

“O sangue dos índio irriga os 8 mil km desse país”, esse é apenas um dos momentos fortes, de declarações que nos oferecem um choque de realidade quanto a matança indiscriminada. Um governador de estado afirma que vai liberar o uso de armas de fogo pelos fazendeiros, e o ministro da justiça assiste pacato a um absurdo desse tipo, afinal quem é o governador para “autorizar”? Quando analisamos um pouco a maneira que a sociedade brasileira sempre tratou os índios, nos damos conta que nossos problemas de corrupção e interesses escusos são apenas um retrato límpido da sociedade que construímos. Martírio é o estímulo para esse choque de realidade do que estamos fazendo (ou não fazendo) com aquilo que gostamos de bravejar e se chama justiça.

Curumim

curumimCurumim (2016) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Com uma câmera clandestina no presídio, Marco Archer apresenta um pouco da angústia e de sua rotina no presidio de segurança máxima, na Indonésia, durante seu período de espera no corredor da morte. O documentarista Marcos Prado foi amigo de Curumim (seu apelido) muito antes da prisão, e tenta fazer um retrato da situação e do amigo.

Um “menino do Rio”, é assim que um dos amigos tenta explicar a profissão e quem era o Curumim. Sem culpa, o documentário mostra que ele vinha de família carioca abastada, e nunca se preocupou com nada além de viver da diversão, festas, drogas e esportes radicais. Sua figura do malandro carioca internacional desgastado pela morte se aproximando combina com as imagens pobres captadas por companheiros de cela, porém essa figura que os discursos tentam vender como divertida, mas aparece no documentário nenhuma vez. A culpa vem no discurso, mas a clemência é quase colocada como obrigação, num tom de quem passa longe de pesar pela culpa. E é nesse retrato quase paternalista de Marcos Prado, que o documentário naufraga em humanizar e sensibilizar. A figura de Curumim vista  no documentário talvez seja honesta, porém depõe mais contra ele do que a favor.

El Amparo

elamparoEl Amparo (2016 – VEN) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O diretor Rober Calzadilla segue seus personagens pela nunca, no meio da mata, à beira do rio. Adentra pequenos casebres e tenta resgatar um pouco da vida simples de venezuelanos, numa região de divisa com a Colômbia, com ação das Farc’s e guerrilheiros. Calzadilla mantém o rigor narrativo de um cinema independente e pulsante, surge como boa surpresa e vencedor do troféu Bandeira Paulista de melhor filme da Mostra SP.

A trama reconta a história de chacina e acusações falsas dos militares venezuelanos, nada que surpreenda nós latinos-americanos. Governos de esquerda ou direita, usam dos mesmos artifícios para se proteger ou justificar. Dois homens sobrevivem ao massacre, o grupo de meros pescados é acusado de um plano terrorista. A pequena comunidade local se revolta contra os desmandos e a versão do governo, a imprensa chega ao local enquanto a corrupção tenta abafar o caso. Calzadilla foge do tom melodramático e engajado politicamente, sem deixar de trabalhar com ambos, é a forma como ele dosa esses elementos que enriquece sua direção vigorosa e esse tom testemunhal que seu filme impõe.

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu

ocinemamanoeldeoliveiraeeuO Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016 – POR) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Acima de tudo é uma declaração de amor do diretor João Botelho a seu amigo Manoel de Oliveira. Foi como assistente do Bem Velhinho que Botelho começou no cinema, e ele resgata toda a trajetória do recém-falecido cineasta português relembrando cenas, histórias, filmes e mais filmes (especial Amor de Perdição). De tão carinhoso, é um filme com identidade imediata do público, que oferece uma saudade gigante. Porém, mais adiante, Botelho realiza um curta, com roteiro de Manoel de Oliveira, e a saudade vai dando espaço para um quê de preguiça, porque o trabalho do discípulo não se mostra assim tão vigoroso.