Podcast Cinema na Varanda: EP 09 – Quem Vai Ficar com o Oscar?

 

Domingo (28) é dia de Oscar. Por isso, esta semana Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria falaram tudo sobre a premiação (27’25”). De palpites a curiosidades, dos preferidos aos que irão, muito possivelmente, ganhar (mesmo que contra a vontade do trio). Sim, há especulações até sobre as categorias de melhor edição e mixagem de som. Se você não tem tanta paciência, pode ir direto aos comentários dos prêmios principais (59’15”).

Antes do Oscar, ainda temos uma análise rápida sobre a repercussão dos vencedores do Festival de Berlim (1’15”), e a polêmica se os jurados assistiram, ou não, as mais de 8 horas do filme novo de Lav Diaz. E as opiniões sobre o último indicado a melhor filme que chegou aos cinema na quinta, O Quarto de Jack (9’00”). Bom podcast!

 

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Podcast Cinema na Varanda – EP 03 – Especial Oscar

No episódio extra da semana, Chico Fireman, Michel Simões e Tiago Faria comentam a lista dos indicados ao Oscar 2016, divulgada na quinta (14). A matemática complicadíssima para definir os concorrentes (alguém consegue entender?), a briga entre O Regresso e Mad Max, o Brasil na disputa, as surpresas, as esnobadas, a canção esquecida, as teorias da conspiração, a maldição do DiCaprio e a pergunta que não quer calar: os integrantes da Academia assistiram a Mulheres de Areia?

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Oscar e as Premiações de Cinema

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Continuo vendo pessoas revoltadas com os vencedores do Oscar, como se o prêmio fosse a interpretação máxima do que melhor o cinema do mundo produziu no ano. Discordo. Com o passar dos anos acabei desenvolvendo uma relação diferente, se tornou mais uma grande reunião social, com amigos falando de cinema, criticando roupas, elogiando filmes, falando a madrugada toda sobre suas impressões, opiniões, e piadinhas noite adentro, enquanto a festa tenta nos divertir e representar esse prêmio máximo do cinema. Dessa forma, eu fico com a festa (que é chata, cafona, longa e cansativa), e não com as escolhas.

Como premiação, o Oscar não me diz nada além de entender as preferências do público americano, resumindo, pouco importa. Ganhou Birdman, que eu considero o pior filme do ano, histérico, irritante e pedante, eu preferiria Sniper Americano e seu american way of life atualizado, ou Boyhood e a consagração do cinema inventivo de Richard Linklater. Mas, não foi assim, os votantes tem suas preferências e a agitação amalucada de Iñarritu saiu vencedor.

Entendendo hoje a dinâmica, quem são os votantes, e todo o processo do Oscar. Alguns podem me xingar, mas fica claro que é um prêmio da indústria, porque os votantes são parte integrante da indústria (atores, produtores, fotógrafos, diretores, editores, e outros técnicos), portanto o Oscar reflete a visão desse grupo de votantes. Claro que por serem os membros da indústria de cinema mais influente do mundo, a premiação tem relevância maior do que qualquer outro prêmio (numa distância sideral), e consequentemente atrai a atenção do mundo. E, é natural que tente refletir-se como o prêmio máximo do cinema, afinal, nós mesmos o colocamos no pedestal. No fundo funciona como o Goya (Espanha), Donatelo (Itália), Bafta (Inglaterra), Cesar (França) e tantos outros. Porém, tomou tamanha proporção que os holofotes do Oscar geram milhares e milhares de dólares a mais de bilheteria, e com os interesses econômicos surgem as campanhas de marketing, por mais indicações e, portanto maiores bilheterias. Os outros prêmios não tem um centésimo dessa força, até porque, a produção desses países é bem menor, a França é um dos poucos países que tem bilheteria de filmes nacionais forte (Coréia do Sul é outro destaque).

Com toda a magnitude do Oscar, a imprensa quer se mostrar ligada, outros prêmios menores querem antecipar o Oscar e assim se apresentarem antenados, ser a prévia do Oscar. Qual o resultado disso? Nos últimos anos o Oscar não tem mais surpresas, porque todos os segredos foram decifrados, os Sindicatos entregam seus prêmios antes,  e chegamos na festa apenas para confirmar a consagração dos que já sabemos serão os vencedores. Não consigo imaginar uma solução para devolver a surpresa que não seja mudar a premiação dos sindicatos, que são fortes, e portanto impossível. Das litas de final de ano, passando por Globo de Ouro, Bafta, Spirit e etc, até finalizar com os Sindicatos, a corrida do Oscar se tornou uma forma de telegrafar o resultado Oscar. Nisso, os Sindicatos são o ponto-chave, seus premiados entregam a preferencia de grande parte dos votantes, portanto, se um filme ganha os prêmios dos Sindicatos, também ganhará o Oscar (elementar, meu caro Watson). Enquanto isso, jornalistas tentam se mostrar influentes e lançam listas de melhores totalmente baseadas nos filmes cujas distribuidoras estão torrando rios de dinheiro em marketing para o Oscar. São 2 meses de prêmios e mais prêmios para os mesmos filmes, as premiações dos EUA entraram num círculo vicioso que parecem vendidas ao sistema, sem qualquer possibilidade de personalidade. Por mais que Sundance, Rotterdã e Berlim ocorram antes do Oscar, ele  marca definitivamente o fim do ano anterior, e o início do próximo quando falamos em exibição no cinema.

Por isso que, muito mais interessantes, são as listas individuais de críticos fora dos EUA, como Cahiers du Cinema, Sight & Sound e tantos outros órgãos especializados (basta encontrar os que mais se identificam com você que pretende ir além do escolher um filme na fila da bilheteria). Estes tem olhares para o circuito de seus países, e os grandes festivais, conseguem assim enxergar o novo, buscar novas experiências e tendências, dar fluência ao hoje e ao amanha do cinema. Obviamente que são listas pessoais, ou de um seleto grupo de pessoas, e representam também influencias culturais, além de preferencias pessoais. Porém, não estão enraizadas nessa necessidade de colar suas opiniões com o Oscar, prever, para assim serem respeitadas. O Oscar representa seus votantes, é um indicador interessante das preferencias dos que fazem acontecer na grande indústria de cinema, mas estão há anos-luz do que de melhor está acontecendo no cinema, além de representarem a vanguarda da vanguarda, completamente alheios à novidade.

Por fim, não pelas escolhas, talvez mais por uma proximidade particular com a cultura francesa, tenho acompanhado mais de perto a premiação do César, que também representa as preferência da indústria francesa, porém numa dinâmica diferente. Distante das campanha inflamada de marketing, o César alia cinema autoral e grandes sucessos populares de bilheteria, e tem seu pilar no Festival de Cannes. Os filmes franceses que são destaque, ou que compõe a Mostra Competitiva, estão sempre entre os indicados. É uma forma de prestigiar o Festival ou provar que a seleção do Festival opta pelo melhor dos filmes nacionais mesmo. Criando assim interesse ainda maior, dos cineastas franceses, de fazerem parte de Cannes, e assim manter a parcela importante do Festival para a indústria local. Este ano estavam lá Saint Laurent, Acima das Nuvens, Timbuktu (coprodução com a Mauritânia que ganhou quase tudo no César), além de destaques como Amor à Primeira Briga (ganhou 3 César). Além da festa ser mais descontraída (do pouco que entendo das minhas aulas de francês abandonadas anos atrás). O César parece representar mais o cinema francês, e menos a influência das campanhas de marketing das distribuidoras nos membros da indústria.

Portanto, assistam aos filmes do Oscar, eles são importantes, vão agradar a muitos, mas encontrem os atalhos para o tipo de cinema que atendam suas vontades. Sejam eles longe dessas premiações, ou dentro dos festivais de filmes mais obscuros e improváveis. Divirtam-se mais, e lembre-se que o Oscar representa muito… para quem quer vender bilhetes de cinema, e nada para quem está à procura do cinema que vá além do apenas contar histórias.

Oscar 2014

oscar_2014_2Há quem tenha saído bronquedo da entrega dos Oscars ontem, questionando que sentido há num filme ganhar 7 prêmios enquanto outro apenas 3 e sair como Melhor Filme. Se pensarmos num universo de milhares de votantes que são alvejados por uma metralhadora de opiniões, outras premiações e campanhas massivas de marketing, não dá para se esperar que o ponto alto seja a coerência. A verdade é que o Oscar se torna cada vez mais uma premiação óbvia e antecipada. O problema deve ser o formato da corrida, afinal, quando chega a reta final com os prêmios dos sindicatos (onde os votantes são os mesmos), fica bem fácil diagnosticar quem serão os vencedores da AMPAS.

Por isso, quando Jared Leto recebeu o primeiro prêmio da noite (ator coadjuvante) já se sabia o script das premiações. Havia uma leve dúvida entre Lupita e Jennifer Lawrence, uma possibilidade de Capitão Phillips ganhar Montagem de Gravidade, e Trapaça vencer figurino de O Grande Gatsby. Fora isso, eram certezas atrás de certezas (até documentário já se esperava a derrota de Ato de Matar para A Um Passo do Estrelato). O Oscar não premia o melhor, e sim o que conseguiu a campanha de marketing mais eficiente. O The Hollywood Reporter publicou uma série de entrevistas com membros da academia (mantido o anonimato) que prova como, em muitos casos, as pessoas não viram os filmes e votam de acordo com o hype (link para Brutally Honest Oscar Race)

oscar_2014_1Voltando ao script, enquanto as surpresas não aconteciam e ganhavam Alfonso Cuarón (direção), Matthew McConaughey (ator), Cate Blanchett (atriz), A Grande Beleza (filme estrangeiro) e os prêmios técnicos (som, fotografia, efeitos especiais e etc) para Gravidade. A comediante Ellen De Generes se esforçava em fazer piadas, de pizza a selfie). A festa é longa, ainda não se deram conta de que as apresentações musicais deveriam ser completamente banidas, e os clipes de homenagem devia ser lançados no Youtube apenas para promover o show. Como não fazem nada disso, lá se vão 4 horas de prêmios cantados há semanas.86th Annual Academy Awards - Show

Respondendo ao questionamento que abriu esse post. Gravidade se preocupa muito com a parte técnica, é realmente impecável, mas sua história e personagens são tão capengas que o resultado final não é um grande filme. Já 12 Anos de Escravidão é um duro, competente (sem falar na ladainha da grande história que precisa ser contada). O filme vai ser passado, obrigatoriamente, nas escolas dos EUA. Realmente havia alguma chance de não ser escolhido como Melhor Filme? Eu ainda acho que era o melhor mesmo.

oscar_2014_3Entre os discursos, Lupita foi o único verdadeiramente emocionante, sua alegria contagiante e simples foram o toque de inesperado em toda a festa. Cate Blanchett também agradou com seu estilo sofisticado, porém emocionado. Os demais foram protocolares, até coisas como Ucrânia e Venezuela estamos com você. Hello?

oscar_2014_5No fim, sem surpresas, até que ganhou o melhor, e nas demais categorias os prêmios não ficaram feios. Perder chances de premiar Ato de Matar e A Imagem que Falta são tristes, assim como escolher Frozen quando havia Vidas ao Vento ou Ernest e Celestine entre opções. Mas é Oscar, é lobby, o que mais será falado em alguns anos é o selfie da Ellen que se tornou a foto com mais RT da história da internet.

oscar_2014_6E para nós, brasileiros, por mais que digam que o mais próximo que se chegou de um Oscar foi a brasileria esposa do Matthew McConaughey, o ápice foi a mais que justa lembrança de Eduardo Coutinho no In Memoriam, junto de outros grandes nomes como Philip Seymour Hoffman, James Gandolfini, apesar da lentidão da Academia ao não acrescentar o mais importante de todos, Alain Resnais.

Blackfish: Fúria Animal

blackfishBlackfish (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Partindo da morte de uma treinadora no Seaworld, em Orlando, ocorrida em 2010, a diretora Gabriela Cowperthwaite traça um perfil de toda a história de cativeiro das baleias orcas para parques aquáticos. Mais de 30 anos de acidentes e incidentes, incluindo mortes de diversos treinadores, e todo o trabalho da empresa para proteger sua imagem, acusar por negligência, ou garantir seus interesses.

Nos shows, aquele lindo e impressionante sincronismo entre treinadores e baleiras, manobras perfeitas envolvendo animais e humanos. Cowperthwaite traz a fragilidade da profissão, os perigos que nem eles conheciam, o medo nos depoimentos daqueles que desistiram da profissão depois do última acontecimento fatal.

Qual a diferença das touradas e desses espetáculos com as orcas? Paulatinamente, o documentário afirma que não são animais para viver em cativeiro. A teoria vendida pelo documentário é a de que aquela baleia já havia causado a morte de outros treinadores. Por outro lado é muito fácil ouvir aquelas pessoas que por tantos anos viveram daquela forma, e agora, com um acidente (e acidentes ocorrem em todas as profissões) passam a demonizar aqueles que antes eram os chefes da profissão mais apaixonante do mundo.

Mesmo os não fãs e protetores de animais vão se surpreender com a comoção de algumas cenas (a separação de mães e filhos), e as imagens violentas de vários acidentes ao longo dos anos. Blackfish é contundente, e traz a tona questões que dificilmente vem vem ao domínio público. Afinal, quem pensa no dia-a-dia daquelas orcas?

2014 Oscar Predictions

EDITADO: E por fim, apenas 9 indicados, com isso a Disney perdeu a vaga. E o filme dos Coen perdeu a disputa da vaga com Clube de Compras Dallas. A outra dúvida, o indicado entre os filmes dos Weinstein, ficou mesmo com Philomena.

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Em alguns minutos serão conhecidos os indicados ao Oscar 2014. Desde o ano passado que estou querendo fazer um post para apresentar minha tese do quanto o Oscar é mais um trabalho de marketing nos bastidores, e menos uma disputa pelos melhores filmes. Infelizmente, não deu tempo, mas vou adiantando que tenho essa visão, e que a mudança de 5 para 10 indicados na categoria melhor filme vem corroborar com isso (dessa forma eles conseguem emplacar ao menos 1 filme de cada uma das grandes distribuidoras entre os indicados, o que representa maior bilheteria).

E garantindo vagas as grandes distribuidoras, eles dividem os demais indicados entre as demais, ou uma segunda chance para as grandes. Este ano, a corrida do Oscar parecia estar entre os seguintes filmes x Distribuidoras:

Fox (12 Anos de Escravidão)

Warner (Ela / Gravidade)

Sony (Trapaça / Capitão Phillips / Blue Jasmine)

Paramount (Nebraska / O Lobo de Walt Street)

Weinstein (Fruitvale / Philomena / Álbum de Família / O Mordomo da Casa Branca)

Universal (Rush)

Lionsgate (All Is Lost)

Focus (Clube de Compras Dallas)

CBS (Inside LLewyn Davis)

Disney (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)

IFC (Azul é a Cor Mais Quente)

 * Post escrito às pressas, espero não ter erros nas distribuidoras x filmes

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 Seguindo essa sequencia, cravo os filmes que, acredito, serão os indicados:

12 Anos de Escravidão

Trapaça

Gravidade

Ela

Capitão Phillips

Philomena

Nebraska

O Lobo de Wall Street

Inside Llewyn Davis  – Clube de Compra Dallas

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Dessa forma teríamos Fox, Warner (2x), Sony (2x), Weinstein, Paramount (2x), Disney e CBS (aquela vaga dos filmes independentes)

12 Anos de Escravidão

12anosdeescravidao12 Years a Slave (EUA – 2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Entristece um pouco pensar que Steve McQueen, um dos cineastas mais intrigantes da recente safra de novos diretores, vá ganhar o Oscar com o filme mais “convencional” de sua curta carreira. Este é apenas o terceiro longa. Favorito absoluto na corrida deste ano ao “careca dourado”, porém por mais consistente e fabuloso que seja seu filme, ficou de lado aquela perturbação de seus trabalhos anteriores em prol de uma história justa.

Porque, afinal, este é um daqueles filmes que precisavam ser filmados, uma daqueles histórias que precisavam ser contadas, e toda aquela ladainha blasé. Trata-se da biografia de um homem (cuja trajetória representa a de inúmeros outros à época). Um negro livre (Chiwetel Ejiofor), sequestrado e escravizado, durante 12 anos. Tempo suficiente para McQueen transpassar às telas toda a indignação com a escravidão.

12anosdeescravidao_2Injustiças, açoites e humilhações, qualquer sabe o que esperar dessa história. Capatazes impiedosos, fazendeiros sádicos (Michael Fassbender), todo e qualquer tipo de abuso nas relações raciais. A narrativa de McQueen é densa, sóbria, consistente. Aliada o tradicional ao seco, mesmo os momentos mais dramáticos tem ausência do melodrama, retrato estéril do estilo do cineasta. Por exemplo, na grande cena do filme, as chibatas no tronco, são de uma agressividade impar, o corte do corpo, o jorrar do sangue, impressiona mais o exercício cirúrgico do que a novela de um homem sofrendo todas as dores do mundo.