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O cinema nacional continua sobrevivendo de comédias muito populares, ou filmes para um público super restrito. Esses filmes menores ganham pequenos lançamentos, com pouquíssimas sessões, de forma que assisti-los se torna um esforço logístico. A exibição no Canal Brasil ou no Now tem sido mais interessante do que o circuito comercial deles. Entre esses dois tipos de filmes restam poucos lançamentos que estejam entre essas duas características, e normalmente eles são boa parte do que de melhor nos é apresentado. Segue abaixo meus 5 filmes nacionais lançados em 2015 nos cinemas brasileiros.

 

quehoraselavolta

  1. Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert
  2. Ausência, de Chico Teixeira
  3. Jia Zhang-ke, Um Homem de Fenyang, de Walter Salles
  4. Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós
  5. California, de Marina Person

 

Top 5 – 2014 – Cinema Nacional

Top 5 – 2013 – Cinema Nacional

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Nos últimos dias estava quebrando a cabeça, vasculhando nos filmes que entraram no circuito comercial, aqueles dez que seriam os meus preferidos do ano – doença de cinéfilo. E, simplesmente, não consigo fechar uma lista com dez merecedores-de-um-top-10. Talvez 5 ou 6, vá lá, mas o restante são apenas bons filmes, em que há outros 4 ou 5 que estão ali, no mesmo nível. Desse critério tão subjetivo (e maluco) que é classificar filmes. Conversando com meu amigo Superoito, realmente não parece haver sentido nessa lista, afinal, o circuito brasileiro vive atrasado. Se a oferta em quantidade tem crescido, ainda assim a quantidade de salas “alternativas” são tão restritas, que os filme permanecem nas prateleiras das distribuições, esperando melhor momento de estrear, muitas vezes perdendo seu “momento”.

Os cinéfilos que realmente acompanham a cena internacional de cinema, o que está sendo filmado, as novas tendências, novos limites que os cineastas quebram. Estes cinéfilos buscam os filmes por outras plataformas, de outras maneiras que não exclusivamente o circuito. Nesse ponto, os festivais tem ajudado muito, não só o Indie, Festival do Rio, e Mostra SP, como outros festivais menores, tem trazido grande parte da produção atualizada, cobrindo parte expressiva dessa produção. O resto chega através de outros formatos, viagens, Netflix, internet e etc. Estamos quase em 2015, hora de mudança.

Portanto, trabalhar numa lista de melhores, tendo o circuito comercial como critério, me parece abster-se do cinema que o próprio cinéfilo acompanha, discute, vive. Não, não vou esconder meus 10 preferidos, vou apenas deixá-los no final, apenas como referência, afinal eles serão meus votos para o Alfred da Liga dos Blogues Cinematográficos.

A lista mais importante é a que vem logo a seguir (comentada), são filmes que foram vistos em 2014, com produção de até 2 anos (que finalmente foram vistos, ou ficaram acessíveis). Eles formatam melhor o panorama do ano do cinema, os principais festivais, o que a imprensa especializada ou os grupos de cinéfilos discutiram, veneraram, xingaram, amaram. Há ausências, como toda lista, afinal, ela é subjetiva. Alguns filmes não foram vistos (a Godard a mais sentida, mais a versão em 3D precisa ser vista em tela grande), outros não agradaram tanto, mas ela indica caminhos, preferências, e, acima de tudo, é coerente com esse cinema atual.

O Top 10

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  1. Do que Vem Antes, de Lav Diaz
  2. A Imagem que Falta, de Rithy Panh
  3. A Princesa da França, de Matias Piñeiro
  4. Redemption, de Miguel Gomes
  5. Era Uma Vez em Nova York, de James Gray
  6. E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
  7. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takahata
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan / Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Olhando para essa pequena amostragem percebo que é uma lista heterogênea, grande parte dela da seleção dos dois últimos festivais de Cannes. Quase todos diretores consagrados, que apontam para dois caminhos: filmes grandiosos em temas e pretensões; ou pequeninos na pretensão, porém grandes na arte de filmar. São dois lados de uma mesma moeda, cineastas que enxergam suas próprias carreiras e tentam escapar dos caminhos fáceis do piloto automático.

Alguns destes filmes tem o aspecto moral como excelência, o perturbado conto de Ceylan ganhou a Palma de Ouro. O dos Irmãos Dardenne traz um melodrama nunca antes visto na carreira dos belgas. São filmes antagônicos na forma, ligados por essa questão da vida em sociedade, dos princípios. James Gray continua com poucos e fiéis fãs. Ele até flerta com o melodrama, mas seu estilo sofisticado deixa tudo tão chamuscado e charmoso que esse melodrama fica chique entre tão belos planos.

Há o lado teatral forte, é o segundo trabalho seguido de Polanski que remete ao teatro filmado, dois de seus melhores filmes em anos. O argentino Matias Piñeiro surge como uma descoberta, tardia deste blog, com uma construção irrepreensível, uma espécie de poesia teatral filmada. Assayas mergulha em seus filmes anteriores, e em Bergman, trilha novo caminho via metalinguagem.

De Portugal duas pérolas, o documentário autobiográfico de Joaquim Pinto e as biografias escondidas por Miguel Gomes num curta sobre doces fluxos de memórias. O cinema português segue produzindo pouco, mas muito bem. O japonês Isao Takahata promete ter entregue seu último trabalho, e o resultado é um primor ao refletir as tradições culturais orientais com leveza e sofisticação.

No topo da lista Pahn e Diaz, os dois revivendo cicatrizes dolorosas de seus países. Seja pelos bonecos do Cambodja, ou pelas florestas filipinas, os horrores das ditaduras sem que a violência precise ser exposta. Seus filmes são registros hipnóticos de um cinema rigoroso, que usa da simplicidade para aproximar-se de seus próprios personagens, e do virtuosismo de seus diretores para cativar os que enxergam novos rumos para o cinema. A conjunção exata entre fazer arte e contar histórias.

No Letterboxd deixo a lista mais completa com meus 25 filmes favoritos do ano.

O Top 10 do Circuito Comercial

  1. A Imagem de Falta, de Rithy Pahn
  2. Era uma Vez em Nova York, de James Gray
  3. Cães Errantes, de Tsai Ming-Liang
  4. Bem-Vindo a Nova York, de Abel Ferrara
  5. Mais um Ano, de Mike Leigh
  6. Amar, Beber e Cantar, de Alain Resnais
  7. Boyhood – Da Infância à Juventude, de Richard Linklater
  8. Vic + Flo Viram um Urso, de Denis Côté
  9. O Abutre, de Dan Gilroy
  10. O Ciúme, de Phillipe Garrel

Estamos em 2015, mas o cinema brasileiro ainda não se encontrou como indústria. Ainda temos, somente, 2 grandes grupos de filmes: as comédias Globo Filmes, e os documentários ou filmes de ficção, pequenos, que buscam um grande apuro artístico, e pouco contato com o público. Onde estão os filmes que carregam a indústria de cinema da maioria dos países? Incrível como há um grando hiato de filmes mais “normais”? As comédias bobas carregam bilheterias pelo mundo todo, assim como os filmes pequenos tem seu público. Porém, o Brasil ainda não encontrou uma produção robusta de filmes de gênero, ou com cara de Oscar, ou típicos de um Ricardo Darin local, não importa, o rótulo, não temos.

Ainda estamos procurando um Oscar de Filme Estrangeiro, mas a fraca quantidade de títulos nacionais nos principais festivais do mundo é sinal de que ainda vivemos de pequenos e raros talentos. Falta investimento, e algo mais. Falta uma indústria, uma premiação, aquilo que cria a curiosidade do público médio em não só escolher o filme enquanto está na fila da bilheteria. Por isso que ganha minha admiração os cineasta que conseguem fincar uma carreira, capazes de criar uma filmografia. Posso até não gostar dos filmes, mas eles merecem respeito numa indústria que vive de primeiros e segundos filmes, e para por ai.

Olhando meus preferidos, tento enxergar uma cara, um rumo, do nosso cinema. Não vejo. O topo da lista, entre os filmes que estrearam no circuito comercial em 2014, é mais um destes documentários pequenos, pessoais, onde o filme se mistura com o próprio diretor. Sim, porque a jovem diretora não fez um filme sobre seu pai (militante da esquerda e intelectual), e sim, um filme para se aproximar dele, entendê-lo. Realiza uma interação interessante, e intrigante, entre ela x pai x filme x edição e suas possibilidades. Difícil definir quem é o dono do filme, sabemos apenas que a última palavra foi dela (via edição), mas esse embate entre ideias e aflições próprias contamina o documentário, de forma positiva, trazendo à tona sinplicidade e vigor.

Filmes com temáticas jovens. Com propostas visuais diferentes, se apropriando bem dessa proposta para explorar o personagem. Ou um competente thriller, são esses os filmes que formam essa lista. Essencialmente filmes pequenos, que fogem do cinema favela que estamos acostumados a exportar. A indústria segue rastejando, tentando encontrar seu rumo. É verdade que em Recife temos um pólo de cinema se formando, criativo, inventivo, mas ainda é muito pouco. O advento da câmera digital aumentou a produção, não que isso tenha resultado em qualidade. O cinema nacional precisa dar o próximo passo.

 diascomele

  1. Os Dias com Ele, de Ana Clara Escobar
  2. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro
  3. O Homem das Multidões, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães
  4. Meninos de Kichute, de Luca Amberg
  5. O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra

E para encerrar a seção de melhores de 2013, o cinema brasileiro tem uma produção diversificada que merece uma atenção especial.

osomaoredor

 

  1. O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
  2. Faroeste Caboclo, de René Sampaio
  3. Cine Holliúdy, de Halder Gomes
  4. Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi
  5. A Floresta de Jonathas, de Sérgio Andrade

 

A lista dos meus filmes preferidos do ano, entre todos que entraram em cartaz no circuito brasileiro.

top 10 2013 Circuito

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

Os meus 5 melhores filmes nacionais, entre os que entraram em cartaz, no Brasil, em 2003.

Lisbela-e-o-Prisioneiro

  1. Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes
  2. Nelson Freire, de João Moreira Salles
  3. O Homem que Copiava, de Jorge Furtado
  4. Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado
  5. Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily