Desobediência

Disobedience (2017 – RU) 

Sebastián Lelio segue firme clamando pela liberdade em sua filmografia. Pela primeira vez filmando no exterior, o cineasta chileno opta, dessa vez, por uma abordagem mais contida, ainda que sse mantenha entre temas e personagens que persistem como tabus da sociedade moderna.

Começa apresentando Ronit (Rachel Weisz), fotógrafa nos EUA, e que numa rápida montagem o filme deixa claro que preza por sua liberdade. Se sente obriga a voltar à Inglaterra e enfrentar o luto pela morte de seu pai, um importante líder religioso de uma pequena e ortodoxa comunidade judaica. Lelio é muito cuidadoso com as informações ao público, a verdade da relação de Ronit com seu pai e aquela comunidade só vai clareando com o passr do filme,  o reencontro com parentes e amigos é doloroso e cheio de dedos, ou até mesmo de preconceito, uma persona non grata.

A fotografia acizentada, aquela imagem com aspecto de “lavada”, Lelio tenta fazer com que tudo ao redor represente o vulcão de emoções veladas. Ronit se reencontra com Enit (Rachel McAdams) e todo o desprezo dessa pequena sociedade faz sentido quando a chama daquele relacionamento reaparece. Amor, desejo, e também hipocrisia, dogmas religiosos, aversão, o mesmo passado vem à tona. E Lelio mantém a imagem em planos fechados nos rostos das duas atrizes, o que era luto se torna um misto de infelicidade e esperança. A trama segue seus caminhos, sempre contida, ainda que guarde momentos bem sentimentais nos minutos finais (com direito a discurso clichê e tudo mais), ainda que à moda antiga, o chileno tenha coragem de realizar um filme feminino, mergulhado numa sociedade tão machista e capte essa odiosidade geral exposta acima da liberdade.

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EP 132 – Casa Estranha com Gente Esquisita

Sensação no Festival de Sundance deste ano e candidato a ser o hit de terror da temporada, nosso tema da semana é Hereditário (8:14), o novo filme da distribuidora A24 (a mesma de Moonlight e Lady Bird), sob direção do estreante Ari Aster.

E para falar de filme de terror, a Varanda recebe novamente Gustavo Joseph, nosso setorista do gênero. Além disso, temos o Cantinho do Ouvinte, e nas Recomendações, um cardápio variado: podcasts, séries, filmes em cartaz e mostras especiais, e até um documentário em ritmo de Copa do Mundo. Bom podcast!


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Soldado

Soldado (2017 – ARG) 

A câmera observacional de Manuel Abramovich acompanha a trajetória de um jovem soldado. Do alistamento espontâneo à rotina no quartel. É outro exemplar do cinema argentino independente que coloca foco em personagens comuns, sem nada espetacular, além de suas próprias vidas e rotinas. Como se fosse um documentário, temos um personagem cuja presença da solidão e de poucas expressões emotivas tornam-se a vértice para que Abramovich exponha a radiografia de um coadjuvante que no cinema se torna um protagonista.


Festival: Berlim 2017

Mostra: Generation 14plus

La Sagrada Familia

La Sagrada Familia (2005 – CHL) 

Agora bem reconhecido mundialmente após o sucesso de Gloria e Uma Mulher Fantástica, o diretor chileno Sebastián Lelio estreava como diretor de longa-metragem com esse ardente e provocativo drama familiar. Filmado quase como uma fita caseira, que oferece um tom meio documental e meio confessional, o diretor explora os limites entre relacionamentos familiares e sexo. Feriado de Páscoa, família chilena tradicionalmente católica recebe a visita da nova namorada do filho.

Atirada, rebelde e provocadora, a jovem causa um rebuliço sexual na casa de praia, e esse tom confessional adotado por Lelio oferece proximidade e a tendência de uma sexualidade menos idealizada. O efeito é a sensação realista, além da provocação de instituições tão sólidas e conservadoras como religião e família. O resultado é irregular, ainda que corajoso e demonstra a tendência de personagens femininas fortes que seu cinema se caracterizou.

EP 131 – De Repente 30: Totoro

O cinema de animação japonês produziu, há exatos trinta anos, três obras-primas que abriram diferentes caminhos no gênero: a ficção-científica sombria Akira, de Katsuhiro Ôtomo, o drama de guerra Túmulo dos Vagalumes, de Isao Takahata, e a fantasia Meu Amigo Totoro, de Hayao Miyazaki. Para comemorar, os varandeiros assistiram novamente a Totoroe comentam, neste episódio especial, o legado dos animes de 1988 (3:47), com direito a um Top Miyazaki (10:24).

Na segunda parte da conversa, o destaque é um dos principais filmes do Festival Varilux 2018: o thriller erótico O Amante Duplo (1:01:10), nova provocação do francês François Ozon. E, nas recomendações, o guilty pleasure Beyond Skyline. Bom podcast!



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EP 130 – Eu Era um Lobisomem Juvenil

O grande destaque da semana é um dos filmes brasileiros mais elogiados do ano – e um dos preferidos da Varanda desde a temporada de festivais de 2017. Com uma mistura muito particular de drama social, horror, conto de fadas e humor, As Boas Maneiras (1:41) marca o retorno às telas da dupla Marco Dutra e Juliana Rojas, de Trabalhar Cansa.

O encontro da tragédia com a comédia se faz ainda mais gritante com A Morte de Stalin(25:35), de Armando Iannucci. Nas recomendações, dicas do Festival Varilux e a continuação do filme de terror Os Estranhos. Bom podcast!



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EP 129 – O Terror das Mulheres

Uma tendência instigante tem marcado o cinema: é cada vez maior o número de filmes de terror dirigidos por mulheres. Na semana do lançamento do francês Vingança, de Coralie Fargeat, elegemos nossos destaques nesse filão entre os filmes produzidos desde 2000 (30:22).

No embalo do Festival Varilux, e sem fugir do tema horror, um papo sobre A Noite Devorou o Mundo (55:31), de Dominique Rocher, uma fita de zumbis que vai muito além dos lugares-comuns do gênero.

Nas recomendações, a temporada nova de Unbreakable Kimmy Schmidt, destaques da mostra Olhar de Cinema, Philip Roth e Kanye West. Bom podcast!


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