Nossas Noites

Our Souls at Night (2017 – EUA) 

Trata-se de outra produção original da Netflix, que tem Jane Fonda e Robert Redford como protagonistas. Não precisa dizer mais nada, o filme dirigido por Ritesh Batra já tem mídia o bastante garantida. Não é atora que a Netflix adicionou em seu catálogo um dos filmes que a dupla trabalha junta: Descalços no Parque. Poucos filmes oferecem visão carinhosa do romance na terceira idade e esse cumpre seu papel de provar que não há idade para se apaixonar. É bonita a forma como o casal busca diminuir a solidão na proposta dela de passarem noites juntas, inclusive dormir na mesma cama, sem que haja obrigatoriedade de sexo.

E assim, pouco a pouco, vão entrando na vida um do outro, sempre com Batra buscando construir um conjunto de cenas doces (preparar o jantar, caminhar no centro no domingo de braços dados, brincar com o neto), que pesem mais pela maturidade do que a explosão amorosa. O combate á solidão tem seus efeitos, dos comentários da vizinhança ao resgate de problemas passado que o tempo parecia ter enterrado no fundo da memória. As noites deles os deixam mais humanos, por mais que isso tenha seus prós e contras, e o julgamento de tudo e todos.

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EP 101 – Liga Sem Bigode

O novo filme da DC é a principal atração da semana no podcast… com direito a um papo com Chico FiremanCris LumiMichel Simões e Tiago Faria sobre as polêmicas envolvendo a participação do diretor Zack Snyder e, é claro, o bigode do Superman, apagado digitalmente. Liga da Justiça (23:00) superou Mulher-Maravilha e Batman vs Superman? Os novos heróis empolgam ao ponto de querermos seus filmes solo? A DC está copiando a fórmula de humor da Marvel? O blockbuster fica ou cai da Varanda?

A Trama (1:03:54) novo trabalho do diretor Laurent Cantet, também gera debate com sua narrativa em que uma oficina de escrita se transforma num thriller psicológico sobre a relação entre uma professora e um aluno de extrema-direita. No Boletim do Oscar (10:43), em foco os favoritos para as indicações ao Independent Spirit Awards.

Nas Recomendações (1:25:11), algumas séries, filmes disponíveis em streaming no Brasil e destaque para a estreia de Human Flow nos cinemas. E ainda tem Cantinho do Ouvinte e muito mais. Bom podcast!

Sempre bom lembrar que o jeito mais fácil de acompanhar as atualizações é nos seguir nas Redes Sociais, ou assinar no Itunes ou Feed.

Human Flow | Incorruptible

Human Flow (2017 – ALE) 

Incorruptible (2015 – SEN) 

As coincidências da vida me levaram a assistir aos dois filmes, no mesmo dia. E mesmo que não tenham o tema em comum, é possível encontrar paralelos, e reflexos de urgências globais, entre os interessantes documentários. Incorruptible (disponível na Netflix) é da diretora Elizabeth Chai Vasarhelyi e trata a questão eleitoral no Senegal, novamente um governante tentando se perpetuar no poder. Human Flow é a estreia do polêmico artista chinês Ai Weiwei (um dos grandes nomes da atualidade e que merece ser descoberto) tratando a inflamada questão dos refugiados.

Em ambos os casos temos fome, miséria e a população completamente jogada à sorte frente a decisão autoritária e egocêntrica de seus governantes. No Senegal, a corrupção política, a sede de poder, e o desrespeito as leis, despotismo, políticas infelizmente comuns nos países africanos. Chai Vasarhelyi acompanha o processo eleitoral, as ameaças e os confrontos, enquanto existe a real possibilidade da oposição disputar, voto-a-voto, a eleição que era tida como certa do presidente. Talvez, o mais impactante seja a imagem, já no segundo turno, dos mais de dez candidados derrotados, se alinhando ao opositor que chegou nessa segunda etapa. É impressionante como todos podem se unir numa escolha única, que esteja além de suas convicções políticas.

É decepcionante que Ai Weiwei tenha preferido uma narrativa tão quadrada e “jornalística”. De um artista tão inventivo, poderia se esperar o novo. Ele viaja à Europa, Oriente Médio, África e fronteira do México com EUA atrás de refugiados. Algumas entrevistas, porém o foco é mais o modus-operandi da vida de refugiado. Flagra da vida desumana, da ausência de necessidades básicas, da impossibilidade de voltarem a seus países e da total desesperança de uma solução a curto, médio ou longo prazo. Weiwei ousa mais quando se apodera da força das imagens, aéreas com drones, ou no epicentro dos dramas entre tempestades de areia, incêndios ou cidades completamente destruídas. Ainda que inegavelmente interessado em seus resultados, Weiwei vende essa ideia de plural, de democrático, e de mostrar o drama como-ele-é.


Human Flow

Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

Prêmios:

A Trama

L’atelier / The Workshop (2017 – FRA) 

Quem conhece a carreira de Laurent Cantet, sabe da importância da edução em sua filmografia. O cineasta francês ganhou a Palma de Ouro com Entre os Muros da Escola, mas o tema não para por ai. Novamente temos uma espécie de sala de aula, uma oficina de escrita em que um grupo de jovens aprende a escrever um thriller com uma autora consagrada.

No primeiro ato, tudo se apresenta com o esperado. Os alunos discutem ideias, surgem conflitos e a escritora (professora) dá as direções. Das discussões surgem questões atuais, afinal, o grupo é bem heterogêneo entre filhos de imigrantes africanos e árabes, e outros franceses. O ataque ao Bataclan, o passado de luta pelo não fechamento do mais importante pólo industrial da cidade, racismo, são temas que se cruzam ao processo criativo.

No segundo ato, o filme se rebela quase como um thriller psicológico, quando descobrimos mais de Antoine, o mais rebeldio e provocador dos alunos. Como se a vida colocasse em prática as técnicas propostas durante a oficina. É quando A Trama deixa de lado esses temas atuais maiores, para dar foco as aflições da juventude em sua individualidade. Com planos e contra-planos insinuantes e claustrofóbicos, Cantet extrai dos não-atores a pungência de uma juventude que dialoga com os tempos turbulentos da incompreensão e violência gratuita.


Festival: Cannes

Mostra: Un Certain Regard

Prêmios: 


Laurent Cantet na Toca: Em direção ao Sul (2005), Entre os Muros da Escola (2008)

EP 100 – Cem Noites na Varanda

Centésimo encontro dos varandeiros é momento para recordar! Num momento flashback, elencamos os 20 Melhores e os 5 Piores do Metavaranda (26:00), com direito a comentários sobre o estranhamento do filme X estar melhor colocado que aquele Y. Depois, Tiago Faria faz o seu top 5 de episódios e Chico FiremanCris Lumi e Michel Simões relembram momentos inesquecíveis do podcast.

Entre as estreias, o destaque é No Intenso Agora (1:10:00), dirigido por João Moreira Salles.

E mais: Boletim do Oscar (12:13), Cantinho do Ouvinte e, nas Recomendações (1:42:59), comentários rápidos sobre Stranger Things 2Borg vs McEnroeInvisível e O Outro Lado da Esperança. Bom podcast!

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Jogo Perigoso

Gerald’s Game (2017 -EUA) 

Realmente Stephen King voltou a ser moda. É a vez de Mike Flanagan, novamente numa produção Netflix, realizar versão de uma das obras do autor (provavelmente mais adaptado para os cinemas). Trata-se de um terror psicológico complicado de transpor num filme, as alucinações de uma mulher numa situação limite: algemada numa casa isolada e cujo marido (Bruce Greenwood) acaba de ter um enfarte.

Lembrança automática de 127 Horas, até porque a trama também resgata flashbacks da infância para dramatizar, ainda mais, a situação dela (Carla Gugino). Do comportamento inverossímil da mulher, ao passado de abuso que pouco parece acrescentar a situação desesperadora da heroína, o filme se equilibra na tentativa desse causar esse terror psicológico enquanto se coloca numa clara posição feminista de mulheres que encontram em seus casamentos os comportamentos hostis (como espelhos) que receberam de traumas infantis. Dessa salada ainda tem um cão faminto e traços de sobrenatural. Flanagan fez melhor com outra mulher presa em casa com Hush.

Invisível

Invisible (2017 – ARG) 

O novo filme do diretor Pablo Giorgelli mantém muito da narrativa pacata e da fotografia opaca de seu filme anterior (o road movie Las Acácias). Só que, dessa vez, o protagonismo é de uma garota de dezessete anos, que mora no bairro da Boca, em Buenos Aires, e sua vida entra em colapso quando vários problemas a circundam. A mãe, a escola, o caso com o chefe casado, e a gravidez indesejada. Novamente temos a necessidade do amadurecer depressa, mas também um interessante estudo de famílias frágeis, da falta da presença familiar.

O invisível do título pode se relacionar a um desejo da protagonismo, mas há tantas pontos importantes e que estão invisíveis a essa garota, que a necessidade de decisões definitivas que o medo e a angústia são sua única certeza. Giorgelli está mais direto dessa vez, deixa de lado a graça da comédia dramática, para tentar expor essa adolescente vivendo momentos decisivos da vida.


Festival: Veneza

Mostra: Orizzonti

Prêmios: