Baseado em Fatos Reais

D’après Une Histoire Vraie / Based on a True Story (2017 – FRA) 

O novo thriller de Roman Polanski é bem genérico, ainda mais se lembrarmos que Elle (de Paul Verhoeven) é tão recente e bem mais desafiador, ou mesmo com os últimos filmes que ele próprio fez recentemente. A trama também é movida por elementos que já vimos recentemente em seus trabalhos, da escritora ghost-writer, até o protagonismo de Emanuelle Seigner, com flerte bem mais tímido para o lado erótico.

O roteiro pega um momento de instabilidade emocional de uma escritora renomada, que acaba manipulada social e psicologicamente por uma misteriosa ghost-writer (Eva Green). Uma relação de dependência e desconfiança, com traços de Louca Obsessão, muito suspense psicológico, e um desenrolar bem preguiçoso. Polanski segue filmando anualmente, talvez pudesse depurar melhor suas ideias, quem sabe até nos poupar dessas supresinhas de roteiro tão batidas.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Special Screenings

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EP 120 – Contatos Imediatos com os Anos 80

Steven Spielberg volta ao mundo da fantasia com Jogador Nº 1 (7:07). A Varanda se dividiu sobre um filme que traz discussões sobre realidade virtual, videogame e muitas referências à cultura pop dos 80.

Temos também filmes dirigidos por duas grandes diretoras. A argentina Lucrecia Martel resgata a colonialismo sulamericano com Zama (50:49). Já a francesa Claire Denis flerta com a comédia ao narrar as desventuras amorosas de uma mulher de meia-idade. Juliette Binoche interpreta a protagonista de Deixe a Luz do Sol Entrar (1:12:15).

E ainda Rapidinhas com Uma Dobra no Tempo, Cantinho do Ouvinte, Recomendações e os indicados para a votação de abril da Cinemateca da Varanda – não esqueçam de votar. Bom podcast!

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A Cordilheira

La Cordillera / The Summit (2017 – ARG) 

A todo custo Santiago Mitre tenta dar peso a seu novo filme. Começa escalando Ricardo Darín como um presidente da Argentina, passa pela trilha sonora, excessivamente presente, que busca o tom de Thriller, os dramas familiares do chefe de Estado que se sobrepõe a vital cúpula de países Sul-americanos que ocorre num hotel nas Cordilheiras Chilenas. Intrigas politicas ocorrendo, dentro e fora de seu país.

A cada nova carga dramática, a cada novo movimento no tabuleiro de xadrez, o filme só aparenta ainda mais equivocado. Culpa do peso de cada cena, do ar complacente do personagem, do uso das tramas políticas apenas como preenchimento dos hiatos das questões particulares. A Cordilheira não convence com nem pelos problemas pessoais, e muito menos pelas artimanhas políticas e Mitre cria um abismo onde seu filme só tende a mergulhar, cada vez mais.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Un Certain Regard

Arábia

Arábia (2017) 

Acima de tudo é sobre o homem comum, esse que forma a folha salarial das empresas, mas é sempre tratado como mais. Esse que não se destaca em meio à multidão, e tem um destino já determinado em que os sonhos e as perspectivas já foram sepultadas pela aspereza que a vida proporcionou. Descobrimos a história de Cristiano (Aristides de Souza), hospitalizado após sofrer um acidente de trabalho, na leitura de seus diários feitas pelo jovem André (Murilo Caliari).

Da periferia de Contagem à Vila Operária em Ouro Preto, a dupla de diretores Affonso Uchoa e João Dumans surpreende, ao mostrar, com robustez, a rotina de um trabalhador braçal. Através de muitos e longos silêncios e diálogos pontuais, o filme busca a trajetória de um jovem lutando por sua sobrevivência, melancólico por suas limitadas possibilidades. Reflete em um personagem, mas guarda um resumo da condição de vida de uma Minas Gerais dos rincões, que assim como todos dos outros estados do país conserva o ritmo interiorana (quando longe das metrópoles), e são essas pessoas que formam a massa desse Brasil que trabalha, vê tv enquanto nota que as discussões de nação parecem pouco os afetar. Arábia mira no homem comum, e assim faz um belo resgate do alicerce que forma nosso Brasil.

EP 119 – O Mecanismo Agora é Outro

Muito barulho por nada? A nova série de José Padilha para a Netflix chega causando polêmica. A Varanda comenta a impressão inicial dos primeiros episódios de O Mecanismo(9:25) e ainda discute a liberdade da ficção em criar a partir de fatos reais.

Das salas de cinema temos a estréia de A Melhor Escolha (37:55), um road movie sobre a jornada do luto dirigido por Richard Linklater. Aproveitamos a oportunidade para relembrar a carreira do diretor e fazer um Top 5 comentado de sua filmografia.

Já nos lançamentos das plataformas de streaming, Roman J Israel (1:20;21), o novo filme do diretor de O Abutre, que rendeu indicação ao Oscar para Denzel Washington.

Cantinho do Ouvinte, lançamento de um quadro novo que terá participação decisiva dos ouvintes-varandeiros e Recomendações que vão desde alguns filmes que estão em cartaz nos cinemas até a série Riverdale. Bom podcast!

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Zama

Zama (2017 – ARG) 

Tão esperado e tão discutido, afinal, o novo filme de Lucrecia Martel acabou não sendo selecionado para a competição dos grandes festivais, apenas integrando as exibições especiais. E é um filme sobre o colonialismo europeia na América do Sul, e também um filme de sobrevivência.

O Zama do título é um oficial da coroa espanhola, que espera uma carta do rei com sua transfência à Europa. Os anos passam, a carta nunca vem, mas ele sempre se coloca submisso a qualquer governador da região, em busca de agradar e finalmente obter seu objetivo. No segundo ato, cansado da espera, ele parte em busca de um perigoso bandido pela selva da região (divisa com o Brasil).

É um filme mais claro em seus dilemas, ainda que também pessimista de Lucrécia. Filmar a América Colonial tem seu mostrado uma tarefa ingrata, o público não corresponde, o tema normalmente trafega pelo monótono. Por outro lado, há muito do cinema sensorial da argentina, onde sexo e racismo estão entre os panos de fundo, mas é a desesperança o combustível que carrega Zama por sua rotina diária burocrática e simplista. Lucrécia filma nossos primórdios, mais límpido que o Joaquim de Marcelo Gomes, porém mais reflexivo que a última leva de filmes que jogaram luz sobre essa época.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Fora da Competição

EP 118 – Brilho Eterno que não Fica na Lembrança

Um dos filmes mais comentados da semana entrou em cartaz nas telinhas da Netflix, Nosso destaque é Aniquilação (10:00), novo longa do diretor inglês Alex Garland. Uma ficção científica ambiciosa, original ou apenas… cheia de si?

Também em discussão, dois dramas pequenos e admiráveis: o francês Amante por um Dia (31:00), de Philippe Garrel, e o alemão Western (52:30), de Valeska Grisebach.

E mais: Cantinho do Ouvinte, Varandeiro do Zodíaco (com Ailton Monteiro) e, no nosso bloco de Recomendações (1:09:00), comentários rápidos sobre Em Pedaços, de Fatih Akin, e o novo exemplar da franquia Tomb Raider. Bom podcast!

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