EP 141 – Nunca Te Vi, Sempre Te Amei

No episódio da semana, o cinema brasileiro domina a Varanda. Está chegando o momento do Brasil escolher o filme que será o candidato ao Oscar. É a época das estreias dos principais inscritos. Com a lista fechada dos 22 filmes concorrentes, discutimos como fica o Brasil na corrida pela estatueta dourada(48:25). Quais os favoritos? Temos chance de finalmente ganhar?

Entre eles, um dos grandes destaques é a estreia de Benzinho (9:16). Dirigido por Gustavo Pizzi, que divide o roteiro com a protagonista, interpretada por Karine Telles. O filme traz um retrato afetuoso da classe média, da relação entre mãe e filho e da dor da separação.

Também olhamos para o passado do cinema nacional ao discutir o documentário Histórias que Nossos Cinema (Não) Contava (1:16:00), dirigido pela estreante Fernanda Pessoa.

E mais: Cantinho do Ouvinte e Recomendações. Bom podcast!


Sempre bom lembrar que o jeito mais fácil de acompanhar as atualizações é nos seguir nas Redes Sociais, ou assinar no Itunes ou Feed.

Anúncios

Benzinho

Benzinho (2018 – BRA) 

Antes de falar no filme, é importante destacar que o diretor Gustavo Pizzi escreveu o roteiro com sua ex-esposa, a atriz Karine Telles, que protagoniza a história. Essa parceria de direção/atuação/roteiro já havia ocorrido no filme anterior da dupla: Riscado. Já pela escalação do elenco nota-se uma pretensão maior, estamos falando de um potencial bem maior de público do que aquele trabalho quase experimental. E o sucesso de repercussão internacional já o coloca como um dos possíveis escolhidos pelo Brasil ao Oscar.

Dito isso, o roteiro é de fácil conexão com muita gente, dos que deixaram suas cidades em busca de melhores oportunidades profissionais (em outras cidades ou países). Ou, simplesmente, das mães que facilmente sentem essa dor da separação, mesmo quando o filho se muda para a rua ao lado, só por não estar sob o mesmo teto, o que dirá outro país, outra língua. E, nesse ponto, Benzinho fala genuinamente com essas mães. A atuação de Karine Telles é precisa, principalmente nesses pequenos sabores de algo sair errado e o filho, simplesmente, seguir em seu ninho. Não que a mãe não torça pelo filho, mas, sabe como é, se ele estiver aqui pertinho…

Conhecemos essa familia de quatro filhos, quando vivem esse momento de euforia do primogênito que ganha convite para jogar handbol na Alemanha. A crise central é a da separação, enquanto a questão se resolve, acompanhamos tudo o orbita ao redor dessa familia. As finanças familiares ruindo, a irmã enfrentando problemas conjugais, os irmãos adolescentes que precisam ser babás dos mais novos enquanto os pais tentam ganhar a vida. Está tudo ali, a cidade de Petrópolis como palco do ruir das finanças.

Entre tantos dramas e esperanças de um futuro melhor, o roteiro intercala cenas cotidianas com aqueles momentos que deveriam ser marcantes. Se na rotina diária o filme é tenro e delicado, nessas cenas impactantes as ideias parecem melhores que a realização, numa pitadinha de artificialismo que diminui o emotivo esperado. A comparação com Que Horas Ela Volta? é compreensível, eles fazem parte de um conjunto de personagens aproximados pela classe social, suas diferenças estão nesses momentos-chave, um aspecto bem subjetivo, mas que faz toda a diferença na hora de se ganhar o carimbo de grande filme.


Festival: Sundance 2018

Mostra: World Dramatic Competition

Todo Sobre El Asado

Todo Sobre El Asado (2016 – ARG) 

A dupla de cineastas argentinos, Mariano Cohn e Gastón Duprat, ficaram mais conhecidos do público após o sucesso de O Cidadão Ilustre. Antes disso, já construíam uma carreira de destaque, como prova esse interessante documentário. A premissa parte da tradição do churrasco argentino, suas características, os tipos de carne, as diferenças das churrasqueiras. Mas, é apenas a introdução, o que a dupla apresenta é um estudo (divertido) sobre os costumes da sociedade argentina, tendo o churrasco como veículo a impulsionar a história.

Do tradicionalismo elementar ao machismo de uma sociedade ainda envelhecida, os irônicos Cohn e Duprat criticam essa Argentina média, que glamouriza os tidos especialistas de seus grandes troféus (podemos colocar o futebol na mesma perspectiva do churrasco aqui), enquanto mantém-se sob a égide cultural, social e econômica que ainda vigorava nos anos 80.

EP 140 – Todo Dia é Dia de Indie

Nesta semana, a Varanda deixa os lançamentos de circuito no cantinho da sala. Fomos caçar dois filmes independentes, lançados em streaming ou VOD, para debater.

Distúrbio (10:52), cujo título original é Unsane, do ex-aposentado Steven Soderbergh, foi filmado num iPhone (é a crise?). Domando o Destino (41:34), The Rider, da Chloe Zhao, chamou atenção nos festivais e agora estreia direto no cabo.

Será que os filmes pequenos são o futuro do cinema? Será que os filmes pequenos têm futuro? E, será que os filmes ficaram na Varanda, se penduraram ou caíram?

E tem Cantinho do Ouvinte e Recomendações que vão de filmes a séries e música. Bom podcast!

 

 


Sempre bom lembrar que o jeito mais fácil de acompanhar as atualizações é nos seguir nas Redes Sociais, ou assinar no Itunes ou Feed.

O Estranho

The Stranger (1946 – EUA) 

Pouco celebrado atualmente, este filme noir de Orson Welles veio logo após o fim da II Guerra Mundial. No roteiro, um detetive da comissão de Crimes de Guerra (Edward G. Robinson) investiga Nazistas que fugiram e tentam se camuflar na sociedade americana, após o desaparecimento de um suspeito recém-chegado aos EUA, acaba na cola de um professor universitário (o próprio Welles) prestes a se casar (Loretta Young) numa cidade de Connecticut.

Ainda que seja um trabalho de brilho restrito, até convencional em alguns pontos (narrativa, credibilidade do personagem central, o discurso Nazista didático), o segredo da trama é como Welles a torna sufocante, principalmente quando o detetive encurrala a noiva, em busca das confirmações de sua suspeita. Além, é claro, da beleza do noir, o branco e preto, e as sombras, sempre auxiliando no clima de suspense do filme.

Samui Song

Mai Mee Samrab Ter / Samui Song (2017 – TAI) 

O cinema de Pen-Ek Ratanaruang já fez bem mais interessante do que sua mais recente safra de filmes, os destaques Last Life in the Universe, Onda Invisíveis e Ploy lhe deram prestigiam como outro expoente do cinema tailandês. Aqui ele até flerta com o noir no início, em branco e preto um acidente de carro, que o filme revisitará outrasa vezes (só que com cores). Um dos envolvidos é a famosa atriz de novelas locais (Laila Boonyasak) que no hospital acaba conhecendo o misterioso Guy (David Asavanond). É o típico suspense com supresas e revelações, alguma carga de erotismo e doses de religiosidade através do marido, um milionário europeu, que agora vive obcecado por um líder espiritual local. Sobram elementos e falta atmosfera, o filme de Ratanaruang fica pelo caminho das intenções.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Venice Days

EP 139 – Oscar: Art Popular

A festa do Oscar tem perdido audiência, anos após ano. Para tentar recuperar seu público, três mudanças (7:12) foram anunciadas na semana passada. Elas estão causando uma chuva de criticas. Debatemos cada um delas, seus impactos e os prós e contras e perguntamos aos ouvintes: Quais categorias vocês gostariam que fossem incluídas ao Oscar? Ainda temos participação especial de Hélio Flores, lenda do Twitter cinéfilo, sobre o tema.

Nos cinemas brasileiros, a estreia do slasher O Animal Cordial (1:09:06), da diretora Gabriela Amaral Almeida, merece destaque. Violência e critica social em mais um filme nacional de gênero.

Cantinho do Ouvinte e Recomendações que incluem Christopher Robin, que estreia na próxima semana. Bom podcast!

 


Sempre bom lembrar que o jeito mais fácil de acompanhar as atualizações é nos seguir nas Redes Sociais, ou assinar no Itunes ou Feed.