Posts com Tag ‘30ª Mostra SP’

De Punhos Cerrados

Publicado: novembro 6, 2006 em Cinema, Mostra SP
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depunhoscerradosI Pugni in Tasca (1965 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Marco Bellocchio em sua estréia no cinema disparava uma metralhadora felina para todos os lados, religião, nacionalismo, família, não há quem não esteja sob sua mira. O pilar de seu roteiro é uma típica família italiana burguesa, ou melhor, a fragmentação dessa família formada de pessoas fragilizadas, problemáticas. Uma tragédia familiar de uma mãe incapaz de educar seus quatros filhos, fazendo disso um pequeno retrato de um país conservador, problemático. O irmão mais velho tentando administrar a casa, o outro irmão é destrutivo, feroz, implacável, nutre uma paixão por sua irmã. É um filme de impacto, administrado pela loucura de um personagem psicótico, egoísta, solitário. A cena final do ataque epilético ao som de La Traviata é um momento fantástico, impactante, hipnótico.

A China Está Próxima

Publicado: novembro 3, 2006 em Cinema
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achinaestaproximaLa Cina è Vicina (1967 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O título pega emprestado pichações pelos muros da Itália, nos auges da Guerra Fria. A vida política e social se entrecruza, num emaranhado, muito bem bolado e desenvolvido, por Marco Bellochio. Ácido e perspicaz no humor, o cineasta brilha ao contar a história sobre falta de escrúpulos, abordagens sexuais e inquietudes de uma sociedade moralista, criticando os ruralistas e indiferentes, e os metropolitanos falsamente engajados.

O pilar desse desenvolvimento crítico é uma família burguesa. Um dos membros é um professor pleiteando candidatar-se a vereador por um partido socialista que acaba de se constituir. Sua irmã insaciável sexualmente teme envolver-se completamente por achar que todos desejam seu dinheiro, acaba engravidando do contador do irmão-candidato, que outrora vê sua noiva tornar-se amante do professor candidato. Ainda aparece o irmão mais novo é um dos fundadores de um grupo revolucionário anti-esquerda. Um estudo efervescente dos não 60 italianos.

climasIklimler / Climates (2006 – TUR/FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Além de dirigir, produzir e escrever o roteiro, Nuri Bilge Ceylan protagoniza o filme juntamente com sua esposa. Como seus trabalhos anteriores, há carga autobiográfica, além de ser difícil, narrativa lenta, planos longos com câmera fixa. Dessa vez repleto de uma violência aflitiva (não aquela sanguinária, uma de atos, olhares, sentimentos, sexo), e diálogos angustiados. Trata da incomunicabilidade, das pequenas coisas que fazem explodir ressentimentos acumulados em uma relação. Ceylan novamente nos apresenta enquadramentos de fazer inveja e um senso de utilização do silêncio fabuloso. O final é belo, demonstrando a impossibilidade de se manter uma relação mesmo havendo amor (porque amor não é a única razão a garantir a sustentabilidade de um relacionamento), enquanto o diretor brinca de estabelecer uma associação entre as estações do ano e a vida do relacionamento.

Mostra – diários # 3

Publicado: outubro 23, 2006 em Cinema, Mostra SP
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Domingo é dia de descanso? Não para cinéfilo. O trio formado por mim, Stela e André chegou em cima da hora, resultado: pegamos um lugar péssimo e ficamos craques em contorcionismo para poder ver a legenda eletrônica. Terminamos o filme sentados no encosto de braço, era o único jeito. Na sessão estavam Bernardo Vorobow e Carlos Adriano. Para a segunda sessão corremos para lugares melhores, uma amiga deles se juntou a nós. Depois nos separamos, cada um corre para um lado, troca ingresso, pega blusa, e uma disparada até o Artplex (está ficando cada dia mais longe).

Terceiro filme, o primeiro em inglês (mas era canadense). O cansaço já começa a bater, mas vamos seguindo. O último foi sessão de crítico, estava repleto deles, na cadeira na minha frente Neusa Barbosa e Luiz Vita, na primeira fileira Cid Nader e Sérgio Alpendre da Paisà. A sessão terminou de forma inesquecível, a projeção estava bem ruim, quase na hora de terminar deu um claro na tela e acabou, era óbvio que tinha dado problema, mas aparentemente todos estavam desgostando do filme como eu. Depois de uns quatro minutos as pessoas começaram a sair, e o filme voltou. Voltou para aparecer um segundo de projeção e aparecer bem grande FIM! Só se via as pessoas rindo e dizendo: “Essa foi foda”.

A Promessa – os efeitos especiais são toscos, os personagens fracos e os acontecimentos mirabolantes. A tal promessa fica renegada a segundo plano, e na verdade não acrescenta muito coisa de fato. Claro que há cenas lindas, mais parecendo escola de samba do que um filme de artes marciais. Não gostei, e não estou sozinho nessa opinião.

Atirando Pedra – funcionaria muito bem no Supercine, é regular em todos os aspectos. Quer tratar de muitos assuntos (doença degenerativa, problemas familiares, a redescoberta do amor, influência sobre os mais jovens, consciência ambiental).

Sob o Signo do Escorpião – uma ilha foi devastada por um vulcão, os sobreviventes mudara-se para outra ilha e agora temem que um outro vulcão repita os estragos em seu vilarejo. Nascem discussões entre os que pretendem partir para o continente e os que pretendem ficar, a disputa sai do controle e toma proporções animalescas. Lembra muito alguns filmes do cinema nacional da época. Decepcionante, porque para fazer essa resenha simples contei o filme todo, não há nada a acrescentar.