Posts com Tag ‘31ª Mostra SP’

Hana

Publicado: novembro 13, 2007 em Cinema, Mostra SP
Tags:,

hanaHana Yori mo Naho (2006 – JAP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um samurai que precisa honrar a morte do pai, a obrigação social da vingança. Mas, a vocação da espada não lhe pertence, aliás nem essa sede de vingança. Vivendo num pequeno vilarejo, ele passa o tempo entre cortejar (timidamente) uma viúva, e dar aulas de matemática, redação e etc, para as crianças da região. A sua volta, uma comunidade de perdedores, pessoas vivendo do lixo ou ganhando ninharias pelas fezes que defecam.

Fico pensando onde estava a cabeça de Hirokazu Kore-eda para levar, às telas, essa comédia sem eira nem beira. Cheia de personagens tão tolos, que fica impossível imaginar todos juntos, vivendo numa mesma comunidade. E o filme segue manco até seu final, não se decidindo por nada, não nos levando a nada. Tudo bem que a sacada final é genial, e a sátira, aos samurais, termina por soar bem empregada (mas nada que redima seu fraco desenvolvimento).

aquestaohumanaLa Question Humaine (2007 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Nicolas Klotz oferece um dos filmes mais esquemáticos e intrigantes dos últimos tempos. Nada é simples, muito menos pouco pensando. De uma aparente conspiração empresarial, dos que almejam assumir a presidência de uma empresa, o filme passa a um profundo estudo da questão humana, de princípios de humanidade, e correlações de multicomplexidade social, criando uma fascinante analogia, entre administração corporativa e o massacre nazista.

Um estudo precioso de personagens e suas correlações, quase um thriller, sem nunca se afastar do mundo corporativo, vivendo apenas de relações humanas e do passado como emoldulador da herança pscicológica de caca um deles. Sua estrutura, não-clara, transforma-se num deleite a cada nova sequência. Um universo de possibilidades que se abre, segredos desvendados que vão muito além do mundo empresarial. A todo momento Klotz está promovendo a discussão, a possibilidade de refletir sob as garras do capitalismo e, principalmente, aos pilares das relações pessoais nesse mundo contemporâneo.

A segunda metade do filme é de revelações, mas, essencialmente de proposições, teorias, e de uma mise-èn-scene capaz de cenas curtidas, com cortes precisos, nos permitindo o tempo ideal de tentar absorver. As imperfeições do psicólogo (Mathieu Amalric), que trabalha no RH da empresa em questão, dão ainda mais peso a essa questão humana proposta, tão ingênuo para uns, e astuto para outros, seus momentos de desequilíbrio, a relação com sua namorada e com as mulheres que flertam com ele, e o joguete na mão dos poderosos da empresa. Até a narração em off, no fim, com tela escura, o público atônito a tantas proposições e essa analogia da carnificina empresarial de uma desumanidade vil e econômica. E a trilha sonora então, genuinamente escolhida, para enriquecer cada espaço entre silêncio e som.