Posts com Tag ‘34ª Mostra SP’

Octubre (2010 – PER/ESP/VEN) 

Semelhanças com alguns filmes pequeninos do Uruguai e Argentina não são mera coincidência. Há uma gama de cineastas latinos com esse dom de extrair de filmes e personagens “frios”, alguns momentos que beiram o hilariante, com humor fino e a decadência latina espalhada por cada fotograma. É o caso da dupla peruanda Diego e Daniel Vega.

Nosso protagonista é praticamente um agiota dos pobres. As pessoas deixam algo de valor como garantia e lhe pagam juros pelo dinheiro emprestado. De repente, aparece em sua porta um bebe recém-nascido, aquele homem de casa humilde, de vida solitária e pacata, com um bebê para cuidar torna-se uma singela figura inenarrável.

Enquanto isso, um conjunto de personagens orbitam à sua volta, como a mulher que passa a ser babá e almeja conquistar o coração do solitário, ou os tipos que em sua sala contam suas histórias requerendo por uma quantia maior de empréstimo (retrato da pobreza peruana sem demagogias). Outubro não chega a ser uma pequena pérola, mas uma delícia de narrativa dentro de um contexto de submundo de paredes descascando, de panelas gastas, de roupas esgarçadas, e de corações gélidos e intrépidos.

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Mamma Gógó

Publicado: outubro 29, 2010 em Cinema, Mostra SP
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Mamma Gógó (2010 – ISL) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É claramente sobre a relação do filho cineasta e sua mãe (algo bem biográfico). O diretor Fridrik Thor Fridriksson coloca muito de si nessa história de uma mãe sofrendo com saude debilitada, falta de memória e etc, enquanto os filhos tentam contornar essa situação de lidar com a mãe e com suas próprias vidas.

Enquanto isso, o filho mais mimado, com uma vontade imensa de fazer cinema “de arte” sofre com seus próprios arroubos de falta de pé no chão. O filme puxa para a comédia, as trapalhadas da senhora são realmente divertidas, mas a todo o momento busca-se um sentimentalismo que fica ainda mais evidente nos minutos finais, e não conseguem desenvolver nada além de um novelão, que nos deixa com saudades daquela senhora que engana policial, deixa criança beber e outras trapalhadas mais.

Meninos de Kichute (2010) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O filme de Luca Amberg é delicioso, no meu caso, excepcionalmente, fica ainda mais delicioso por ter visto tantas semelhanças com minha infância (por mais que a minha tenha sido na década posterior), foram anos e anos jogando futebol de kichute, com um pai rígido que tentava coibir meu gosto pelo esporte (não era por motivos religiosos), e outros etcs. É outra mostra de narrações do ponto de vista de uma criança que oferecem um misto de ternura e ingenuidade, aqui se tem como pano de fundo os dramas e dificuldades financeiras de tantas famílias, como essa, em meados da década de setenta. Temos esse universo infantil de figurinhas, futebol, e molecagens, e por mais que haja irregularidades técnicas evidentes, há uma essência cativante, há personagens interessantes (show de Arlete Salles) , há a genuidade de um Brasil que existia e ainda existe, e o garoto que faz o Beto (Lucas Alexandre) que deixa a todos encantados com suas travessuras.