Posts com Tag ‘Aaron Eckhart’

sullySully (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Clint Eastwood chegou a um absurdo ritmo narrativo que você, simplesmente, presta atenção maravilhado ao domínio na arte de contar histórias. Clássico, além da maturidade, seu ritmo sobrevive sóbrio, como um instrumento que nunca desafina, muito menos sai do tom.

No recorte da vez, o curioso caso do avião que pousou sob o Rio Hudson, em Nova York, devido a problemas ocorridos após a decolagem. Da transformação em herói ao severo questionamento se sua decisão foi acertada, eis o calvário que enfrenta Sully (Tom Hanks) no exato momento em que o filme dá início. Entre flashback’s e a investigação, Clint vai e volta (até se repete algumas vezes descessariamente) nos fatídicos segundos em que a tripulação teve para analisar opções até optar pela arriscada aterrisagem.

Não é um filme diferente do que o cineasta tem feito, mas não deixa de ser outra visão humana e emocionante, que colocada num tom tão sereno, facilmente criar a atmosfera para que o público tenha laços fortes com o drama de Sully e seus passageiros. Dificil não se emocionar com os agradecimentos entusiasmados, a celebração à vida, ainda que o filme tente sustentar o suspense no julgamento da tripulação, sempre pelo prima de Sully, esse tipo de herói comum e cristalino que funciona perfeitamente na visão nacionalista de Clint.

Anúncios

Rabbit Hole (2010 – EUA)

Drama falsamente carregado sobre um casal lidando com a perda recente, o casamento desfacelado, a dificuldade em conviver todos os dias com as lembranças e toda aquela dor atenuante. John Cameron Mitchell vai além do convencional, juntamente com seus corretos atores Nicole Kidman e Aaron Eckhart, e nos faz lembrar bastante Sam Mendes e seu (pior) filme Revolutionary Road, num conjunto de consequencias que tendem a explodir, mas nunca chegam a nos dizer muita coisa. Não há grandes diálogos, não há grandes personagens, apenas duas pessoas que não sabem se correm ou se ficam paradas, que não sabem se vivem a rotina ou se reclamam da dor (um com outro), tudo falsamente perfeito e harmonico, tal qual a vizinhança arborizada de casinhas arrumadas e famílias (pretensamente) felizes. Para pessoas como eles, não há mais felicidade.

The Dark Knight (2008 – EUA) 

Christopher Nolan dirigiu um filme alucinante. O assalto a banco, da primeira cena, é apenas o prefácio de um filme longo, que passa num tiro. Duas horas e meia que não se dá conta que se foram, tamanha agilidade na narrativa e capacidade de entreter. O cineasta britânico esquematizou seu filme em dois alicerces: roteiro e cenas de ação. No roteiro criou uma série de acontecimentos que oferecem ramificações, não só para esse filme, como para suas continuações, explicações para as origens dos vilões, pequenas aparições de vilões anteriores, isso sem perder o foco no homem da vez: Coringa.

Contudo, Gotham está infestada de mafiosos, e surge um promotor incorruptível que pretende colocar atrás das grades os bandidões, eis a figura de Harvey Kent. No meio disso, a continuação tão frágil do caso de amor de Bruce e Rachel, dessa vez um triângulo.

Se o roteiro dá cabo de toda essa série de coisas acontecendo, as seqüencias de ação são realmente eletrizantes, porém Nolan acelera tanto que há cenas em que se torna impossível distinguir o que está acontecendo, é pancadaria deliberada sob a noite sombria de Gotham. Aliada a canastrice cada vez mais exagerada de Christian Bale, temos um terreno completamente livre para Heath Ledger brilhar, e como brilha. Seu Coringa é um debochado, um genioso e astuto ladrão, daqueles que nunca tem nada a perder, e suas idéias infalíveis parecem vindas dos HQ, e dos desenhos infantis que marcaram minha infância. A lentidão no modo de falar, as expressões, Ledger barbarizou. A cena do interrogatório, desde já antológica, coloca todas as cenas de ação no bolso (isso sem falar nele vestido de enfermeira).

Há ainda duas discussões que Nolan teima incessantemente, uma é a discussão do herói, a necessidade da população em ter figuras cristalinas para focar suas esperanças, e essa lenga-lenga cansa. Outro ponto são as bombas colocadas em dois navios que tenta coloca um alento na discussão da alma humana, o egoísmo, e tantos outros valores que, num momento tão “delicado”, como aquele, são colocados a prova de maneira tão leviana, e com um resultado tão clichê.

A verdade é que O Cavaleiro das Trevas é uma epopéia épica inesquecível, um exemplo típico da magnitude que seu cineasta vem tomando, mas cuja interpretação de Ledger torna-se algo tão indescritível e atordoante, que mesmo seus tons exagerados são engolidos pela capacidade de criar sequencias de um exímio apuro técnico.

aenfermeirabettyBetty Nurse (2000 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Mistura de comédia, drama, thriller e conto de fadas. Achou pouco? Roteiro original ou completa miscelânea? Betty Sizemore (Renée Zellweger) é uma garçonete, de uma pequena cidade no Kansas. Leva sua vidinha pacata, cheia de sonhos, principalmente em se relacionar com a novela Uma Razão para Amar. Casada com o canalha Del Sizemore (Aaron Eckhart), vendedor de carros usados metido com tráfico de drogas.

Numa cena grotesca e violenta, enquanto Betty assiste novela no quarto, bandidos surram Del na procura de um valioso carregamento de drogas. Ao final, Del acaba assassinado, e Betty assistindo a tudo. Ela entra em choque, e passa a acreditar que é ex-noiva do Dr. David Ravell (Greg Kinnear), que é o ator da novela da qual Betty assiste. Ela incorpora a personagem de uma enfermeira, e vai a LA, na busca de reatar com seu grande amor. Os bandidos (Morgan Freeman e Chris Rock) seguem seu rastro à procura das drogas.

Não bastava essa história macarrônica, com pitadas açucaradas, como num conto de fadas, Betty acaba conhecendo o Dr. Ravell, e tendo um romance com ele. No rastro, ainda temos a crise existencial de um dos bandidos, Charles (Freeman), entre sua aposentadoria e uma paixão platônica por Betty.  O diretor Neil LaBute ainda conseguiu criar uns personagens ridículos como o xerife e o jornalista (patético). Haja paciência!