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A Grande Jogada

Publicado: fevereiro 21, 2018 em Cinema
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Molly’s Game (2017 – EUA) 

Narração em off acelerada, marcada no ritmo da trilha e das imagens. Um turbilhão de informações que o público tenta captar entre nomes, números, conexões da personagem e memórias da personagem. Isso, sem falar, nos embates de diálogos acelerados, bem no estilo de A Rede Social. É a estreia na direção de Aaron Sorkin, o roteirista de filmes como o citado de Fincher, ou o de Steve Jobs (do Danny Boyle). A eficiência de seus roteiros está agora explicita em sua direção. Seu estilo é informativo, altamente explicativo, e capaz de dar um perfil completo de personagens e fatos. Se isso é bom cinema, podemos discutir?

Jessica Chastain surge glamourosa na pele de uma mulher que movimentava milhões de dólares em jogos ilegais de poker com celebridades e figurões. Tenta se defender nos tribunais, enquanto enfrenta as sombras de um pai exigente e complicado (Kevin Costner). O filme é curioso e envolvente como narrativa, maçante com esse turbilhão de informações e desgastante com tamanha agilidade e eficiência. Era de se esperar de Aaron Sorkin.

stevejobsSteve Jobs (2015 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Espaço tão curto de tempo e tantos documentários e filmes de ficção sobre Steve Jobs, fica difícil oferecer o novo ao público que tão bem já conhece fatos e personagens dessa biografia. Essa nova abordagem é calcada num tripé, em três nomes: Michael Fassbender, Danny Boyle e Aaron Sorkin. E é o roteirista Sorkin a presença mais marcante, afinal a arquitetura meticulosa desse roteiro é a espinha dorsal de tudo.

Sem contextualizar, o filme ocorre em três momentos importantes de Jobs (Fassbender), minutos antes do lançamento de três produtos. Nos encontros nos bastidores se desenvolve todos os elementos dramáticos da vida de Jobs, encontros com amigos (Seth Rogen e Michael Stuhlbarg) que ajudaram a fundar a Apple, ou com a mulher (Katherin Waterson) cuja filha ele não quer assumir a paternidade, oou com o CEO (Jeff Daniels) que ele contratou. Sempre com a fiel escudeira, conselheira, secretária de luxo, Kate Winslet, cuidando dos detalhes da apresentação, do temperamento perfeccionista e maquinal emocionalmente de Jobs.

De tão preso a essa estrutura, que lembra muito esses bastidores de Birdman, com encontros tão coreogrados e personagem em constante movimento, a fórmula fica desgastada rapidamente. É uma ideia criativa para encurtar o tempo de contar a história, só que a disciplina de Boyle, que usa alguns pequenos flashback’s para o mínimo de contextualização necessária, acaba se tornando seu maior empecilho. A estrutura deixa o filme artificial, repetitivo, e excessivamente verborrágico.

A figura do anti-herói humanizado pelo arco dramático da relação com a filha, enquanto seus destemperos no trato profissional o tornam num monstro cuja “genialidade” ajudou a construir como mito. Que tenhamos um fôlego antes que sua biografia seja revisitada, muito menos sem essas sacadinhas falsamente não-emotivos, que Boyle tenta nos pregar.