Posts com Tag ‘Abdellatif Kechiche’

Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

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Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

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A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

A lista dos meus filmes preferidos do ano, entre todos que entraram em cartaz no circuito brasileiro.

top 10 2013 Circuito

Adele Exarchopoulos Lea SeydouxLa Vie d’Adèle: Chapitre 1 & 2 (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Talvez a sociedade em geral ainda não esteja pronta para tratar o amor, sem rótulos, como Abdellatif Kechiche insiste em apresentar em sua livre adaptação do HQ, Le Bleu Est une Couleur Chaude, escrito por Julie Maroh. O vencedor da Palma de Ouro em 2013, trata do amor da forma mais intensa e explosiva possível. Aquela coisa inexplicável que vai além do racional, que pode ocorrer à primeira vista, numa mera troca de olhares.

Fala-se tanto das longas e quentes cenas de sexo entre as apaixonadas Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux), quase que restringindo o filme  a considerar tais cenas chocantes ou calorosas. Mas, Kechiche já causava alvoroço em seu filme anterior, quando os homens estudavam as curvas da Vênus Negra, a tratando como um objeto de estudo pavoroso. Dessa vez, Kechiche substitui essa sensação hedionda pelo amor em momentos de entrega sublime.

azuleacormaisquente2O caso de amor lésbico suscita as descobertas de uma garota de quinze anos, que apenas começava suas experiências sexuais, como também as dificuldades de um relacionamento, as seguranças e imaturidades. É um filme completo, 3 horas que marcam começo, meio e fim, passando por dez anos na vida da protagonista Adèle. Diante de tantos planos fechados, Kechicke explora emoções que muitas vezes não podem ser transmitidas por palavras, seja pelo azul (que está nos cabelos, roupas, decorações), mas nos lábios, olhares, na pele que almeja tocar a outra.

É um filme que explora sua protagonista de maneira inquietante, entre as aulas no colégio e no contato com as amigas, passando pela fase adulta e trabalho, mas principalmente nos momentos à dois (na conversa no bar, no banco da praça). Entre o amor e as aflições, Kechiche filma a beleza da vida, do desejo às frustrações.

Abdellatif-Kechiche-Palme-d-or-pour-La-Vie-d-Adele_article_popin-1024x713 Meu ranking, com todos os filmes, de Abdellatif Kechiche, cujo último filme (Azul é a Cor Mais Quente) venceu a Palma de Ouro e estreia na próxima sexta [Top Abdellatif Kechiche]

 Entrevista com Spike Lee, que afirma ser uma “reinterpretação” e não um remake, sua nova versão de Oldboy [Slant Magazine]

 Antes de falar dos melhores, quais foram os principais fracassos o ano? Lista interessante [Uol Cinema]

• Tarantino vem ai com outro faroeste [The Guardian]

• Festival de Berlim homenageará Ken Loach, com o Leão de Ouro honorário, em sua próxima edição [Berlinale]

• Trailer de Noé, novo filme de Darren Aronofsky [Omelete]

• No CCBB a Mostra Maurice Pialat, programação no link [Vai e vem Produções]

E no MIS, a Mostra Philip K. Dick, com clássicos como Blade Runner e Vingador do Futuro [MIS]

Sinais do fim de ano, as listas de melhores do ano e os indicados aos primeiros prêmios (que vai se falar são todos prévias do Oscar:

• A Cahiers du Cinéma divulgou sua lista do Top 10 de 2013, ainda acho que eles fazem umas piadinhas no meio da lista [Cinema7Arte]

• Já a lista da Sight & Sound pode ser chamada de óbvia, ou de sintetiza exatamente os melhores do ano [Sight & Sound]

• Enquanto isso 12 Years a Slave, com 7 indicações, confirma seu favoritimo, ao ser indicado a 7 prêmios do Spirit Awards, Nebraska conseguiu 6 indicações [Spirit Awards]

aculpaedovoltaireLa Faute à Voltaire (2000 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como bom imigrante,o tunisiano Abdellatif Kechiche foi mais um a abordar o tema da ilegalidade. Albergues, manicômios, bares sem glamour, desemprego, a expectativa do futuro promissor contrastada com a realidade crua das ruas. Kechiche parte do lugar-comum, o visto temporário (via asilo político), a ambientação inicial, o ganha-pão vendendo frutas ou flores no metro.

Gradativamente a vida de Jallel (Sami Bouajila) ganha contornos próprios, desde suas amizades até seus amores, sem esquecer dos problemas “burocráticos” da ilegalidade. Kechiche mergulha na vida de Jallel, sem deixar de lado a comunidade, a cultura tão presente nas festas no bar onde conhece Nassera (Aure Atika). Quando surge a maluquinha (Élodie Bouchez) e sua total dependência, o filme fraqueja por um romance desajustado, e por mais que Kechiche mantenha vivo o tema com aspectos cotidianos, a relação dos dois em nada acrescenta.

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E o juri presidido por Steven Spielberg conseguiu premiar os filmes mais elogiados pela imprensa este ano. Poucos levantarão injustiças, se é que alguém levantará. Sobrou até surpresa para o cinema mexicano que abriu o festival causando alvoroço com a violência do filme, mas depois ficou com críticas medianas. O que importa é que o único favorito, o mais eogiado, foi escolhido como melhor filme, e, desde já, promete ser um dos melhores filmes do ano.

Competição Principal – Premiados:

Palma de Ouro: Blue is the Warmest Color, de Abdellatif Kechiche

Grande Prêmio: Inside Llewyn Davis, de Joel and Ethan Coen

Prêmio do Juri: Like Father, Like Son, de Hirokazu Kore-Eda

Melhor Diretor: Amat Escalante, por Heli

Melhor Roteiro: A Touch of Sin, de Jia Zhang-ke

Melhor Atriz: Berenice Bejo, por The Past de Asghar Farhadi

Melhor Ator: Bruce Dern, por Nebraska de Alexander Payne

 Camera d’Or: Ilo Ilo, de Anthony Chen

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Depois de algumas críticas mornas, o filme italiano Salvo foi ganhando elogios e hoje foi escolhido o melhor filme na Semana da Crítica. Nos bastidores, o dia foi de polêmica com as “prostitutas de luxo”, como se isso não existisse em todos os lugares.

Dia também de homenagear o comediante Jerry Lewis. Já entre os filmes na Competição, pintou o favorito (Kechiche), e outro que também entra no páreo (Payne).

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NEBRASKA

NEBRASKANovamente Alexander Payne apresenta um road movie, e novamente dialogando ao tema da velhice. Dessa vez, um senhor é levado por seu filho, para receber um suposto premio da loteria que o deixaria milionário. O premio não existe, mas a viagem representa muito mais do que esse milhão de dólares.

Críticas: TimeOut NYHollywood ReporterUOL Cinema

Termômetro: quero ver

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LA VIE D’ADELE | BLUE IS THE WARMEST COLOR

blue-is-the-warmest-colorOs primeiros tweets de ontem e as críticas de hoje, colocam o filme de Abdellatif Kechiche como o mais elogiado de todo essa edição, por enquanto. Narrando uma relação lésbica entre uma adolescente (Adéle Exarchopoulos) e uma estudante de arte (Lèa Seydoux). Os elogios não param.

 Críticas: IndieWireAV ClubHollywood Reporter

Termômetro: imperdível

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MICHAEL KOHLAAS

michael-kohlhaasNão empolgou o último concorrente frances na Competição Principal. O filme dirigido por Arnaud des Pallieres e estrelado por Mads Mikkelsen, foi comparado a Robin Wood, um criador de cavalos planejando uma vingança naquela época dos confrontos com espadas.

Críticas: Hollywood Reporter – Screen Daily

Termômetro: pé atrás