Posts com Tag ‘Adam Driver’

BlacKkKlasman (2018 – EUA) 

Uma sátira, um filho da blaixploitation, um thriller contra o racismo que narra os anos 70, mas mira nos dias de hoje. O novo filme de Spike Lee é tudo isso. Da história verídica do primeiro policial negro, de Colorado Springs, que de um anúncio do jornal criou uma operação para se infiltrar na Klu Klux Klan, o cineasta americano mira, novamente, sua provocativa metralhadora na intolerância racial e nos movimentos Neo-Nazistas, que, incrivelmente, ganham mais adeptos pelo mundo de hoje.

A narrativa tem essa pegada de swing da década de setenta, e se equilibra entre o humor (algumas vezes questionável, em outras preciso) e a afirmação política contra a segregação através de encontros dos Panteras Negras. O policial Ron Stallworth (John David Washington) se divide entre ambos núcleos. De um lidera as investigações, faz contatos com membros da Klan, e quando consegue se infiltrar, precisa mandar um colega branco (Adam Driver) para participar das reuniões. De outro lado, flerta com uma das líderes estudantis e ativista dos Panteras .

Menos inventivo no ritmo narrativo, o filme é mesmo um deleite pop por seu ritmo descontraído e seu humor direto. E, obviamente, se torna mais poderoso e fundamental por sua contundência política, seu discurso urgente frente um planeta que vê a ultra-direita ganhar mais espaço e recolocar na moda questões e comportamentod que pareciam segui o caminho conciliador. Em entrevistas, Spike Lee diz ter sido muito influenciado pelos acontecimentos chocantes em Charlestonville (utiliza as fortes imagens para encerrar o filme), vamos precisar muito da cultura em geral para tentar conscientizar do caminho perigoso que muitos países estão tomando.


Festival: Cannes 2018

Mostra: Competição

Silêncio

Publicado: março 25, 2017 em Cinema
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Silence (2016 – EUA) 

Martin Scorsese volta a tratar questões religiosas em seus filmes, após Dalai Lama (Kundun) e Jesus (A Última Tentação de Cristo), a fé volta como tema central na história de perseguição dos japoneses aos padres jesuítas portugueses que foram pregar o catolicismos no século XVII. De um lado, o absurdo da violência como única forma de coibir o estrangeiro e sua cultura oposta às crenças locais. De outro, a arrogância cristã de entregar sua crença como a verdade única e irrefutável.

Os melhroes momentos do filme são do confronto de ideias entre governantes japoneses e jesuítas. Nessa nova adaptação do livro de Shusaku Endo, o cineasta americano vai além na trama do que na versão de 1971 de Masahiro Shinoda. Sem economizar na violência chocante, Scorsese deixa tudo límpido e esclarecido, quebrando um pouco do ar reflexivo que Shinoda oferece ao parar a história num ponto mais crucial, algo parecido com que fez em sua versão da saga de Jesus Cristo.

De todos os modos, ambos os filmes não só levantam a dualidade dos lados frente a questão da liberdade de crenças do povo, e a necessidade de violência cruel em frear o opositor, mas também o quanto a fé e suas crenças devem ser colocados acima de tudo, de forma a prejudicar não só a si mesmo, como a outros envolvidos. Negar sua fé, humilhar seus símbolos, sofrer dor física pela inquisição dos que não acreditam em seu Deus, Scorsese impõe a visão ocidental da perseguição e da humilhação que amputa a fé pelo silêncio

patersonPaterson (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Numa primeira olhada, Paterson (Adam Driver) é um sujeito tão comum, mas tão comum, que carrega em si até o nome da própria cidade, onde nasceu e sempre viveu, não tendo assim nem seu nome como algo apenas seu. Motorista de ônibus, leva a vida em uma rotina mecânica. E por mais estranho que possa parecer, nesse ritmo tão pensado e programado, ele incorporou algo tão inspirador, dentro desse rotina diária marcada, e que se tornou sua forma de expressão mais pessoal: a poesia. Há o momento exato para o café da manhã, o mesmo trajeto de casa ao trabalho, o mesmo lanche de todos os dias. E, há também o momento para escrever suas poesias, assim como a visita noturna e silenciosa ao bar, enquanto leva o cachorro para passear.

Sua individualidade fica mesmo reservada ao caderno secreto de poesias, que não mostra a ninguém, como alguém que tranca seus sentimentos e não pode, quer, sabe, compartilhar com alguém. Bem diferente dele é sua esposa (Golshifteh Farahani). Dona de casa inquieta e devaneadora, que tem sonho para tudo, a todo instante. Além de uma, aparentemente falsa, necessidade de libertação, que expressa em suas tentativas de fazer arte (pintura, música, culinária, atira para todos os lados, mesmo que sem talento para nenhuma).

Ao longo de uma semana acompanhando seus personagens, Jim Jarmusch tece um conto de pura sensibilidade. Buscando essa poesia que pode estar dentro de cada um. Com uma boa sacada para escapar da armadilha de seu roteiro esquemático, e através de personagens que nunca saem do tom, e que preferem  encontrar no papel, no refúgio das palavras secretas, suas emoções, anseios e interpretações das pequenas coisas. Tudo isso em poesias meio tortas, porém singelas, que dizem respeito apenas ao autor.

A melancolia é um dos sentimentos (ou estados de espírito) dos mais bonitos e cinematográficos. Mas, há bem mais do que a simples melancolia, nessa visão bastante intimista de Jarmusch, e seus personagens interioranos. O diretor coloca, na poesia, a representação da válvula de escape. Usa Paterson como figura central, mas encontra nos coadjuvantes outras formas de expressão dessa possibilidade de fugir da realidade. Seja no perseguidor apaixonado, que é sempre humilhado no bar por sua amada, ou na garota que também escreve poesias, e até mesmo no dono do bar. É a somatória de personagens e melancolias que aumenta a riqueza do quadro que Jarmusch pinta, seu retrato nostálgico da individualidade humano-contemporânea.

starwarsVIIStar Wars: Episode VII – The Force Awakens (EUA – 2015) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Foram três décadas até a saga Star Wars retomar os acontecimentos de O Retorno de Jedi. Os heróis e os robôs clássicos estão de volta, dando início a transição a novos robôs e personagens, cujo futuro pode reservar também a antologia de um Han Solo (Harrison Ford) ou Luke Skywalker (Mark Hamill).

A trama é clara derivação do episódio IV, mudam-se os nomes dos líderes inimigos, e algum detalhe aqui e ali (que tenha forte significado a toda a saga), mas a fórmula está mantida. O grande mérito de J. J. Abrams, dessa vez, é manter o clima de Star Wars. Seu filme joga forte com os fãs, desde permitir entradas triunfais dos antigos personagens que causem euforia no público (a primeira grande cena é com a Millenium Falcon), até estabelecer novas sequencias, que chacoalham para todos os lados, dos confrontos pelo espaço.

Mesmo com o roteiro bem explicadinho, e as costumeiras cenas sentimentalóides, a saga Star Wars ressurge, com mais poder de bilheteria do que nunca. A bagagem de jedis, seres intergalácticos, e lutas com sabre de luz vão fazer bem ao circuito de blockbusters do cinema, e manter a loucura de multidões, ainda que o substituto de Darth Vader não seja tão marcante assim.