Posts com Tag ‘Adèle Haenel’

agarotadesconhecidaLa Fille Inconnue (2016 – BEL) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Fãs dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, o sinal amarelo de alerta pode se deflagrado. O filme anterior (Dois Dias, Uma Noite) já causava discórdia, pelo apelo melodramático (que no meu caso me atingiu em cheio). Seu novo filme tenta se colocar como uma trama policial, e ao mesmo tempo um conto moral, na história de uma jovem médica (Adèle Haenel) carregando o peso da morte de uma desconhecida.

Os tiques (ou obsessões narrativas) dos Dardenne continuam lá, os planos fechados seguem sufocando personagens e público, mas é a abordagem dos temas que apresenta sinais de mudança, e acima de tudo dessa vez. A médica que influencia tudo e todos, e destemida faz o trabalho da policia, é muito coisa de seriado, e os cineastas belgas não conseguem fugir da armadilha que eles mesmos criaram de tornar palatável e cristalino demais. As peças se encaixam, e todos carregam esse incomodo moral de desmoronar para a atenciosa (mas nada doce médica). A imigração ilegal volta a voga no cinema deles, mas dessa vez é apenas um vaso tímido que enfeita a sala.

ohomemqueelasamavamdemaisL’Homme que’on Aimait Trop (2014 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O novo elegante drama de André Téchiné é baseado numa polêmica que balançoou a França há poucos anos. Revive uma história ocorrida há 30 anos, envolvendo uma dona de cassino na Riviera Francesa, sua filha e um advogado conselheiro da família. Téchiné realiza uma adaptação livre de Une Feem Face à la Mafia, escrito por Jean-Charles e Renée Le Roux. Estranhamente o cineasta tenta esconder a fase atual da história, focando quase toda a duração de seu filme em possíveis fatos que formaram a relação entre as mulheres da família Le Roux e o advogado.

Os personagens são criados de forma rica, a matriarca poderosa e astuta para os negócios. O advogado manipulador, conquistador e interesseiro. A jovem, reçem-divorciada, romântica e carente, que pouco interesse tem com os assuntos financeiros da família. Téchiné e seu costumeiro requinte, repetindo o piloto automático de seus trabalhos anteriores, confirma (o que nem necessário era) sua capacidade de exímio narrador, mas ainda tento entender porque um filme tão francês guarda segredo do paradeiro de seus personagens, para ser encerrado de forma tão acelerada e abrupta, como um filme de tribunal. Os créditos finais revelando os últimos fatos, tudo tão corrido, apressado, enquanto Téchiné calmamente desenhava as relações políticas entre cassinos e máfia, ou a doçura da paixão que a frágil mulher deixara se entregar por completo.

amoraprimeirabrigaLes Combattants (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A estreia do roteirista e diretor Thomas Cailley imprime frescor às famigeradas comédias românticas. Os dois protagonistas são tão brutos, Cailley equilibra com leveza tais comportamentos. Cidade costeira francesa, aula de autodefesa na praia, o garoto quase toma uma surra, e precisa apelar para não passar vergonha frente aos amigos. Basicamente o filme é resumido nessa sequencia de abertura, os comportamentos mais “masculinos” dela, enquanto ele sempre correndo atrás, margeando a garota.

Outra questão é a doce inocência, do não perceber a paixão, ao largar responsabilidades por essa paixão. Arnaud (Kévin Azaïs) acaba reencontrado a durona Madeleine (Adèle Haenel) depois do episódio na praia. A moça parece uma máquina, treina sem parar, pretende alistar-se no exército, e o garotão acaba se alistando junto (para estar mais próximo da moça). Cailley comanda essa doce brincadeira, foco nos jovens, nas irresponsabilidades, na química que os atrai. O filme é leve, tolo, e flamejante. Facilmente agradável.

Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

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Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

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A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

suzanneSuzanne (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Lacrimoso e envolvente esse drama da diretora Katell Quillévéré. Um caminhoneiro (François Damiens), viúvo, tendo que se desdobrar para criar as duas filhas pequenas. Utilizando diversas elipses, a diretora facilmente narra a vida dessas irmãs por décadas, tendo como foco a destrambelhada Suzanne (Sara Forestier), sempre contando com o suporte fraternal da “levemente” mais ajuizada (Adèle Haenel).

Pode-se até levantar a questão da propensão que uma família fragmentada (no caso a ausência mãe falecida) possa resultar numa educação não tão exemplar, e dessa forma, risco maior de filhos irresponsáveis, ou com um “espelho” familiar falho. Se bem que, aparentemente, trata-se apenas de uma história, narrada de forma doce (nunca sentimental), de duas meninas-garotas-mulheres, apostando no amor, agindo por impulso, com decisões dubiamente corajosas e covardes.