Posts com Tag ‘Adrien Brody’

paoerosasBread and Roses (2000 – ING) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Anos de cinema político e ativismo engajado do cineasta britânico Ken Loach. Alguns dos filmes bem sucedidos, outros nem tanto. Sempre tendo o naturalismo como característica marcante, mas, acima de tudo, uma visão esquerdista e altamente crítica ao capitalismo, explorando, prioritariamente, as causas sociais. Dessa vez ele cruzou o oceano, chegou à California, onde trata da imigração ilegal dos latino nos EUA.

Com leve toque de humor, baseando-se em fatos reais, Loach aborda a vida de um grupo de faxineiros não sindicalizados. O foco são as irmãs Maya (Pilar Padilla) e Rosa (Elpidia Carillo), que como todos os imigrantes guardam vidas sofridas, de imensas dificuldades e famílias miseráveis. Seus filmes nunca escapam ao melodrama, como se seus personagens já tivessem sofrido tanto que não vale mais a pena tais exageros. No grupo de latinos sofridos permanecem os sonhos (como a faculdade), mas sob eles paira uma nuvem de desconfiança que não lhes permite nem enxergar direitos, apenas trabalho e suportar as humilhações.

Entra em cena o sindicalista Sam Shapiro (Adrien Brody), a classe se divide, afinal, por mais pobres que sejam há uma estabilidade mínima. Imigração e exploração trabalhista misturadas, as movimentações sindicais, Ken Loach está em casa, com seus temas preferidos, e assim, faz eclodir uma belíssima história de luta e justiça, sem demagogias e heroísmos, no melhor estilo “a vida como ela é”. Talvez seja o melhor filme sobre imigração ilegal já realizado.

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ograndehotelbudapesteThe Grand Budapest Hotel (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A patifaria de sempre de Wes Anderson, só que dessa vez travestida da década de 30, o Nazismo e o período entre as duas Grandes Guerras. De um lado o fino, o elegante, um luxuoso hotel e seu consierge (Ralph Fiennes) alcançando o cumulo da sofisticação. De outro lado a estrutura estéreo, imersa em cores berrantes (elevador vermelho e uniformes roxos), dos filmes de Wes Anderson. No meio disso uma intricada trama com direito a roubo de quadro, e vilões patifes (Willem Dafoe, Adrien Brody).

É mais uma aventura para unir atores famosos, e eternos colaboradores de Wes Anderson. Assim, Bill Murray e Owen Wilson aparecem em pequenas pontas, enquanto personagens esboçam humor por meio das sequenciais ágeis e picotadas de Anderson. Ele simplesmente traz seu universo para uma época específica, troca os losers da classe média pela alta aristocracia europeia versus um charmoso gerente de um hotel. Com direito a fuga da cadeia e outras patifarias, Wes Anderson é incorrigível.

osubstitutoDetachment (2011 – EUA)

Professor substituto por opção (Adrien Brody), por não desejar criar vínculos muito fortes, espécie de trauma de infância que o filme tenta resolver numa relação com o avô, vai parar numa sala de aula com alunos violentos.

É o mote para o diretor Tony Kaye espalhar discursos sobre a vida, escolhas e conduta, citando grandes autores, enquanto imagina estar refletindo a juventude negra e pobre americana. Fazendo uso de um personagem que praticamente se coloca acima do bem e do mal, vive sem conforto e sem relacionamentos, mas parece ter o discurso certo, na ponta da língua, para enfrentar alunos, drogados e até uma enfermeira de plantão.  É muita atitude e pouca dramaturgia, ao tentar ser um filme, só consegue discursos panfletários e bom mocismo fora do comum enquanto choca com situações “extremas”.

The Thin Red Line (1998 – EUA) 

E Terrence Malick visita a guerra. Um hall gigante de estrelas de Hollywood incorpora membros das tropas americanas no período da Segunda Guerra. Porém, Malick segue fiel às suas origens e obsessões, e foge do filme de geurra convencional, como era de se esperar. Em seu início, privilegiando alguns diálogos, com personagens mais burocráticos, é a forma como o cineasta questiona valores do exército. É no fogo cruzado que o filme realmente mostra sua força.

Pense num filme de guerra onde não importa quem está lutando, onde a vitória na batalha está ali sem que heroísmos sejam foco, e sim a sensação de se estar ali entre as vibrações da natureza, o medo e sua presença fundamental. Resumindo, onde o que se sente dentro da alma e não dentro da mente, Malick consegue aqui o que talvez seja o seu grande filme. Um trabalho intuitivo, que pode estar permeado do dia a dia de um pelotão, mas está totalmente focado nas relações dos soldados com seus momentos, com seus temores, com a dor da perda, ali ao seu lado. Ou a saudade de casa, mas, sobretudo com o ambiente que os cerca, onde o inimigo está presente, ali escondido e pronto para o bote.