Posts com Tag ‘Aki Kaurismaki’

Toivon Tuolla Puolen / The Other Side of Hope (2017 – FIN) 

Dentro das obsessões estéticas e narrativas de seu cinema, o finlandês Aki Kaurismaki é mais um a trazer o tema dos refugiados sírios à Europa. Seus planos fixos, os ambientes sempre em cores frias e os diálogos que nunca saem do tom dão a tônica de seus filmes, e mesmo quando trata o melodrama do refugiado renegado pelo governo local, o cineasta faz o tema caber bem dentro de seu estilo cinematográfico. E o faz com boas doses de humanismo e otimismo (prática nem tão comum assim em seus trabalhos anteriores).

Se de um lado está o sírio clandestino em busca de abrigo, de outro o homem cansado de seu emprego e casamento que larga tudo para abrir um restaurante. O destino os confronta e o finlandês resolve ajudar ao refugiado desesperado, enquanto os toques de humor de Kaurismaki permeiam as relações sociais. É a bandeira da tolerância sendo estiada, por mais que seus roteiros sempre gostem de criar situações incomuns, discutíveis, ou até exageradas (que dentro da passividade e calma de seus personagens, talvez camufle muito desse exagero).

Não é um cinema que empolgue a muitos, principalmente pela lentidão, ou até pela clareza com que trata de seus temas. Mas, não deixa de ser uma voz importante que não abuse da miséria humana em imagens chocantes, e prefere encontrar personagens e situações que dialoguem com a reflexão de qual Europa “estamos” construindo. Um de seus melhores filmes, vencedor do prêmio de melhor direção no festival de Berlim.

centrohistoricoCentro Histórico (2012 – POR) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro filme-coletivo em homenagem a cidade de Guimarães e as comemorações como a Capital da Cultura Européia em 2012. Nostalgia é a palavra de ordem em O Tasqueiro, onde Aki Kaurismäki fala sobre uma tasca (espécie de restaurante local) que anda às moscas, longe da modernidade. Já Pedro Costa retorna com seu personagem-fetiche (Ventura), trazendo um horror claustrofóbico e política em Sweet Exorcist. Ventura em momento de loucura, num diálogo com uma estátua, dentro deum elevador do manicômio, falando sobre os horrores da ditadura de 1974.

O tom de Victor Erice é documental, depoimentos sobre uma fábrica que durou mais de um século, e acabou fechada em 2002. Inúmeros personagens rememorando seus tempos de trabalho, o dia-a-dia, o refeitório, as amizades. Enquanto Manoel de Oliveira faz uma ácida e leve crítica ao turismo descabido. As pessoas que viajam o mundo, tiram fotos desesperadamente, e perdem os significados, os momentos, a real importância do que está sendo fotografado. Guimarães foi a cidade do primeiro rei de Portugal, e diante de sua estátua que Oliveira tece sua doce acidez.

O Porto

Publicado: março 3, 2012 em Uncategorized
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Le Havre (2011 – FIN/FRA/ALE)

A narrativa em tom de fábula agridoce é apenas um dos muitos trejeitos pessoais de Aki Kaurismaki. Voce pode afirmar que ele se repete, ou que ele é dono de uma marca extremamente pessoal. No meu ponto de vista, ele está fazendo as duas coisas. As cores mórbidas, os planos focando no rosto dos personagens, a obsessão por dar espaço a objetos, e o tom de paródia, de comédia dramática. Aqui, ele transfere seus personagens (afinal são praticamente os mesmos, mudando atores e situações, porém os mesmos) para uma região portuária na França. O tema é o mais recorrente do cinema “engajado” europeu, a imigração ilegal.

Um grupo singelo de vizinhos resolve ajudar um garoto negro que deseja chegar a Londres, e estava escondido num container. As intenções são as melhores, os gestos carinhosos, por mais que esse sentimento seja transmitido pelos gestos, jamais pelas feições e por como são realizados. Aquela coisa de um sorriso amarelo e um coração transbordando de cuidados, mas o sorriso segue amarelo. A ideia de resgatar personagens reais daquela região, é outro ponto pitoresco, mas nada que faça o filme decolar, se voce já viu filmes de Aki Kaurismaki, terá a impressão que só está tratando o tema imigração, ainda assim seu cinema vai perdendo relevância pela repetição comportamental de seus personagens. Sua pegada autoral é interessante, seus personagens estão ultrapassados.