Posts com Tag ‘Alain Cuny’

adocevidaLa Dolce Vita (1960 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por mais que nosso mestre de cerimônias, na futilidade da burguesia romana do final dos anos 50 e início dos 60, seja um colunista social (e aquele bando de papparazzis), o jornalismo serve apenas como mecanismo para Federico Fellini expor o movo de vida fugaz e extravagante. Por entre festas ou cabarets, até mesmo coletivas de imprensa com atrizes (Anita Ekberg) que pouco além da beleza tem a oferecer, o ater-ego do diretor, Marcello (Marcello Mastroianni) mergulha em relações que parecem sem propósito além do momento vazio, porém luxuoso.

Por quase três horas, que representam um final de semana, Marcello nos conduz por esse conjunto de obscenidades e sorrisos regados à champagne. O oco por detrás de bonitos vestidos e smokings, que podem escondedr fragilidades ou completas nulidades vaidosas. As mulheres correm atrás de nosso galã, esfomeadas de amor ou prazer, enquanto ele vaga pelo caótico de um nonsense verossímil, que Fellini teima em nos mergulhar (como na festa com a câmera girando num 360º em seu próprio eixo, inserindo cada personagem antes da catarse alcoolica de um strip-tease pouco explosivo). A vida é doce como na antológica cena da Fontana di Trevi, e Fellini filma como se não houvesse amanha.

osamantesLes Amants (1958 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Uma ode a liberdade social e sexual feminina. Muito além de um filme sobre infidelidade feminina, na alta sociedade francesa, a fita destaca-se por retratar os primeiros passos da indpedência de escolha, desse feminimsmo orquestrado pelo impuslso sexual. O choque é inevitável, no filme, personagens admiram-se com a mulher que toma decisões individualistas e despreocupadas, na platéia é o seio desnudo de Jeanne Moreau que causa espanto, por tremendo atrevimento numa cena lírica, doce.

Jeanne Tournier (Jeanne Moreau) é casada com um importante editor de um jornal de Dijon. Entediada com sua vida, no interior da França, hospeda-se, frequentemente, na casa de sua grande amiga, Maggy Thiebaut-Leroy, em Paris. Na cidade-luz, convive na alta-sociedade, e mantém affair, com o galanteador jogador de pólo Raoul Flores (José Luis de Villalonga). Logicamente a situação tornar-se-á insustentável, cansado de não dispor da esposa em casa, Henri (Alain Cuny) implica com as viagens, cada vez mais frequentes. Deseja um jantar, em sua casa, com presença de Raoul e Maggy. É nesse ponto que entra de supetão na história o arqueólogo Bernard (Jean-Marc Bory).

Baseando-se no livro Point de Lendemain, escrito por Dominique Vivant, Louis Malle causa no público a sensação de estar dançando uma valsa durante a projeção, tal clima levemente envolvente o diretor imprime. Se a posição libertária da época não fosse tão importante, o filme pareceria fútil, tal qual a sociedade retratada. Ainda que coberto de alguns requintes e narrado de forma ajustada. Mas é na audácia que a obra ganha importância relevante, e é com Bernard que o enredo ganha contraponto. Nas diferenças sociais e ideológicas, o amor prova que esses pontos pouca diferença fazem.

O romantismo dessa fase do filme transborda pela tela, as sensações intensas vividas pelos personagens encontram o público ávido por elas. Se bem que, desde o início do jantar, na casa dos Tounier, o filme ganha diálogos e um jogo de palavras ásperas, que guardadas as devidas proporções, poderiam estar incluídas no célebre Quem Têm Medo de Virginia Woolf?. Se a futilidade da egocêntrica Jeanne Tournier, que nem à filha dedica atenção, contamina a primeira metade, o transbordar de amor retratado pela diva Jeanne Moreau perfaz o que se esperava de Louis Malle. Um belo filme se olhado de maneira diferenciada.