Posts com Tag ‘Alain Guiraudie’

naverticalRester Vertical / Staying Vertical (2016 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O cinema de Alain Guiraudie, novamente, buscando no bucólico sua forma de expressão. No anterior, era ao redor de um lago que personagens interagiam, que o mistério se intensificava. Já, dessa vez, o filme traz um personagem de fora para dentro do universo rural, que vem interagir e movimentar a vida pacata dos moradores, e através dele (O escritor – Damien Bonnard – com bloqueio criativo) Guiraudie redesenha conceitos elementares de sociedade e vida familiar.

Pai e filha pastores de ovelha, um senhor e o jovem que mora com ele numa estranha relação de necessidade e desagrado, fora as viagens fantásticas do escritor para uma misteriosa arvore na floresta. Guiraudie explora amor e desejo, hetero e homossexual, relações de paternidade fora dos padrões, jovialidade e velhice, sempre com sua pitada de mistério, não aquele mistério de que algo pode estar prestes a acontecer, e sim pela incerteza de compreender aqueles personagens. A diferença dessa vez é que na Vertical tem conceitos muito bem fundamentados que esse flerte com o fantástico não encaixam, fora a metáfora do título que Guiraudie tenta unificar tudo nessa única explicação que dá nome ao filme e aproxima-se mais do didático do que o lirismo de Um Estranho no Lago.

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Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

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Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

cesar_2014

A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

cameo• As aparições de diretores de cinema, na tela, em seus próprios filmes são chamados de Caemos. Os mais famosos devem ser do Alfred Hitchcock, mas aqui nesse link temos uma coleção dos Cameos de Martin Scorsese [Imgur]

• Jonah Hill e Leonardo DiCaprio brincando com Titanic e Lobo de Wall Street no Saturday Night Live [Youtube]

• E parece que Jonah Hill e o Saturday Night Live estavam inspirados. Dessa vez, com Michael Cera, uma paródia do filme Ela (Her) [Youtube]

• Curiosidades: um link para saber qual o melhor filme de cada pais, no IMDB, considerando as notas que cada filme [Imgur]

• Jesse Eisenberg como Lex Luthor (bizarro, não?), Jeremy Irons como Alfred. O filme Batman vs Superman vem aí, e com mita polêmica [The Playlist]

• Entrevista com Alain Guiradie, diretor de Um Estranho no Lago [Slant Magazine]

umestranhonolagoL’Inconnu Du Lac (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Intrigante como Alain Guiraudie filma um lago, escondido no meio de uma bosque, de uma forma nada despretensiosa. A vegetação, o chão de pedrinhas, o brilho do sol refletido no lago azul. Os banhistas que ali se encontram por intensões bem mais capiciosas que um breve mergulho. O local escondido se tornou ponto de flerte para sexual casual entre gays, o primitivismo da paisagem e do desejo puro e simples, tratado de forma carnal e mecânica.

Guiraudie filma de forma perene e robusta, a repetição das tomadas oferece contornos mais agudos de comportamentos, sem que seja necessário aprofundamento nos poucos personagens. Quem são ou o que fazem? Pouco importa ao filme. É através de Franck (Pierre Deladonchamps) que se desenrola a trama, seja em seus rápidos mergulhos, entre suas conquistas, ou nos papos com o bonachão Henri (Patrick d’Assumçao), que é atraído pelo local por razões mais profundas que a casualidade sexual.

O clima de suspense é aguçado quando o corpo de um banhista é encontrado no lago, a polícia faz perguntas, todos tão reservados passam a ter detalhes velados expostos, o lago segue os atraindo, mesmo que não seja mais tão seguro (no sentido de seus segredos, nem tanto pela possível violência). Guiraudie nos conduziu às profundezas da paixão, de homens por homens, viris e ainda assim inseguros. Essa dualidade conduz os minutos finais, traz à tona o mais intrigante entre os finais de filme recentes, onde medo e desejo, segurança e cegueira, violência e irracionalidade, acabam convergindo, em poucos instantes, de uma perturbação inquietante.