Posts com Tag ‘Alba Rohrwacher’

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Le Meraviglie (2014 – ITA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Em seu segundo longa de ficção, Alice Rohrwacher permanece com a ótica da sensibilidade feminina. De alguma forma me lembra Sofia Coppola, por incorporar elementos/sentimentos de sua vida/experiência em seus filmes. Aqui ela empresta sua infância, seja a região onde morou, seja o modo de vida da família, ou até mesmo a nacionalidade imigrante do pai.

O patriarca (Sam Louwyck), sujeito durão, mora numa casa cheia de mulheres, suas filhas, a esposa (Alba Rohrwacher), e até sua irmã. Ele, alemão, fala com suas mulheres em italiano, ou francês. Juntos tocam o apiário, de forma artesanal. Tempos difíceis, sob o foco central na filha adolescente, Gelsomina (Maria Alexandra Lungu) – referência a Fellini não para por ai – a diretora italiana cria essa fábula áspera, adocicada não só pelo mel que lambuza as meninas, principalmente pela forma como Gelsomina absorve e observa o mundo. A forma como trata seus sonhos, como a família ajeita, entre as dificuldades (o pai que tenta ser dócil ao sej jeito, as noites de verão em que dividem a mesma cama no quintal).

Gelsomina vive a puberdade, instintivamente busca sua liberdade, a aspiração pelo amor e outros sentimentos caro à idade. Alice Rohrwacher navega pelos turbulentos mares da crise econômica, do brega que domina a tv italiana (Monica Bellucci em aparição de quase uma Iemanjá do Mediterrâneo), e de como essa menina feminina tem que lidar com o mundo agrícola, com seus devaneios, o mundo. A diretora busca a essência da família, sabe-se lá se da sua exatamente, ou não, mas estamos no âmbito familiar, imersos aos olhares femininos que sonham, que fantasiam, e enfrentam a dureza dessa vida.

Bella Addormentata (2012 – ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Marco Bellocchio resgata a polêmica da eutanásia que mobilizou a Itália com o caso da mulher que viveu 17 anos, em estado vegetativo, e o pai solicitou ao governo a autorização para eutanásia. Ele foge do que se poderia esperar de uma biografia/cronologia do caso. Traçando um perfil das pessoas envolvidas em casos semelhantes, mantendo a eutanasia como assunfo enfoque, em cada um dos núcleos, porém dando vida a cada um dos personagens/familiares dos que vivem sob aparelhos.

Com isso surgem romances, crises pai-filha, uma mãe que abdica de sua carreira para estar próxima da filha. Enquanto isso o país católico ferver, os políticos discutem o caso, manifestações nas ruas, uma confusão à italiana.

Fugir do óbvio é interessante, Bellocchio segue por esse caminho, por mais que a irregularidade de núcleos e personagens não permita um desenvolvimento mais interessante à trama. O painel de personagens não se transforma num retrato delicado, nem em sufocante, nem mesmo a questão política, Bellocchio mantém a panela tampada, um filme abafado.

Sorelle Mai (2010 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Durante quase 10 anos o cineasta Marco Bellocchio promoveu uma oficina de cinema em sua cidade natal, talvez suas intenções estivessem contaminadas com outros motivos, já que atores e seus familiares se misturam nas filmagens. Desse projeto, Bellocchio aproveitou-se de cenas de seis diferentes anos e montou uma saga familiar (utilizando sua filha entre os 5 e 13 anos, seu primeiro filho, e suas irmãs solteironas) sobre dois irmãos que partem da cidade tentando a vida em cidades grandes, enquanto o irmão recorre a auxílio financeiro das tias, a irmã deixa a filha sob cuidado das senhoras.

Filme experimental em muitos sentidos, partindo das imagens muito escuras trazendo um aspecto de proximidade com aquela casa antiga, de gente antiga, até essa proposta de misturar realidade e ficção, atores e não-atores, e pequenos momentos que se misturam onde não se sabe o que é o que. Ainda assim, com uma linha narrativa coerente, de uma história que se constrói, e momentos entre humor e o peso na consciência (como na bela sequencia de arrependimento de uma professora que reprova um aluno por estar focada nos sms que troca com seu namorado, ao término do relacionamento). Bellocchio apresenta um filme inventivo em seu formato, e pulsante em sua forma, mesmo que com personagens pacatos que tanto lembram nossos parentes do interior que levam aquela vida serena e cheia de dogmas ancestrais.