Posts com Tag ‘Aleksandr Sokurov’

osegundocirculoKrug Vtoroy / The Second Circle (1990 – RUS) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Se um dos temas recorrentes a Aleksandr Sokurov é a morte, aqui ele nunca foi tão explícito. A morte de um ansião, o filho cuidando dos preparativos para o funeral. Apenas isso, cada passo é vagaroso, com distanciamento invadimos a casa fétida, a pobreza e falta de cuidados, devia parecer a casa de um falecido ainda com ele em vida.

Sokurov sempre buscando aliar cinema e filosofia, até gasta algum tempo com discussões financeiras de quanto custa um funeral, mas seu interesse é outro. Com seu estilo narrativo próprio ele vasculha emoções e o reflexo da morte, flertando com o asqueroso, criando uma atmosfera que vai além daquele ambiente, com o uso do monocromático e do pouco que se materializa diante dos olhos.

Salvai e Protegei

Publicado: maio 29, 2013 em Cinema
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salvaieprotegeiSpasi i Sokhrani (1989 – RUS) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Aleksandr Sokurov utiliza o clássico de Gustave Flaubert como inspiração, sua Madame Bovary tem o ímpeto erótico, porém intimamente ligado a princípios filosóficos. Ela comemora nua com sua criança no colo por ter um amante, aliás fala em francês com seus amantes russos, num tipo de excentricidade que tanto pode ser da personagem, quanto da própria criação de Sokurov.

Se cada um está obstinado na vida há alguma coisa que fugirá completamente de seu livre-arbítrio, o dela é a insaciedade sexual. Naquele que deve ser o filme mais libidinoso de Sokurov, o corpo que desfila nu por quase todo o filme, enquanto pede o ato sexual com uma grande variedade de parceiros, sofre na carne por outras questões que essa saciedade impõe. Em sua interminável duração, Sokurov segue a aproximar seus flames a quadros, jamais vulgariza a exposição dos corpos, mas, sobretudo, cansa com seu vislumbre da heroína sofredora.

Elegia de uma Viagem

Publicado: maio 28, 2013 em Cinema
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elegiadeumaviagemElegya Dorogi / Elegy of a Voyage (2001 – RUS) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um sonho? Um delírio? O rito de uma viagem que nos leva totalmente ao desconhecido, ao inesperado. Pelo conjunto de imagens turvas, tão presente em seus filmes anteriores, Aleksandr Sokurov parte por seu caminho, não se sabe o destino. Há ali uma espiritualidade própria, uma sensação de tocar detalhes da paisagem, a sensação de uma beleza melancólica que esse conjunto de cenas, e tonalidades, provoca.

Um vagão de trem, os carros pela rua, um sujeito balbuciando algumas palavras num bar de beira de estrada. Sokurov vaga pelo abstrato, sempre contemplando a vida, o universo ao redor, até voltar no tempo. Encontra no estrangeiro, mais precisamente no museu Bojimans (em Roterdã), uma pintura de Peter Saenredam, e de tamanha sensibilidade consegue sentir o calor da tinta. Sua poesia triste é quase hipnótica, um barco em falsa deriva.

A Pedra

Publicado: maio 28, 2013 em Cinema
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apedraKamen / Stone (1992 – RUS) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um sonho, um devaneio, a volta ao mundo dos vivos após um tempo distante. Não se sabe ao certo, mas Tchekov está de volta, entre tantas cenas oníricas num branco e preto claustrofóbico, ele se relaciona com um jovem. Como pai, como amante, na figura do grande escritor, esses papéis se confundem enquanto o embate provoca sonolência na grande maioria do público. Sokurov rascunhava o que no  futuro seria sua Tetralogia, abordando figuras por um lado mais primitivo, uma visão particular.

Aleksandr Sokurov continua sua busca pela união da pintura (alguns frames são quadros magníficos) com o som (sejam eles gemidos ou trechos de música clássica), filosofando sobre temas tão complexos quanto próximos da natureza humana. Silêncios, paradas inexplicáveis, adoração por pequenos detalhes (como o tecido de uma roupa que será vestida). Captar todas as nuances dessa presença enigmática é uma arte quase abstrata.

Dolorosa Indiferença

Publicado: maio 27, 2013 em Cinema
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dolorosaindiferençaSkórbnoie Bestchúvstvie / Mournful Unconcern (1983 – RUS) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Começa com um casal dançando, roupas e canção típicas dessa região menos conhecida da Europa. Logo a seguir, alguma imagem de arquivo de George Bernard Shaw (cujo livro A Casa de Orates serviu de inspiração a este filme). Sensação de Guerra ecoa pelo ar.

Não aparenta muito com um filme de Aleksandr Sokurov, personagens excêntricos, fotografia clara e nítida. Mas há o fétido, a morte como um dos temas, além de outras características que ele experimentava nesse início de carreira que depois seria obsessões suas.

Uma mansão com personagens non-sense, enlaces amorosos, promiscuidade, personagens em fuga das tragédias iminentes daquele início de século, vivendo numa espécie de realidade paralela, amendontrados, porém despreocupados. Sokurov está lá provocando a humanidade, dessa vez num outro ritmo, musica e dança, com clara diferença estética, e filosofias metafísicas quase incompreensíveis.

Os Empregos Mais Mundanos

Publicado: maio 27, 2013 em Cinema
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osempregosmaismundanosSamye Zemnye Zaboty (1974 – RUS) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Agricultores na região agrícola de Gorky, na Rússia Central foram o tema do primeiro documentário de Aleksandr Sokurov. Narrado num tom melodramático, tentando levantar a representatividade dos agricultores, o documentário trata das dificuldades de colheita manual de hortaliças e vegetais, nessa terra negra, o processo de mecanização,  as possibilidades de irrigação. Resumindo, o presente e mudanças técnicas para o futuro, não vai além de uma simples apresentação da rotina e realidade.

Aleksandr Sokurov

Publicado: maio 27, 2013 em Perfil
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aleksandrsokurov• Nascido Laeksandr Nikoláievitch Sokúrov, na Sibéria Oriental (região que hoje foi inundada por conta de uma hidroelétrica), viveu em muitos lugares (Polônia e Turcomenistão) por conta da vida militar do pai;

• Cursou história na Universidade de Górki (hoje Níjmi Nóggorod), onde realizou seu primeiro documentário quando trabalhava na emissora de TV de Górki;

• Seu primeiro longa-metragem (A Voz Solitária do Homem) foi rejeitado como projeto de conclusão de curso (Faculdade de Cinema);

• Pesadelo – o cineasta batiza assim os anos em que todos seus filmes eram barrados pela censura, foi só em 1987 que conseguiu exibir A Voz Solitária do Homem no Festival de Locarno (vencedor do Grande Prêmio do Juri) quando das mudanças políticas da União Soviética;

• Foi Andrei Tarkovski (a qual é considerado discípulo, ou apenas um Sub-Tarkovski), quem o indicou a trabalhar num estúdio de cinema e foi grande incentivador de seus filmes;

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• Pintura, música clássica e literatura são fontes de inspiração/adaptação frequentes, aliás, seus filmes formam, muitas vezes, quadros belíssimos (a estética é, sem dúvida, uma de suas grandes obsessões: luz, cores mortas, distorção da imagem);

• Seu cinema é formado, basicamente, de imagens poéticas, inebriantes, quase esfumaçadas, constantemente adepto às sensações e emoções afetivo-familiares;

• Planos longos, ritmo narrativo lento e contemplaitvo, seu cinema intangível e quase inclassificável, os ambientes fétidos. A morte, o poder, a degradação humana, a guerra, são temas bastante recorrentes em sua filmografia

• Ficou conhecido ao mundo com o sucesso internacional de Mãe e Filho de 1996, e depois com a Tetralogia do Poder (Moloch, Taurus, O Sol e Fausto). Entre os principais prêmios estão: Leão de Ouro (Fausto), Melhor Roteiro em Cannes (Moloch). Arca Russa não foi premiado em Cannes, mas causou furor com o único plano-sequencia no museu Hermitage.

• Outros filmes fundamentais são: Pai e Filho, Alexandra e Elegia de uma Viagem.

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Bibliografia: Wikipedia, IMDB, livro Aleksandr Sokurov (de Alvaro Machado)

TOP 10: Sokurov

Filmografia Comentada: 1974 Os Empregos Mais Mundanos | 1978 A Voz Solitária do Homem | 1983 Dolorosa Indiferença | 1987 Elegia Moscovita | 1989 Maria | 1989 Salvai e Protegei | 1990 O Segundo Círculo | 1992 A Pedra | 1994 Páginas Ocultas | 1997 Mãe e Filho | 1999 Moloch | 2000 Dolce | 2001 Elegia de uma Viagem | 2001 Taurus | 2002 Arca Russa | 2003 Pai e Filho | 2005 O Sol | 2007 Alexandra | 2011 Fausto

sokurovnoccbb• CCBB está exibindo o que pode ser a grande mostra de cinema do ano. Grande parte do trabalho do russo Aleksandr Sokurov está sendo exibido nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil. Um dos mais instigantes cineastas da atualidade. [CCBB]

• A cidade de Detroit vai entregar uma estátua do Robocop, não é demais? [AV Club]

• Divulgada informações sobre o novo filme de Apichatpong Weerasethakul [Ipsilon

• Christopher Nolan dirigindo o próximo 007? [IndieWire]

• E para encerrar, o The Guardian fez um resumo da carreira de Carey Mulligan, por fotos [The Guardian]

Faust (2011 – RUS)

E Aleksandr Sokurov fecha sua tetralogia sobre o poder, dessa vez não é um tirano real (Hitler, Lenin ou Hiroito) e sim um personagem oriundo de uma lenda-alemã, ou da ficção (retratado em vários livros, o mais famoso de Goethe), ainda assim Fausto encerra o ciclo de “grandes perdedores das maiores apostas de suas vidas” (segundo suas próprias palavras) oferecendo uma racionalidade absurda à tetralogia. Dr. Fausto, sedento por conhecimento, vendeu sua alma ao diabo (Mefistófeles), Sokurov não deixa nada claro ou didático, não conhece a obra? Melhor correr antes de assistir ao filme porque o cineasta retrata o mundo de Fausto, nos mergulha em seu universo sob conceitos subentendidos, o horror e a fantasia  lado a lado, entre a angústia e fascínio.

O que Sokurov traz é um universo fétido, a primeira sequência é de uma autópsia, intestinos tratados como uma bola de basquete, o odor desagradável quase adentra nossas narinas. O aspecto desagradável de seus filmes está presente desde a primeira cena, essa presença constante do marrom, do verde musgo, por mais límpida que seja a imagem, ela continua densa, negativa. Dr. Fausto e Mefistófeles perambulam pelo vilarejo, ele atende alguns pacientes, visitam um local onde mulheres lavam roupas (e sem pudores ficam nuas), se apaixona. Os dois tropeçam um no outro, se empurram, é um Sokurov filmando em amplo movimento (Mefistófeles com seus problemas físicos, estomacais e tudo mais, nojento e engraçado, dialoga com o Fantasma de Arca Russa), amor, poder e conhecimento, sede do saber, o pacto com o diabo, “temos necessidade justamente daquilo que não sabemos e sabemos aquilo que não sabemos utilizar”, O Fausto de Sokurov é um sujeito perdido dentro de seus fascínios, admirado e descontrolado, alguém que não sabe o que fazer com o que têm, e Sokurov preocupa-se essencialmente com essa sensação, a amplitude de ter o mundo à suas mãos e desabar pela perdição.

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Mãe e Filho

Publicado: julho 7, 2011 em Cinema
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Mat y Sin / Mother and Son (1997 – RUS)

Dor, despedida e carinho. A mãe sofre, aparentemente as dores são terríveis. O cuidadoso filho passa o dia abraçado a ela, carregando-a em busca do sol no quintal, é como se o cordão umbilical ainda os ligasse fisicamente. Aleksandr Sokurov gasta um pouco mais de uma hora com longas tomadas, definhando essa dor, absorvendo essa relação. Diálogos mais que econômicos, enquadramentos que inserem aqueles dois corpos na paisagem. Nada de reviravoltas, discussões, mentiras ou descobertas, são apenas os dois, mãe e filho, e todo o amor nesse momento de despedida, nessa fase de dor latente.

 Não é um filme de se explicar, de se contar, puramente do sentir. O viver aquela sensação de perda, da vida por um fio e um filho abrindo mão de tudo para curtir aqueles derradeiros momentos, a beleza em cada cena está na pureza do sentimento, nesse ar de abrir mão porque o estar ali é o realmente significativo.

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