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O Abismo Prateado (2011) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Tomando por base a fabulosa canção de Chico Buarque (Olhos nos Olhos), o diretor Karin Aïnouz narra um momento dramático na vida de Violeta (Alessandra Negrini). O inesperado rompimento do casamento, via mensagem de voz no celular, desbaratina a dentista. Ela não consegue trabalhar, pensar, cuidar do filho. Único refugio, abandonar tudo, sair por ai, sofrer.

Quem conhece a canção sabe que ela não trata do rompimento, mas de um momento logo a seguir, um pouco mais sereno, que demostra forte afeto, porém uma maturidade para seguir adiante. Aïnouz escolhe a fase traumática, neurótica, e simplesmente mergulha a protagonista na noite carioca (bares, motel, praia, banheiro público). Um universo bem condizente com seu cinema, porém pouco voluntarioso à própria história, seja pela incapacidade dos coadjuvantes da noite fugirem do lugar-comum, seja pela condução quase precária de Aïnouz pelo sofrimento tão dolorido e inesperado dessa mulher. E ainda há as versões da música, populares, distantes da força dos versos de Chico.

(2007) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Julio Bressane seria como o Godard Brasileiro. Seu cinema de culto artístico elevado, de intelectualismo nato, são obras de difícil acesso. Dessa forma construiu sua carreira, e garantiu seu espaço no concorrido mercado internacional dos grandes festivais. Na sua versão da história de Cleópatra, Alessandra Negrini encarna a sensual mulher que encantou os grandes imperadores romanos. Com um sotaque mais que estranho (de quem deseja soar como estrangeira), Negrini exibe uma mulher despudorada, mergulhada em anseios sexuais, e momentos de pura arte.

Sim, estamos diante de uma espécie de arrogância artística, quase um teatro filmado com os enquadramentos de Manoel de Oliveira. A história de Julio César, Marco Antonio e Augusto passa pela alcova de Cleópatra. O Império Romano a mercê da saciedade sexual da musa egípcia e seus amantes. Tudo contado com diálogos chamuscados e um didatismo disfarçado intelectual. Enquanto Miguel Falabella assume Julio César estamos bem, o que vem a seguir são atores tentando imitar o tom do personagem sucessor.