Posts com Tag ‘Alexander Payne’

Downsizing (2017 – EUA) 

Estamos sempre esperando o grande filme de Alexander Payne, seus projetos tem prometido, criado expectativas, mas nem sempre correspondem. Com seu ar de sempre ter uma comédia dramática na manga, seu novo trabalho esteve na competição principal em Veneza, onde passou em branco. E o filme realmente prometia, afinal, há algo tão americano nele, essa ideia de vida perfeita em comunidade, pregando o bem a todos, vivendo em harmonia.

E de quebra, a oportunidade de tratar temas como aquecimento global, superpopulação, e possibilidades de preservar nosso planeta. Lembre-se de Querida, Encolhi as Crianças, e pense em tratar no tema de maneira séria. Um experimento que possa diminuir as pessoas de tamanho, dessa forma gastaríamos menos dinheiro com tudo, produziríamos menos lixo e etc.

O ponto é que o roteiro quer sair dos temas globais para ter algo mais individual, uma maneira de dramatizar e assim ter mais apelo com o público. Matt Damon é quem interpreta o personagem que nos permite invadir esse mundo de gente pequena, e com ele vem suas características dramas pessoais, e os temas são banalizados pela problemática pessoal de um personagem que já vimos zilhões de vezes no cinema. E os temas vão passando, desperdiçados, surge uma oportunidade de ouro quando trata diferença de classes, trabalhadores braçais, e rapidamente o tema se esvai. O que resta? Meia-duzia de personagens que orbitam em torno do protagonista, entre piadas e dramas de uma vida cotidiana, e tão trivialmente individual. Payne nos entrega seu pior filme, saudade do curta dele em Paris, Te Amo.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Competição Principal

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Nebraska

Publicado: fevereiro 14, 2014 em Cinema
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nebraskaNebraska (2013 – EUA)

Ainda tentando entender as verdadeiras razões por trás desse filme, Alexander Payne não deve ter realizado apenas um filme anti-climax, deveria haver algo mais ali. Sua nova comédia dramática tenta ser um filme sobre família, mas não é efetivamente. Um resgate ao passado, reencontro não planejado de amigos e histórias, nisso funciona. Nesse retorno do diretor ao road movie, dessa vez em branco e preto, é todo focado nessa autoreferencia ao passado, ao antigo.

Um idoso (Bruce Dern) teima ter ganho 1 milhão de dólares, e inferniza a família. Um dos filhos (Will Forte) se cansa da teimosia e realiza a vontade do pai de buscar o suposto premio. Poderia ser uma viagem de redescobrimento, ou de aproximação pai e filho. O próprio filho diz isso ao longo do filme, mas não é bem isso. Uma família esquisita frente a frente com a velha história dos interesseiros que surgem quando você está “por cima da carne seca”. Não é uma trama meio banal?

O humor não funciona como nos filmes anteriores de Payne, as piadas praticamente passam bem longe de surtirem efeito, algumas até beiram o ridículo. E dessa forma mergulhamos um pouco no ritmo pacato de uma cidade pequena dos EUA, se Payne buscava um retrato da pasmaceira, talvez seja a única funcionalidade efetiva de seu filme. De resto são teimosias e personagens beirando o caquético.

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Depois de algumas críticas mornas, o filme italiano Salvo foi ganhando elogios e hoje foi escolhido o melhor filme na Semana da Crítica. Nos bastidores, o dia foi de polêmica com as “prostitutas de luxo”, como se isso não existisse em todos os lugares.

Dia também de homenagear o comediante Jerry Lewis. Já entre os filmes na Competição, pintou o favorito (Kechiche), e outro que também entra no páreo (Payne).

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NEBRASKA

NEBRASKANovamente Alexander Payne apresenta um road movie, e novamente dialogando ao tema da velhice. Dessa vez, um senhor é levado por seu filho, para receber um suposto premio da loteria que o deixaria milionário. O premio não existe, mas a viagem representa muito mais do que esse milhão de dólares.

Críticas: TimeOut NYHollywood ReporterUOL Cinema

Termômetro: quero ver

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LA VIE D’ADELE | BLUE IS THE WARMEST COLOR

blue-is-the-warmest-colorOs primeiros tweets de ontem e as críticas de hoje, colocam o filme de Abdellatif Kechiche como o mais elogiado de todo essa edição, por enquanto. Narrando uma relação lésbica entre uma adolescente (Adéle Exarchopoulos) e uma estudante de arte (Lèa Seydoux). Os elogios não param.

 Críticas: IndieWireAV ClubHollywood Reporter

Termômetro: imperdível

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MICHAEL KOHLAAS

michael-kohlhaasNão empolgou o último concorrente frances na Competição Principal. O filme dirigido por Arnaud des Pallieres e estrelado por Mads Mikkelsen, foi comparado a Robin Wood, um criador de cavalos planejando uma vingança naquela época dos confrontos com espadas.

Críticas: Hollywood Reporter – Screen Daily

Termômetro: pé atrás

The Descendants (2011 – EUA)

Alexander Payne não precisou de uma carreira extensa para fixar seu nome entre os destaques do cinema atual, principalmente seus últimos filmes são comédias dramáticas misturando humor (de bom ma gosto) com altas doses de melancolia dos personagens centrais (As Confissões de Schmidt e Sideways). Ambos são quase road movies, e neste novo trabalho a proposta é muito semelhante. Não temos um aposentado cruzando os EUA, nem uma despedida de solteiro pelas vinícolas californianas, mas uma ir e vir pelo Hawaí.

No filme, um advogado (George Clooney) se vê em situação delicada quando a esposa sofre acidente grave e corre grande risco de não sobreviver. De um pai ausente, para o único responsável pelas filhas, o sujeito percebe que não sabe o que fazer nessa posição de pai-mãe. Mas, o roteiro não está interessado nisso exatamente, e sim em manter essa fórmula de divertir usando a melancolia, o drama, por isso vem o personagem do garoto boboca, e outras pequenas situações (como a procura incessante pelo corretor de imóveis) para divertir e aliviar a tensão do público.

Diferentemente dos filmes anteriores, o teor dessa melancolia não encontra o ponto certo, a toda hora o filme busca cortes para paisagens magníficas hawaianas (e trilha sonora também típica da região), flerta com a comédia dramática na decisão dos primos de vender um patrimonio “histórico” familiar, um turbilhão de acontecimentos enquanto o homem quer apenas sofrer sua possível perda e aprender a lidar com suas filhas. No fligir dos ovos, Payne apresenta um filme irregular, que brinca além da conta com coisa séria e leva menos a sério o que deveria, mais um exemplar dos personagens dos filmes indies americanos, aqui sem o excessivo poder loser, ainda assim um pouco além da conta. Ainda assim, há a cena final, simples, corriqueira, silenciosa, e basicamente graciosa.

sideways

Sideways (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um road movie na região vinícola da Califórnia, discursos sobre Pinots e Cabernets, uvas com cascas finas e etc. O cineasta Alexander Payne solidifica seu nome em Hollywood com essa comédia dramática, ele mudou o foco da idade do público, e ainda continua retratando bem as dificuldades da vida. A velhice de seu filme anterior dá lugar à maturidade da vida adulta, e com a mudança, novas crises problemáticas. Os protagonistas sofrem com divórcios, pretendem casar-se novamente, passam por crises profissionais, vivem a solidão e uma frustração recorrente da incapacidade de realizar tudo que sonharam quando mais jovens.

Todas essas características resumem bem Miles (Paul Giamatti), o professor de ginásio, e escritor frustrado, é um poço de amargura e ressentimento, que encontrou nos vinhos uma ótima camuflagem para sua solidão, e seus problemas que se agravaram após o divórcio. Muito mais fácil do que encarar de frente foi fechar-se entre vinícolas e restaurantes, e esperar que sua ex-esposa desejasse voltar.

Jack (Thomas Haden Church) é um ator de TV decadente, uma semana antes de seu casamento, parte com seu amigo Miles, para uma pequena viagem, onde pretendem beber bons vinhos, jogar muito golfe e espairecer. Pelo menos essa era a idéia de Miles, porque os planos de Jack eram de transformar a viagem numa despedida de solteiro, onde sua principal meta era bem clara: transar.

Payne é competente em diversos aspectos, a divisão da tela em vários quadros dá dinamismo a viagem, a trilha sonora segue embalando o filme, o lado cômico é formado por situações pitorescas, mas nada disso funcionaria, se Miles não fosse esse cara tão singular, que pudesse concentrar tantas aguras da vida moderna. Aventura, comédia, drama e romance, em doses a qual Payne diverte seu público com inteligência.