Posts com Tag ‘Alice Braga’

Latitudes

Publicado: dezembro 11, 2014 em Cinema
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latitudesLatitudes (2014) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Projeto trasmídia do diretor Felipe Braga é bem interessante, mais até que a proposta. Foi exibido entre cinema, tv e youtube, com versões diferentes, tamanhos diferentes, mas sempre partindo de um mesmo roteiro. A ideia de unir um casal, em 8 encontros/localidades, explorando as nuances da relação deles com as localidades não funciona tão bem. Por outro lado, é interessante a forma como Braga narra de maneira fragmentada, assim como fragmenta também a formação dos personagens e da relação em si.

Alice Braga e Daniel de Oliveira interpretam o casal que vive de encontros, às escondidas na Europa, entre uma viagem e outra de negócio. Tentam manter ao máximo a vida privada, enquanto lutam e brincam com seus sentimentos. Se falta ao roteiro essa interação com os personagens e as localidades, sobra a explosão emocional e o jogo de conquista entre os dois. Personagens tão independentes, e tão comuns quanto qualquer um.

elysiumElysium (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Neill Blomkamp chegou a Hollywood com seu sucesso em Distrito 9, e o que ele apresenta em sua estreia nos EUA é uma versão amplificada daquelas favelas sul-africanas e do próprio universo de guerra por sobrevivência do trabalho anterior.

Mais dinheiro, astros maiores, e um roteiro com ego mais inflado e faraônico. Matt Damon encarna o herói “imorrível”, aquele que apanha o filme todo, mas está sempre preparado para mais uma luta, outra corrida. Enquanto Damon tenta salvar o mundo, reencontra sua paixão da infância (Alice Braga) e tem ajuda de um nerd lider da rebelião (Wagner Moura dublando sua voz, e é outro em atuação patética).

Eles vivem no planeta Terra, mas queriam mesmo estar em Elysium, onde moram os ricos (como a caricata Jodie Foster). Um mundo perfeito onde todos guardam, na sala de casa, uma máquina capaz de curar todas as doenças do mundo. Claro que os pobre vivem em condições subumanas na Terra e querer ir para lá. O plot interessante, mas Blomkamp e sua turma estragam tudo com excesso de velocidade nas cenas de ação, com atuações absurdamente patéticas, e um heroísmo clichê em níveis radioativos de irritatividade. A decepção vem de todos os lados, da repetição visual de Distrito 9, ao roteiro estapafúrdio.

Cidade Baixa

Publicado: novembro 9, 2005 em Cinema
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Cidade Baixa (2005) 
Uma atualização de Dona Flor e Seus Maridos, à baiana. Num resumo chulo, não passa disso. Com uma roupagem mais moderna, e transferido para o submundo soteropolitano. Além do triângulo amoroso, convivemos com um mundo de exploração sexual, violência, crimes e marginalização. O Brasil sujo que o cinema tanto representa, um submundo de pessoas corrompidas, relações sem escrúpulos e uma intrincada trama de amor.

Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wágner Moura) possuem um barquinho, e sobrevivem de pequenos fretes, acabam oferecendo uma carona para a prostituta Karinna (Alice Braga) e dali surge o romance ardente e conturbado. Os três amam, sentem ciúmes e ainda são obrigados a conviver com a profissão que sustenta Karinna.

Na estréia na direção de Sérgio Machado, há uma preocupação de aproximar o público do submundo, e demonstrar uma vida sem glamour. Uma realidade vai, vibrante, meio encardida. Aquela vida de boteco, de quartinhos cheirando a mofo, aquele mundo que gira nojento em torno dos portos. A vida fácil que o crime aparentemente promete, a briga de galos, as boates e suas dançarinas.

No filme de Machado está explícita a malandragem, mas não aquela romântica. Estamos falando da malandragem da sobrevivência, as brigas de bar com facadas e garrafadas, a experiência marota de fugir de encrenca. A força do filme as interpretações destacadas da dupla de feras do cinema baiano, colocando definitivamente seus nomes no cinema nacional. Cidade Baixa é uma historinha repetidas milhões de vezes, mas dessa vez numa atmosfera suja, bem filmada e sangrando pela tela.