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Tim-MaiaTim Maia (2014) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O cinema nacional segue empilhando grandes personagens desperdiçados em cinebiografias que não vão além do “jogar para a galera”. É a opção pelo caminhao fácil, muita preocupação estética com figurinos, locações, em retratar épocas, e esquecer da essência de seus personagens e cinebiografados. Tim Maia era folclórico, portanto o humor devia mesmo estar impregnado pelo filme, mas não se tornar a única mola propulsora capaz de conduzir sua história, mas é assim que Mauro Lima narra a história do cantor.

Não faltam caricaturas de personagens importantes (como Roberto e Erasmo Carlos), nem pequenos “causos” da vida de Tim Maia. Até mesmo os mesmos mais agudos dramaticamente estão cercados pelo humor irreverente de Tim, mas dentro de toda essa preocupação em encher o público com amizades, amores, brigas e vida mundana, onde está o explosivo Tim Maia das canções, das relações pessoais? Não estava no musical que fez sucesso no teatro, e muito menos no cinema. De tão inofensivo, nem incomodar o filme consegue, fica nas atuações corretas de ambos atores que o interpretam, no humor esticado, e no padrão Globo Filmes de vender tv na telona.

(2011)

O craque maldito, o gênio, o Gilda do futebol carioca (alusão ao clássico personagem de Rita Hayworth), a vida do ídolo do Botafogo nos anos 40 foi vivida intensamente. Charmoso, requintado, elegante, cafajeste, conquistava mulheres com a mesma volúpia que marcava gols e que causava brigas e confusões com colegas de clube. Heleno é o típico personagem movido pela emoção, e essa linha foi a grande aposta do cineasta José Henrique Fonseca. Ele permite toda a liberdade para Rodrigo Santoro explodir em cena, explorar até os excessos essa coisa excentrica e intempestiva, essa fúria acumulada por paixão em tudo que fazia.

Foi seu temperamento que o destruiu, instável, viciado em eter e lança perfume, diagnosticado com sifílis e nunca se tratou, Heleno náo só queria ser o melhor dos melhores, como sua arrogância o fazia crer e com ela sua ruina. Alinne Moraes, Angie Cepeda, as mulheres entram e saem de cena, falta consistencia aos personagens, são coajuvantes de luxo. O roteiro opta pela ausencia de cronologia, fotografia em preto e branco, são sempre elementos interessentes (ainda mais se estamos retratado os anos 40-50 entre cabarets e praias cariocas), só que, temos a sensação exageradamente limpa, o problema principal está mesmo na cronologia.

O vai-e-vem chega a um ponto em que já se conhece toda a biografia e as pequenas lacunas de sua história já foram preenchidas em nossa mente, o ritmo empaca, o filme já cai na redundância, e entre anos no sanatório e as tentativas de retomar a carreira (a passagem pelo Boca Juniors é pouco explorada, por Santos nem citada e pelo América tão confusa que fica impossível entender que se tratou de apenas uma partida). Triste testemunhar o fim melancólico do jogador, mais triste ainda assistir a mais um filme tentando transformar (na questão imagem) um esporte coletivo em individual, com luzes de estrela e todos os holofotes num único personagem/jogador.