Posts com Tag ‘Amy Adams’

A Chegada

Publicado: novembro 28, 2016 em Cinema
Tags:, , ,

achegadaArrival (EUA – 2016) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A grandiosidade de Dennis Villeneuve agora chega ao espaço. Interessante como o cinema americano voltou a explorar ativamente esse gênero nos últimos anos após um curioso hiato. A abordagem do cineasta canadense é existencial, semelhanças facilmente perceptíveis com Arvore da Vida, de Terence Malick, até nos enquadramentos e distancia da camera de sua protagonista (Amy Adams). 

Passada essa primeira similaridade, podemos refletir do quanto Villeneuve busca inspiração em Kubrick e seu 2001 porque é pela incomunicabilidade que a narrativa desenvolve todo seu alicerce. Doze ovnis se espalham pelo planeta, imóveis. No misto de curiosidade e medo, os países se aproximam, tentam se comunicar enquanto participam do jogo diplomático com as demais nações (o que revelar e o que não revelar), ao invés de unir forças. 

A presença extraterrestre fica diminuída a capacidade linguística de desenvolver conhecimentos para estabelecer comunicação. Villeneuve usa como pano de fundo essa preocupação com o coletivo humano, mas realiza seu filme totalmente calcado nas experiências individuais de uma única pessoa (Amy Adams) e seus dramas pessoais a partir do contato com os heptapods. Dessa forma, o clima de mistério e interesse é canalizado na banalização individual quando o desfecho se encaminha.

Nocturnal Animals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Elogiado e premiado na última edição do Festival de Veneza, o estilista de moda, Tom Ford, volta aos cinemas para seu segundo longa-metragem. De cara uma provocação ao mundo onde construiu sua carreira, num primeiro momento, mas que pode ser interpretada de maneira bem mais ampla. Mulheres obesas, dançando nuas, com alegria que modelos magérrimas fariam, expondo seus corpos sem pudores, numa galeria de arte burguesa.

Esse é o mundo profissional de Susan (Amy Adams), tão gélido e elegante quanto os planos que Ford usa e abusa (lindos, porém desnecessárias, frios quando queria ser tão quentes). Com esses planos frios que o cineasta tenta criar o universo sentimental de Susan, a decepção tanto amorosa, quanto profissional, e a estranha sensação de proximidade com o ex-marido (Jake Gyllenhaal) que acaba de lhe enviar seu recém-acabado primeiro romance.

A narrativa se divide, o passado e o presente de Susan se misturam à narrativa da história que o livro trata (uma família brutalmente agredida e violentada numa estrada vazia). O roteiro busca paralelos, de todo modo quer provocar sua protagonista, levar sua autoestima ainda mais ao chão, enquanto isso encena cenas de tensão e violência. Flerta com os últimos filmes de Denis Villeneuve, e cria um desengonçado arquétipo de um filme que tenta ser ácido e definitivo. O todo é de um caos didático que mesmo abusando dos planos fechados e melancólicos de Amy Adams, Tom Ford passa longe de se colocar na posição do cineasta que ele acredita ter se tornado.

batmanvssupermanBatman vs Superman: Dawn of Justice (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O nome de Zack Snyder, desde que foi confirmado na direção, já torceu o nariz de muita gente. Ainda não vi nada dele positivo a ponto de o gabaritar a um projeto desse tamanho, e continuo na mesma. Sim, ele dirigiu o Homem de Aço, e assim como Nolan (produtor executivo do filme) seria um nome natural, desde que os filmes de Snyder fossem bons. São tantos pontos discutíveis, que os fãs dos heróis me perdoem, mas a trama parece tão rocambolesca, e o grande estopim para a criação da Liga da Justiça quase soa como piada. Mas, os problemas mais graves parecem mesmo a total incapacidade dos personagens em criarem identidade com o público, nenhum dos atores parece ter carisma/talento necessário para animar uma torcida que está avida por comemorar até cobrança de lateral.

São personagens tão conhecidos, e ainda assim tomassem liberdades que não descem (principalmente no que se refere ao Super-Homem), ou a preocupação de recontar a história (como no caso do Batman). E Lex Luthor então é o equívoco fatal, porque Jesse Eisenberg nunca consegue escapar do estereótipo do nerd falante (que em nada se parece com Luthor), e esse jeitinho falante destrambelhado não combina com a mente genial e diabólica do vilão.

Snyder continua com aquela tentativa de planos de “filme de Arte” ou algo que se pode tentar assemelhar a Terrence Malick, e tenta pegar emprestado aquele clima grandioso e definitivo dos Batman’s de Nolan. A junção desse todo também não dá certo. A DC tem essa característica meio carrancuda, diferente da Marvel e sua farofa espalhafatosamente divertida, e Snyder mantém o filme longe das piadas, parece a única coisa sóbria (além da luta, em si, entre os dois mega-heróis) que parece correta, de resto, a origem da Liga da Justiça chega como um soturno trem desgovernado, empurrado goela a baixo com altas quantidades de pipoca.

Jim Jarmusch in 1984• Com seu último filme, Only Lovers Left Alive, começando a ser lançado nos cinemas mundiais, vale um resumo da carreira de Jim Jarmusch, em fotos, para quem não se aventurou por seus filmes ainda [The Guardian] e também uma entrevista com o cineasta

• Dia de Estreia nos cinema agora é de quinta-feira! Os apressados podem ver o filme um dia antes, e o mercado acredita que assim terá mais um dia de movimento de fim de semana. Muitos países já adotam a quinta como o dia cadas estreias. Depois do Carnaval já começa a valer [FilmeB]

• Inácio Araujo resumiu o novo Robocop de José Padilha perfeitamente [Inacio Araujo]

• Interstellar, o mais ambicioso dos filmes de Christopher Nolan? Foi o que disse Matthew McConaughey [Uol Cinema]

• Essa semana muito se falou do depoimento emocionante de Amy Adams sobre Philip Seymour Hoffman no Inside The Actors Studio [Indiewire]

• De repente, numa manhã dessa semana, acordei com uma enxurrada de empolgações internacionais pelo trailer de O Guardião das Galáxia. Era para tanto? [Omelete]

• Entrevista com o cineasta palestino Hany Abu-Assad, que já foi indicado ao Oscar com Paradise Now, e novamente está entre na disputa para filme estrangeiro com Omar [Slant Magazine]

• Livro, Gabinete de curiosidades, sobre o universo de Guillermo Del Toro [El País]

Ela

Publicado: fevereiro 3, 2014 em Cinema
Tags:, , , ,

elaHer (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Spike Jonze começa com uma premonição do futuro. As relações humanas tão complicadas e a proximidade com a tecnologia tão acelerada, em qual futuro estaremos nos relacionando com as máquinas? O plot é lindo, solitário (Joaquin Phoenix) se apaixona por um software que fala com ele (Scarlett Johansson). Espaço aberto para a ternura e a melancolia.

Spike Jonze usa de tons de laranja (vermelho também, mas em menor escala) de uma forma que, provavelmente, jamais se fez (só quem teve uma persiana laranja na sala, como eu, sabe do que estou falando). A opção estética traz cores vivas, iluminação brilhante, um confronto oposto a melancólica exacerbada que o protagonista carrega. É lindo vê-lo em estado de graça, apaixonado por aquela voz que parece corresponder a tudo que ele gostaria de ouvir/sentir/viver.

Por outro lado, esse tom melancólico parece uns dois tons acima do que deveria ser, tudo está impregnado dele. Tanto que, aliado a outras características, o que se pergunta é: o quanto esse filme é uma resposta a Encontros e Desencontros (de Sofia Coppola). Jonze e Coppola viveram juntos e após a separação ela gravou o filme.

ela2A teoria é de que Rooney Mara seria a representação de Sofia, e Phoenix e a tradução da própria melancolia de Jonze. Faz sentido, e sabemos bem que é dessa fase de magoas que muitos artistas transcendem a maior de suas inspirações. Mas, falta ao filme de Jonze sentimento. Afinal, ele está apaixonado (mesmo que por um software), a melancolia é tão grande e poderosa que engole tudo, até o final espertinho. E Amy Adams? Fazendo o que ali? Jonze começa bem com sua premonição até morrer envaidecido por sua própria ideia, afinal não encontrou uma forma de fluir.

trapacaAmerican Hustle (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Você dá uma olhada no trailer, nas fotos de divulgação e tem a sensação que David O. Russel realizou um filme cool. A pose ao andar de Christian Bale e Amy Adams (ótimos, mais uma vez), os figurinos lindíssimos, anos 70, a trilha sonora, tudo. Impressão cairá por terra em poucos minutos.

Russel não é Martin Scorsese, mas tenta ser (até DeNiro volta à tona para auxiliar nessa missão). A trama policial lembra, um pouco, os filmes de mafiosos de Scorsese. Entretanto, Russel é puritano, convencional ao extremo, não permite que a sexualidade desabroche naturalmente, ou que o universo golpista dos protagonistas seja romântico (ao menos). Ele julga, condena, e seus personagens estão lá, vivendo em crise com a mulher (Jennifer Lawrence histérica), e completamente amordaçados pelo envolvimento com a polícia (Bradley Cooper).

trapaca2Falta frescor, falta inspiração. É tudo muito lindo de se olhar, mas enfrentar as mais de 2 horas de filme parecem um martírio interminável com tantos diálogos frouxos e romances mal arranjados. Russel ainda tenta manter a verborragia de seus trabalhos anteriores, até a presença de uma família grande, com aquele bando de irmãos tontos é tímida. E por essa insistência que o diretor cria suas próprias amarras, cheio de papos chatos e pretensiosos de falsos falastrões.

homemdeacoMan of Steel (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O povo que veio de Krypton gosta de quebrar uma vidraça. É um empurra-empurra frenético, com vidros dos prédios quebrando por toda Metrópolis (Manhattan, não?). Senti falta mesmo foi da kryptonita, do romance acontecendo naturalmente, dos segredos e do Clark Kent (Henry Cavill) de óculos no dia-a-dia jornalístico. Até da cabine telefônica senti falta. Para algumas dessas questões, o roteiro encontra novas soluções, porém a essência é realmente outra.

A história do homem de aço dirigida por Zack Snyder, como no trailer dava sinais, ganha os contornos definitivos da última fase dos filmes de Terrence Malick. Como se cada momento fosse único, o foco em detalhes que tornam a vida do Super-homem suprema, magnífica, um deus. A trilha sonora vai além até, busca algo épico no melhor estilo Senhor dos Anéis, é tudo grandioso, definitivo, estamos diante do filme dos filmes, do herói dos heróis.

Sobra muita coisa patética, principalmente nas aparições dos dois pais de Clark (Russel Crowe e Kevin Costner). Porém, não é exclusividade deles, só olhá-lo de capa na sala de interrogatório, ou gritando contra o vilão (Michael Shannon) por ter atacado sua mãe, momentos constrangedoras não faltam. E os jornalistas do Planeta Diário então, Laurence Fishburne até relembra seus momentos de Matrix.

A trama tenta se concentrar no conflito de ser alguém tão diferente do restante dos humanos, a busca pelo autoconhecimento, pelo controle de seus poderes, e o se encontrar na vida. Por isso, Clark na adolescência vive as mesmas rebeldias que nós, prefere ser nômade, até a chegada dos visitantes indesejados, até ser descoberto por Lois Lane (Amy Adams) e se tornar o herói mundial. Enquanto trilha esse caminho, desperdiça a chance de conquistar o público, dando lugar ao perfeccionismo impressionante dos efeitos especiais, e um ego inflado do tamanho da força do homem de aço que segura uma estação perfuradora de petróleo, mas não quer matar uma mosca.