Posts com Tag ‘Anaïs Demoustier’

Alice et Le Maire / Alice and the Mayor (2019 – FRA)

Diretamente da Quinzena dos Realizadores, de Cannes 2019, o filme dirigido por Nicolas Pariser é uma comédia dramática política de uma jovem (Anaïs Demoustier) recém-formada em Filosofia que entra para a equipe do prefeito de Lyon, porque ele está sofrendo um bloqueio criativo de ideias.

Entre apresentar um pouco do caos da administração da prefeitura, jogo de egos, mudanças de direção, o filme ainda tenta se estabelecer na vida da própria jovem: vida amorosa, capacidade de sintetizar ideias, ou rapidamente criar uma relação de admiração e ascenção politica sob o prefeito. Tirando o plano-sequencia com sua chegada à prefeitura, o restante varia entre um cinema pouco criativo e uma personagem que agrada sem parecer se encaixar no grupo de personagens que orbitam à sua volta.

La Villa (2017 – FRA) 

Robert Guédiguian é figura constante nas estreias de filmes franceses. Boa parte de seu cinema parece casar perfeitamente com um café para iniciar falando do filme, passar por política e acabar comentando sobre, algo como, seu gato. Tem constante tom de humanismo, diálogos bem redigidos e um sabor de tentar colocar reflexões brandas em seu público.

Aqui temos três irmãos que vem visitar o pai em estado catatônico. Mágoas do passado se confundem com a situação atual de cada um irmãos, que são enriquecidas com as características marcantes de cada um deles (o sarcástico, o que abdicou de tudo para seguir nas tradições e junto ao pai, a atriz deprimida. Guédiguian flerta com o resgate do passado, enquanto tenta trazer questões como velhice e o fim da vida, o tema dos refugiados, a vida burguesa e a nova juventude.

Seus filmes mais recentes não inspiram muito, alguns agradam mais, outros menos, mas todos tem essa sensação meio antiga de um ritual que seria ir ao cinema, e o passeio completo que pode proporcionar. Vai melhor nos temas mais próximos, e apenas arranha, de forma rasa, temas mais complicados como essa desenfreada imigração que a Europa tanto conflita.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Competição

pessoaspassaroBird People (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por vezes você se depara com estes filmes com ar de refrescância. De uma leveza quase irreverente, um trato simples com as coisas do dia-a-dia, sem deixar de lado a busca pelas sutilezas da novidade. Tudo começa no RER que liga o aeroporto Charles De Gaule à Paris. Pascale Ferran capta diferentes viajantes, o contato com o vagão, a chegada ao seu destino, pequenas manias, ou maneiras de fazer passar o tempo.

A seguir, Ferran dá todos os indícios de um filme de tom corporativo, reuniões de negócios, hotel para executivos, um americano à trabalho em Paris. Protagonismo muda para uma jovem que trabalha como arrumadeira num hotel cinco estrelas. O dia-a-dia de limpar os quartos, a briga pelo dia de folga, os colegas imigrantes.

O roteiro une as duas histórias, com um pequeno toque de fantasia, o inexplicável. O executivo (Josh Charles) surta, decide largar tudo: carreira, dinheiro, família (como diria Cazuza). A jovem (Anaïs Demoustier) nos permite flutuar pela vida dele, e de outros hóspedes. Um pequeno recorte do momento daquelas vidas, inclusive da dela, o inusitado trazendo a leveza, um ar de liberdade. Ferran encontra lindos planos, sobrevoa as proximidades do hotel enquanto devassa a vida revirada do executivo.

umanovaamigaUne Nouvelle Amie (2014 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A carreira de François Ozon dava sinais mais promissores do que efetivamente se estabeleceu. A sensualidade nos suspenses (À Beira da Piscina), a predominância feminina nas comédias (8 Mulheres), e o tom intimista nos dramas (O Tempo que Resta) – só para citar filmes produzidos num espaço curto de tempo – passou. Ozon carrega o eclético, como também o irregular. Os temas permanecem (sensualidade, sexualidade, prioridade pelo feminino), a pegada, e a desenvoltura, há tempos não é mais a mesma. Neste novo filme, Ozon lembra Almodovar, porém faz de seu galã (Romain Duris), e protagonista, uma caricatura de um travesti. Aprofundamento raso, a comédia quase avergonhada.

Infelizmente, o filme faz todo sentido na carreira de Ozon, principalmente dentro dessa irregularidade que parece ser a tônica da última década. O cineasta parece o típico nome que goza de prestígio, mas que teima em não acertar mais. O inusitado em ver Duris, vestido como uma diva, se sustenta por poucos minutos. A falta de profundidade só traz uma simpatia marota pelos personagens, e um desenrolar de trama profundamente desinteressante.