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docinhodamericaAmerican Honey (2016 – RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Em seu novo filme, a britânica Andrea Arnold, queridinha do festival de Cannes, mira seus holofotes a juventude nos EUA. De cara, cenas de impacto de miséria e fragelo humano, duas crianças e uma jovem buscando no lixão comida para levarem para casa. A mais velha é Star (Sasha Lane), rebelde e desiludida, que num misto de interesse e curiosidade se aproxima de Jake (Shia LaBeouf) que a integra ao grupo que viaja os EUA vendendo assinaturas de revistas, de porta em porta.

No grupo, abandonando a família em fragelos, a garota demonstra a rebeldia, aliada a curiosidade da juventude em experimentar, descobrir, e também se impor dentro do grupo. Arnold filma imagens de maneira pulsante, mas sua direção é frouxa em conduzir tais personagens para além da rasa critica de uma juventude perdida dentro de uma América tão poderosa, mas que ainda assim deixa seus filhos tão órfãos.

Wuthering Heights (2011 – ING)

A força do vento zunindo pela casa, pela vegetação. A chuva, o som ambiente, o silencio que explica emoções, duas crianças brincando pela terra em molecagens inocentes que trazem uma cumplicidade impublicável. Um Heatchcliff negro, parecia tão óvio, explicaria muito, explicaria quase tudo. Nunca ouvira essa visão da história, desse livro clássico tantas vezes adaptado ao cinema, eis que Andrea Arnold pensou dessa forma.

E se esse detalhe dá ainda mais sentido a trama do garoto mal recebido por sua família adotiva, a cineasta segue fielmente o restante da história do livro. Isso não implica numa abordagem impessoal, sua adaptação vai muito além do simplesmente transpor na tela o amor, a dor e a série de brigas e vinganças.

Todo o rancor de Heathcliff e a decepção de Catherine estão presentes, mas o filme mergulha profundo com o uso contínuo de câmera na mão e planos fechados, a proximidade com a pele dos personagens, Andrea Arnold se debruça nos dois personagens e faz brotar o amor de dois adolescentes que se misturam quase como um só.

A alegria juvenil perde para a desolação, Catherine e Heatchcliff tanto amam que seus corpos sofrem com a separação. Aqui o poder da vingança pesa na carne de Heatchcliff, a dor, a perda, Arnold vem com uma dimensão do pesar que ultrapassa os corpos, atinge aquelas almas separadas pelo preconceito e pelas convenções sociais.