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opoderosochefao3The Godfather, Part III (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

As primeiras cenas resgatam a casa, do filme anterior, abandonada. Folhas secas, vento, móveis empoeirados, solidão. Em poucos instantes, Francis Ford Coppola posiciona Michael Corleone (Al Pacino) em sua nova função social de ex-marido. Ele fracassou com a família, e o filme todo será sobre redenção e a tentativa de reconstruir o vaso esfacelado que se tornou sua vida. Da legalidade dos negócios à reconstituição da harmonia familiar – dentro do que seja possível, já que o divórcio de Kay (Diane Keaton) foi inevitável. A Igreja Católica chega forte como um dos pilares desse terceiro capítulo, é nela que Michael foca seus esforços, o desejo de deixar o passado negro e viver de negócios lícitos. Essa inclinação causa o interesse das demais famílias em entrar no negócio do Vaticano, e a inimizade da máfia italiana que ali estava. Quando mais alto, maior o grau de corrupção humana.

Novamente o filme é aberto com uma festa, Michael condecorado pela Igreja. Mas a primeira aparição em cena é de Connie (Talia Shire), que dessa vez se torna figura central, uma mulher forte, cruel e agora de participação determinante nos negócios dos Corleones. Ela assume a função firme feminina, que no filme anterior era de Kay, mantém a união familiar, mesmo que para isso tenha que definir pela violência. Michael é um homem amargurado e solitário, as tragédias de sua vida estão estampadas em sua tristeza, e a culpa pelo assassinato de Fredo o acompanha eternamente. Os filhos cresceram, Anthony quer ser cantor, já Mary (Sofia Coppola) mantém a doçura e proximidade com o pai, enquanto apaixona-se pelo primo, filho bastardo de Sonny, Vincent Mancini (Andy Garcia) que acaba por se tornar o sucessor de Michael enquanto uma nova guerra entre os mafiosos é iniciado (é assim, os jovens sucedem aos velhos).

opoderosochefao3_2A corrupção do Vaticano, imagino o furor causado pelo roteiro ter acusado o assassinato do Papa João Paulo I (baseado nas inúmeras teorias que cercam o caso). Coppola seguiu firme, provocando a todos e criando cenas antológicas. Continua a presença marcante das laranjas e cavalos nas cenas que precedem mortes, a trilha sonora magistral de Nino Rota (que faz o coração bater forte a cada aparição), e as festas que guardam encontros que desencadeiam as tramas posteriores. A cena da confissão de Michael, em pleno Vaticano, filmada por entre arbustos, o romantismo das mãos dadas (Mary e Vincent) em meio aos pedaços de nhoque, mas nada se compara a longa sequencia de suspense no teatro, tantas tragédias acontecem enquanto a ópera Cavalleria Rusticana encanta o público. Dentro e fora do teatro, os destinos são fechados, até o gran-finale na escadaria e o grito mudo. Falta uma atriz que interpretasse minimamente Mary, sobre a herança dos filmes anteriores, que juntos constituem a maior trilogia do cinema. A trilogia de O Poderoso Chefão é uma novela elegante e brega, magnânima e crítico, essencialmente humana por mais que seja o retrato horrível da crueldade dessa humanidade. O retrato de duas realidades, a do crime organizado e da desestruturação das famílias ao longo do tempo.

quandoumhomemamaumamulherWhen a Man Loves a Woman (1994 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O dramalhão é inevitável. A versão feminina do alcoolismo, com os mesmos predicados. O casal feliz abalado pela dependência, a instituição familiar desestabilizada onde todos passam a sofrer com os males da bebida.  Obviamente que o foco principal está nos relacionamentos entre o casal e as filhas, sofrimento mútuo compartilhado.

O casal é formado por Michael Green (Andy Garcia), piloto de aviões, e Alice Green (Meg Ryan) que trabalha em uma escola. As filhas Casey (Mae Whitman) e Jessica (Tina Majorino), filha de Alice com outro homem. A desconstrução do lar em harmonia, o marido atencioso que viaja muito a trabalho, a esposa que precisa estar “alta” para levar sua vida. Vodca, aspirinas, um acidente.

Michael assume a cada, as filhas, e o apoio incondicional à esposa. É um drama intenso, comovente, tradicional, sempre em prol da adaptação à nova vida. Dirigido por Luis Mandoki, o peso emocional é todo calcado em Andy Garcia, no auge de seu prestígio. Sempre buscando o tom comovente, maduro, heroico, como na cena clichê em que discursa no AA. Drama familiar para emocionar facilmente, preparem os lenços.