Posts com Tag ‘Ang Lee’

Hulk

Publicado: junho 27, 2013 em Cinema
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hulkHulk (2003 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda quebrando a cabeça para entender tantas críticas que recebeu a versão do Ang Lee, para o nosso herói verde. Afinal, até reboot deram na franquia (que também naufragou por enquanto). Os conflitos do personagem estão lá, bem desenhados, desenvolvidos. A questão com o pai, a mutação genética, sua grande paixão (Jennifer Connelly).

A chuva de críticas recaem, principalmente, na questão gráfica. Quando, Eric Bana, sai de controle e se tranforma no Hulk. O monstrengo verde não agradou. Como eu sou daqueles que critico a transformação do cinema em mero espetáculo pirotécnico de efeitos especiais, as possíveis deficiencias foram facilmente absorvidas pelas interessantes divisões de tela que trazem um aspecto de HQ todo especial ao filme.

Ang Lee se utiliza muito do recurso, até brincando com o plano contra-plano, trazendo dinamismo à narrativa, criando uma nova forma de estrutura. Ele também explora uma quase inexistência de vilão (Nick Nolte com cara de Nick Nolte da vida real), antes do filme partir para o(necessário) lugar-comum do cinema de heróis com questionamentos dos governantes e as lutas que destroem Nova York.

Oscar 2013

Publicado: fevereiro 26, 2013 em Oscar
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Viajando em boa parte do mes de fevereiro, fui obrigado a abrir mão de cobrir a repercussão do Festival de Berlim 2013 (que pelo visto não foi animador), e também de acompanhar a reta final das campanhas pelo Oscar. Por isso, sendo o último da fila, faço aqui meus comentários sobre a premiação, e, dessa forma, podemos começar 2013 por completo.

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E Oscar é igual carnaval, o próximo começa assim que termina o anterior. Já surgem as primeiras especulações sobre possíveis candidados. Sendo que os filmes nem finalizados foram, entre eles está a nova adaptação de O Grande Gatsby. O que quero dizer é a importancia das estratégias dos estudos e das campanhas de marketing (quase lavagem cerebral) na cabeça dos votantes. Esta última edição começou a pegar fogo no Festival de Veneza, e logo a seguir, com o Festival de Toronto.

Em Veneza, O Mestre foi aclamado, amado, dado como o grande filme do ano, e, dessa forma, o vencedor do Oscar. A inexplicável decisão do juri tirou o Leão de Ouro do filme para lhe dar outros dois prêmios. Mas, o fato é que, os americanos não entraram na do filme de Paul Thomas Anderson, perdendo tanta força que só conseguiu 3 indicações nas atuações.

A seguir estreiava no Festival de San Sebastian, Argo, e o filme de Ben Affleck foi recebido de maneira morna, tratado como um thriller competente (e é exatamente o que o filme é, nada além disso). Não se falava no filme porque com O Mestre caindo os holofotes se dividiam entre Kathryn Bigelow e seu A Hora Mais Escura – sobre a morte de Bin Laden. O musical de Tom Hooper, Os Miseráveis (que  ao estreiar foi tão detonado que afundou rapidamente), e Lincoln, de Steven Spielberg, que já surgia como provável vencedor.

Lincoln foi recebido com boa bilheteria, A Hora Mais Escura nem tanto. Mesmo a veneração dos americanos por Lincoln não conseguiram emplacá-lo totalmente rumo a consagração. Por fora surgia um desses filmes menores, O Lado Bom da Vida, de David O Russel que já conseguira algum destaque com o Vencedor. Outros nomes surgiam para completar a lista, mas, no fundo, os filmes naufragavam por suas fragilidades.

Oscar 2013 - Ang Lee (melhor diretor)

Já havia sinais de que não seria um Oscar de grandes filmes, mas Lincoln parecia absoluto, imbátivel, aquele filme com cara de Oscar. Os outros estudios no corpo a corpo do maketing, e eis que Argo ganha um premio aqui, outro ali, Lincoln vai sendo esquecido, perdendo terreno, surge o Globo de Ouro e as indicações ao Oscar. Ben Affleck não entra na lista de melhor diretor, Lincoln tem 10 indicações, e a fabulosa qualidade técnica de A Vida de Pi, de Ang Lee, também o colocam entre os que mais foram indicados (nesse ponto, A Hora Mais Escura já se tornará carta fora do baralho).

Analisando os indicados, se podia perceber que não havia um filme unanime, tanto que o estrangeiro Amour, de Michael Haneke, emplacara 5 indicações (incluindo filme e diretor). Que a fabricação de Indomável Sonhadora como filme sensação surtira efeito (após seus premios em Sundance e Cannes), tendo conseguido até ser indicado como diretor. E que, os Irmãos Weinstein são bons de marketing, afinal foram 8 indicações para a comedinha romantica O Lado Bom da Vida. Ainda tinha Tarantino, mas se ele nunca consegue grandes premios, não pareciaque as polemicas de Django o fariam virar o jogo dessa vez.

Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway, Christoph Waltz

Na noite do Oscar, ninguem tinha duvidas quanto a Argo, na reta final ele ganhara todos os premios, e descartando a possibilidade de Amour, os demais filmes nem pareciam melhor que ele (relembrando que é um thriller competente, só isso, imagine os demais). Assim como a vitória certa de Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway, a polarização entre Jessica Chastain e Jennifer Lawrence para atriz (Chastain tem feito por merecer nos últimos anos, mas no fundo, nenhuma das duas mereciam). Diretor e ator coadjuvante se colocavam como as grandes questões abertas da noite, e realmente surpreenderam. A lista de diretores não parecia ter grande vencedor, todos apostavam em Spielberg, herança da expectativa que se tinha com Lincoln, mas deu Ang Lee (que ganha seu segundo oscar de direção, e nunca melhor filme, enfim, preferiram alguém que conduziu a parte técnica, e sem atores, fez um filme mais que chato.

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E, dessa forma, se foi mais um Oscar, cheio de premios previsíveis, nem sempre optando pelo merecimento em detrimento às campanhas. E, como umas das piores festas dos últimos tempos, seja pelo apresentador fraco, seja pelo inexplicável resgaste do musical  Chicago, a incoerencia das canções (algumas cantadas, outras não), e pelos clips preguiçosos e sem inspiraçao (maior exemplo o desperdício na homenagem de 50 anos do James Bond). Hollywood sofre são mega estrelas, ainda vive das que marcaram os anos 80 e 90, e isso reflete nessas tentativas loucas de mudar a noite de premiação, e assim, atrair maior ibope.

A Vida de Pi

Publicado: dezembro 29, 2012 em Cinema
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avidadepiLife of Pi (2012 – EUA)

Agora foi a vez de Ang Lee se render ao cinema 3D, não surpreende já que sua filmografia tem trabalhos muito focados na plástica visual (como O Tigre o e Dragão), e o universo de animais, oceano e nuvens, oferece a Lee um conjunto de cores e possibilidades que realmente se tornam um desfile de imagens magistrais.

Mas o cinema ficou só nisso? Prender o público assistindo um adolescente e um tigre, sobrevivendo num bote em alto-mar, com muito colorido e um pouco de fantasia, por duas horas, é realmente o cinema que o público deseja? Ang Lee não consegue ir além do vislumbre visual, o personagem é chato, as lições de moral, superação e fé, são didáticas e batidas. Sobra técnica e computação, falha na essência, no contar uma história de forma atrativa, interessante, e pessoal.

Brokeback Mountain (2005 – EUA)

Primeiramente começamos com o inusitado, os caubóis são um irretocável símbolo da masculinidade e virilidade nos EUA, ao se conceber uma história de amor entre dois caubóis, ainda mais nesse momento em que o país é governado por um presidente ultra-conservador (para ser apenas superficial), é no mínimo uma grande afronta àqueles que são os manda-chuvas do planeta. Mas esse é apenas um contexto histórico, vamos ao filme propriamente dito que é o que realmente interessa.

Um amor proibido. Cada vez mais acredito que somos nós mesmos quem criamos barreiras para que esse amor permaneça proibido, nos tornamos incapazes de fazer com que nossa vontade prevaleça, caímos na armadilha da infelicidade. Sejam motivos de preconceito, ou familiares, morais, religiosos, da sociedade, não importa, é mais fácil nos encolhermos dentro de nossa insignificância a enfrentar e fazer prevalecer aquilo que sentimos por dentro. Não há amor proibido, há regras para que um amor não seja possível.

No filme, durante a década de sessenta, dois caubóis se apaixonam enquanto cuidavam de um rebanho de ovelhas na Montanha Brokeback. Depois não conseguem assumir seus sentimentos, pudera, imaginem só a situação se ocorresse agora, naquela época então. Voltam a suas vidas, casamentos, filhos, infelicidade. Buscam uma maneira de viver esse amor com o passar dos anos, momentos de fuga da solidão e das aguras que a vida lhes reserva.

“Até domingo”, uma frase que aparentemente deveria ser corriqueira, doeu como um golpe fulminante em Alma, ver a alegria de uma criança estar estampada no rosto do marido, despedindo-se para uma pescaria, logo após ela ter presenciado ele beijando um outro homem. Com a filha no colo, ela chora compulsivamente, o público interage, sofre junto, aquele “até domingo” não doeu apenas nela, mas em todos nós que nos colocamos por um segundo em sua pele.

É um filme muito mais do que delicado, mas uma delicadeza que não nos impele de ter certeza que se trata realmente de dois caubóis, um amor e não uma anomalia. Ang Lee é a razão de ser do filme, porque esse tecido delicado necessariamente precisaria de mãos capazes de manuseá-lo sem que perdesse seu encanto. O que mais me chama a atenção, é que excluindo o inusitado da trama, o filme não passa de uma comum história de amor impossível, ou melhor, não passaria porque Ang Lee demonstra uma força incrível para tratar de um tema em especial de uma maneira que até então eu não tinha conseguido encontrar.

Ele trata o lado mais profundo da solidão. Porque há o estar só e o se sentir só, mesmo que acompanhado (isso pode se referir ao amor, mas também amizade ou família). Esse segundo ponto da solidão é tratado de maneira sublime, é como se depois de terem experimentado aqueles momentos juntos, os dois não pudessem encontrar beleza em mais nada na vida, um eterno sentimento de solidão, nada mais tendo graça. Só quem já foi apresentado a essa faceta da solidão sabe do que estou falando, Ang Lee foi genial ao construir lentamente essa percepção, com o transcorrer da história se ganha ainda mais ênfase nesse ponto. Seu filme não passaria de um western gay caso ele não apresentasse esse tema com tanta sabedoria. A solidão corrói por dentro, estar só com alguém ao lado é das piores sensações que se possa sentir.

Ennis Del Mar (Heath Ledger) Jack Twist (Jake Gyllenhaal) Alma (Michelle Williams) Lureen (Anne Hathaway) Joe Aguirre (Randy Quaid)

O Banquete de Casamento (The Wedding Banquet / Hsi Yen, 1993 – TPE)

Ang Lee fez um filme divertido, a situação por si só já é causar um leve sorriso, e por se tratar de um filme desse cineasta, consegue escapar de grandes clichês para privilegiar alguns momentos levemente dramáticos. Mas o filme sofre de um grande mal, o feito para exportação é um defeito crescente nos filmes que desejam atingir o mercado ocidental. Está tudo arranjado, o roteiro é todo voltado para uma melhor diluição das platéias.

Morando em Nova York, um chinês bem-sucedido mantém um relacionamento de cinco anos com outro homem, obviamente às escondidas de sua família. Seus pais estão afoitos para ganharem rapidamente um neto, e para apaziguar a família o casal gay decide forjar um casamento com uma chinesa que precisa do green card para continuar nos EUA. Só que para ser uma comédia, é claro que nem tudo sai como planejado.

É aquele tipo de humor leve, mas com esse apelo homossexual torna-se um filme um pouco diferenciado por possuir cenas de beijos entre homens, pro exemplo. Talvez Ang Lee quisesse tentar quebrar as barreiras do preconceito, fazer um filme com apelo mais familiar, mas duvido que essa intenção foi realmente conseguida. Pouco importa. A graça do filme está mesmo em Wei-Wei e em seus “futuros sogros”, são eles que conseguem o tom certo de humor, carinho e respeito que toda essa relação remete.

Pena que a cultura chinesa seja exposta de maneira glamourizada, havia muito mais a se aprender com o filme, mesmo assim há bastante a se abstrair. Os amigos esbanjam humor e irreverência naquele banquete de casamento, e principalmente no quarto de hotel, inesquecível noite de núpcias. Depois de cinco mil anos de repressão sexual…

Wai-Tung Gao (Winston Chão) Andrew (Dion Birney) Wei-Wei (May Chin)

otigreeodragaoWo Hu Zang Long / Crouching Tiger, Hidden Dragon (2000 – Taiwan/HK) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O filme em que Ang Lee definitivamente conquistou o mundo, após grandioso sucesso nas bilheterias. E também tornou a tradição Wu Xia, em destaque como cinema de ação chinês de plástica visual indescritível. Os grandes mestres samurais, a submissão das mulheres e o amor. As lendas chinesas e os figurinos luxuosos dão toque especial, aliados à fantástica fotografia onírica de Peter Pau.

A trama tem o grande mestre de artes marciais, Li Mu Bai (Chow Yun-Fat) decidindo se aposentar. Ele pede a sua amiga, Shu Lien (Michelle Yeoh) levar sua espada (Destino Verde) a um grande amigo em Beijing. Mas a espada é roubada pela jovem Jen (Zhang Ziyi), filha do governador. A temida Jade Fox (Pei Pei Cheng) está disfarçada, há anos, na casa do governador, e ensinou as técnicas de luta de Li Mu Bai para Jen. E além da espada, há ainda o roubo do livro sagrado e a morte do mestre de Li Mu Bai.  Fim da aposentadoria, Li Mu Bai precisa recuperar a espada e vingar seu mestre

Entre esses personagens, há ainda significativos desenlaces amorosos, mas é no visual fabuloso que Ang Lee impressiona e ficará marcado. Sequencias de luta em que os combatentes deslizam no ar, o corpo todo trabalha nas coreografias ensaiadas. As lutas na floresta são de um bom gosto ímpar, o verde das folhas das árvores, o vento, e o contraste com o rosto da bela Zhang Ziyi. O hipnótico promovido por Lee expõe ao mundo o cinema chinês num patamar pouco conhecido, e extremamente deslumbrante. Entre lutas e amores, e as milenares tradições chinesas, a espada mudará o destino e a moral dos personagens.