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A Blast (2014 – GRE) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Syllas Tzoumerkas é outro expoente do cinema grego, outro que expõe a grave crise financeira grega, o caos social, o desespero. A estranheza, tão presente nessa safra recente, dá lugar ao frenético. A montagem é desconexa e acelerada, a cronologia do tempo embaralhada, o vai-e-vem causa confusão, enquanto a histeria de personagens ajuda a completar o caos arquitetado por Tzoumerkas.

Maria (Angeliki Papoulia) é a mãe de três filhos, desesperada, que trabalha no mercadinho da família, enquanto o marido vive como marinheiro. O roteiro é implacável com essa mulher, dividas astronômicas de impostos, mãe na cadeira de rodas, um marido que vive do amor livre, o cunhado que prega o partido Nazista (um dos mais importantes da Grécia).

Literalmente o caos, e Tzoumerkas não cansa de acrescentar novos elementos para enlouquecer a histéria de Maria. Uma da cenas mais chocantes é numa lan-house, a válvula de escape sem a necessidade que a intimidade necessita. De tanto caos, o diretor perde o controle de sua metralhadora e a tragédia-pouca-é-bobagem toma conta do desespero desse filme caótico.

dentecaninoDente Canino (Kynodontas / Dogtooth, 2009 – GRE) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A proposta é radical, a estrutura incômoda, o diretor Yorgos Lanthimos cria um estudo sobre o ser humano sem grandes interferências externas para, a seguir, apontar as transformações após grande dose de “interferência”. Pai e mãe optam por uma educação radical, numa casa afastada da cidade criam os três filhos, completamente distantes do contato de outras pessoas.

Nesse universo familiar tão próprio eles criam regras que deixam os filhos ingênuos e infantilizados (mesmo já tendo adentrado a juventude). Ensinam significados diferentes às palavras que o casal considere ofensivas, zumbis tornam-se flores amarelas. E também mantém a rigidez da educação sexual até seus limites (até o momento em que o pai paga para uma colega de trabalho para satisfazer as necessidades físicas de seu filho).

Dentro dessa casa sem perspectivas, trancafiada de segredos e humanos reprimidos, há sim certa harmonia, um prazer em saborearem o tempo em família, e uma curiosidade vã que parece incontrolável ao ser humano. Como proposta é interessante, como realização nem tanto, até pela necessidade de mecanização de movimentos, pela falta de diálogos minimamente interessantes e a atmosfera trágica que parece contaminar cada plano. Sinceramente, não conseguia assistir ao filme sem parar de pensar no caso daquele austríaco que trancafiou sua família toda no porão por anos e mantinha relações sexuais com filhas gerando novos filhos completamente alheios ao mundo.