Posts com Tag ‘Anjelica Huston’

Crimes and Misdemeanors (1989 – EUA)

Duas histórias, uma carregada de veia cômica é protagonizada pelo cineasta (Woody Allen), casado, que sonha em fazer um documentário com um professor de filosofia. Só que, sem dinheiro há um bom tempo, aceita dirigir um doc-retrato de seu cunhado (famoso dramaturgo na TV). Nasce um triângulo amoroso, por um lado o charme do arrogante cunhado (Alan Alda), por outro a conexão intelectual do cineasta fracassado, entre eles a produtora (Mia Farrow) entusiasmada nos depoimentos do professor de filosofia. A outra história traz a carga dramática, um oftamologista (Martin Landau) sofrendo pressão permanente de sua amante (Anjelica Huston) para largar a esposa e se casarem. De que forma se livrar daquela aventura mal planejada? Depois a dor do peso pela decisão tomada.

O primor do texto é algo realmente hipnótico, Allen discorre questões de relação humana numa série de seqüências de alto requinte. Personagens e situações (cômicas ou dramáticas) permeados por um tom de classe, a elegância tanto no sarcasmo da relação entre cunhados, quanto na nuvem negra que pesa sob a cabeça do médico cuja consciência parece pesar mais que sua cabeça pode suportar. É um filme que carece de revisões constantes, há coisas ali que podem mexer com sua mente a cada nova fase da vida. Porém, há uma característica em praticamente todos os filmes de Allen que aqui fica mais evidente, sua fraca direção de atores não extrai deles seus melhores momentos ou cenas de forte impacto (e aqui Martin Landau fica devendo), os filmes de Allen primam sempre pela genialidade nos textos (principalmente em off ou falados com alvo direto no público e não entre personagens), os alter-egos são sempre geniais, mais por repetirem os trejeitos do próprio Allen, é verdade que algumas atrizes (como em Maridos e Esposas ou Hannah e Suas Irmãs) têm atuações destacáveis. Mas, minha impressão é que Allen se preocupa com o texto minuciosamente e depois filma de maneira “preguiçosa”.

The Royal Tenenbaums (2001 – EUA) 

A consagração em seu terceiro longa-metragem. Wes Anderson já havia sido bem recebido pela critica com Três É Demais (Rushmore), e agora repete os elogios e conquista seu púbico com essa excentricidade dominante. Desde o formato dividido em capítulos como num livro, passando por seus personagens esquisitos, mórbidos e desembocando no humor negro, e num certo grau de ousadia do roteiro co-escrito por Owen Wilson, sempre a excentricidade como figura capital.

No centro de uma familia de prodígios está o patriarca inescrupuloso, o advogado Royal Tenenbaum (Gene Hackman). Os três filhos, um deles adotivo, demonstram talentos natos para as finanças, artes ou esportes, quando crianças. Após ser desmascarado pela família, Royal é obrigado a deixar a casa e se afastar. Mais tarde, completamente falido, descobre que sua esposa Etheline Anjelica Huston) pretende casar-se com o contador. Royal planeja retomar seu lugar na família, inventando uma doença terminal, e desse modo, acabando também com seus problemas financeiros.

A genialidade infantil foi perdida entre problemas familiares e desencontros amorosos, cada um a seu modo, vive amargurado, solitário, ou melhor… perdido. Aquela capacidade precoce foi canalizada para uma tristeza explícita e cíclica. Wes Anderson imprime, com muita personalidade, o astral de seus personagens, vai além disso, todo o pesar e sofrimento são ressaltados com maquiagens, cores de móveis e paredes, direção de arte em sintonia total com a melancolia presente. O humor negro, Anderson descontrói o mito do american way of life, de maneira caricata e abusivamente esquisita.

Gene Hackman brilha, apoiado num elenco de peso, em atuações sob medida ao tipo de cinema que Anderson tenta criar. Mas é uma narrativa calcada numa visão tão nerd de mundo, numa simetria estética que se contrapõe as cores berrantes. Vale, além da corrosiva critica à sociedade americana, a questão dos problemas psicológicos encontrados em  talentos infantis que não se concretizam quando adultos. São inúmeros os casos de adolescências perturbadas e brigas entre familiares gananciosos. Macaulin Calkin está aí para não me deixar mentir.

Os Imorais

Publicado: setembro 15, 2002 em Cinema
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osimoraisThe Grifters (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da época em que Stephen Frears ocupava posição de destaque no cinema comercial. O início é delicioso, os três personagens principais introduzidos, simultaneamente, dividindo-se a tela em partes iguais. Lilly Dillon (Anjelica Huston) trabalha, há muitos anos, para um mafioso, sua função é apostar em cavalos com o dinheiro sujo do chefe. Seu filho, Roy Dillon (John Cusack), dá pequenos golpes, com sua agilidade e perícia, conseguindo ganhar uma boa grana. Os dois não se vêem há anos, desde que Roy fugiu de casa para seguir sua vida. Entre eles há Myra (Annette Bening), uma malandra de carteirinha, namorada de Roy, e sem nenhum pudor em se vender em troca de algum favor.

Num de seus golpes, Roy é descoberto e agredido. Após um forte golpe no estômago, sente dores, mas não dá grande importância. Lilly decide, finalmente, reencontrar o filho e sai a sua procura. Encontra Roy em péssimo estado, e ao chegar ao hospital é diagnosticado com uma grave hemorragia interna. À primeira vista, Os Imorais pode ser interpretado como um filme basicamente sobre vigaristas e seus golpes, mas o roteiro audacioso vai muito além disso, retratando relacionamento tão complicados entre estes protagonistas. Myra planeja um grande golpe, e quer ajuda de Roy. Lilly quer se livrar da máfia, desviando parte do dinheiro apostado. John Cusack e Anjelica Huston estão muito bem, especialmente a última cena entre eles. Annette Bening irrepreensível, ela é quente, sexy, alegre e maquiavélica, e Frears soube explorar essa beleza do auge. Mesmo sabendo que Myra não vale nada ela, conquista qualquer um num show de charme e malícia.

afamiliaperezThe Perez Family (1995 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Segundo filme nos EUA da cineasta indiana Mira Nair. Como todo imigrante, ela tem um olhar diferente sobre a América, por isso a escolha do tema imigração ilegal viria bem a calhar. México e Cuba são os vizinhos com maior influência desse fenômeno migratório. De Cuba, todos os dias milhares de pessoas fogem em pequenas e precárias embarcações, rumo aos EUA. A esperança, é claro, é de alcançar futuro melhor.

Sob tom de comédia, Nair expõe os alojamentos improvisados, as dificuldades em arrumar emprego, a discriminação, a prostituição, e demais mazelas sofridas pelos cubanos. Com esse tom, esquece de mostrar o mais interessante, optando por situações descabidas, um mero romance fraco e sem graça.

Juan Raul Perez (Alfred Molina) é um preso político em Cuba que consegue a liberdade após 20 anos de reclusão. Sua esposa Carmela (Anjelica Huston) e sua filha Teresa (Trini Alvarado) moram nos EUA e aguardam, ansiosas, sua chegada. Na embarcação em que Raul viajava, ele conhece a faceira Dottie Perez (Marisa Tomei). Após alguns desencontros eles fingem serem casados para não perderem o abrigo provisório e o direito de entrar no novo país.

Enquanto Juan procura sua família, Dottie arma suas confusões para garantir sua permanência no abrigo. Carmela desiludida por não encontrar seu marido começa a flertar com o agente do FBI, Pirelli (Chazz Palminteri). Juan vai morar numa igreja junto sua suposta esposa e outros supostos parentes. Triângulos amorosos arquitetados, só resta Marisa Tomei esbanjando graça e sensualidade.