Posts com Tag ‘Anne Dorval’

Reparer Les Vivants (2016 – FRA) 

Indicado a melhor roteiro no César e integrante da Mostra Horizonte, do Festival de Veneza, o novo filme da diretora Katell Quillévéré muda completamente a rota, da leveza dramática de seu filme anterior (Suzanne), para o peso do drama familiar que enfrenta tragédias e nova esperanças. De um lado a fatídica morte de um jovem, de outro a possibilidade de recuperar a vida com um transplante de órgãos.

Quillévéré cria a falsa leveza nas primeiras cenas, um acidente de carro quase hipnótico, para a seguir tratar da dor da perda dos pais, enquanto, em paralelo, corre a história de uma mãe que nem subir as escadas sozinha consegue e precisa, desesperadamente, de um coração. Não deixa de trazer à tona o sempre importante tema da doação de órgãos, mas não precisa gastar mais de vinte minutos vislumbrando um coração batendo, durante uma operação de transplante. Se perde num drama banal, para um tema tão urgente.

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mommyMommy (2014 – CAN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Depois de assistir a horripilante estreia do garoto prodígio, que Cannes tanto adora, achei por bem passar bem longe da carreira do jovem canadense. Colecionador de muitos deflatores, e alguns admiradores, Xavier Dolan segue sua carreira, e com este (que é seu quinto filme) ganhou o Prêmio do Juri (em Cannes, dividindo com Godard, vejam só). Pois bem, acabando quebrando o “boicote” e voltando a esse Dolan “mais maduro”.

A palavra é afetação. Dolan não conseguiu perder a afetação, muito menos a necessidade de colocar demais de si em seus filmes. É a mesma relação umbilical entre mãe e filho, excêntrica, dramática. Dessa vez, há a inserção de uma nova mãe (a vizinha), balanceando os dois desajustados, trazendo ares de harmonia ao caos que impera naquela casa.

Dolan brinca com o tamanho da janela, grande parte é projetado em 1:1, impressão de planos ainda mais fechados nos personagens, ainda mais penetrante, em alguns momentos volta ao tamanho mais “padrão”, brinca nesse vai-e-vem como uma criança com brinquedos novos, e que não sabe com qual brincar primeiro. A presença das música, é tudo visceral, ou tenta ser. O cineasta consegue extrair boas interpretações desse trio que beira a esquizofrênia (o garoto é violento, impulsivo), mas é muito exagerado (afetação), além da necessidade de poesia, na sensação de liberdade no longboard (que chega a ser falada para ficar clara ao público), seja nos silêncios e choros. Dolan não aprendeu a dosar os elementos, claramente se parece com uma tentativa de versão de moderna de Os Incompreendidos, de François Truffaut, com Oasis e ópera pop italiana. É só outro filme afetado.