Posts com Tag ‘Anne Hathaway’

Colossal (2016 – EUA) 

A premissa soa inusitada. E não só ela, porque o filme dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo mistura a narrativa indie (aquela típica de Sundance) de dramas pessoais e personagens losers, com monstros gigantes (sim, algo como o Godzilla). E me pergunto, porquê não? Até ai tudo bem, o que mais buscamos é o novo, o inusitado. Pois bem, o resultado… bem, o resultado são outros quinhentos.

Vigalondo nunca abre mão dos preceitos desse cinema indie americano mesmo, nossa protagonista (Anne Hathaway) surge desempregada, à beira do alcoolismo e ganha um pé-na-bunda do namorado (Dan Stevens) nada mais indie americano, não é? Ao voltar a sua cidade natal, e reencontrar antigos amigos, estranhos monstros aparecem em Seul. Só que o filme dá uma guinada ainda mais forte no lado dramático de seus personagens, algo entre o vilão e o politicamente incorreto. Fragilidades como ciúmes e aceitação se tornam armas nas mãos de vilões, e o que parecia ser um filme divertido, nunca se sustenta como sua proposta se colocava. E a decepção pode vir como um tombo de uma altura ainda maior do que as expectativas prometidas.

InterestelarInterstellar (2014 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Chistopher Nolan não se conteve com dominar Gotham City, ou penetrar nos sonhos e mudar completamente as vidas dos que dormiam, o diretor precisava de mais, o planeta já não era o bastante para sua mente megalomaníaca (palavras de quem gosta de seus filmes, e muito em muitos deles). Nolan partiu para o espaço, a salvação da humanidade em outra galáxia, vamos abandonar a Terra (esgotada) e transferir a humanidade para outra localidade.

Vejo uma mensagem clara em sua Ficção Científica, ele mira em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, mas o máximo que ele consegue atingir é um episódio, bem longo, e caro, de Doctor Who. A questão verossímel da história, o excesso de explicações para o público médio que só compra o que entende, nem me parecem o maior dos problemas. O filme é fraca dramaturgicamente, começando por como o fazendeiro (Matthew McConaughey) volta a sua vida de astronauta, passando por todo o drama de deixar a família pelo “bem da humanidade”, os ensinamentos de livros de autoajuda do cientista da Nasa. Resumo, o bolo é esburacado, deformado, q beleza gráfica apenas repete Gravidade, mas já perdeu o sabor de novidade.

Dessa forma, essa gigante nave espacial orbita pelos cinemas de forma meio desajeitada, nem tão ruim quanto parecem, porém incapaz de se movimentar, e escapar, da própria teia que o roteiro usa para aprisionar seu público. Tentar emplacar Anne Hathaway no Oscar é quase uma piada de mau gosto, Nolan parece incapaz de domar sua própria ideia, de tão grande que ela se tornou. Depois do espaço, quais as fronteiras que poderão contê-lo?

osmiseraveisLes Misérables (2012 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O poder da visão crítica de Victor Hugo sobre a diferença entre classes sociais, na França do século XIX, passou longe, mas muito longe. A direção de Tom Hooper apenas se apodera da fama do musical que fez sucesso estrondoso no teatro, mundo afora. De forma irregular, alongada, melodramática e cansativa. A primeira hora só não é totalmente entediante por duas cenas, a da fábrica e a apresentação da população miserável, de resto apenas a ladainha do início da caça, de uma vida.

O inspetor de Russel Crowe (pior cantor do planeta?) passa anos na captura do assaltante faminto (Hugh Jackman), Hooper desperdiça a miséria, privilegia a richa. Por essa disputa passam outros personagens, da vida execrável à novos vultos da Revolução Francesa, o amor jovem e pueril e aproveitadores baratos. São duas horas desperdiçadas entre canções pouco empolgantes (destaque para o solo de Anne Hathaway que lhe valerá o Oscar), até a chegada da questão política, os rebeldes civis lutando contra o governo.

Nesse ponto se apresenta , mesmo que timidamente, o conteúdo que Victor Hugo trouxe ao mundo, o desfile de coadjuvantes doando sua vida à uma causa, lutar por ideais. Mas o sofrimento é tão árduo para chegar nessa parte (tão regular), que o esforço nem vale a pena.

The Dark Knight Rises (2012 – EUA) 

Nada na carreira de Christopher Nolan se compara, em grau de grandiosidade, com este terceiro capítulo da saga de Batman (dizem ser o último, mas ficaram tantas questões e possibilidades abertas que fica difícil acreditar que seja mesmo o fim). O tom é de definição, de eloquência, tudo é faraônico. A história recomeça oito anos após o filme anterior, Gotham City (imagino eu nunca foi tão assumidamente NY) se tornou uma cidade pacífica, Batman desapareceu (até por falta de necessidade), o ricaço Bruce Wayne vive recluso.

Intrigas político-economicas e um vilão bombado, Bane (Tom Hardy), são as armas de Nolan para retomar o caos em Gotham. Mas como disse, dessa vez a gradiosidade é ilimitável, guerra civil e explosões por cada canto da cidade são apenas algumas das artimanhas poderosas do filme. A verdade é que o filme tenta não perder o folego, nesse quesito o som (e a trilha) são fatais, criando situações-climax a torto e a direito (principalmente nas revelações finais). Parte do público nem se contém, tamanha vibração.

Ainda há espaço para a sensualidade com Anne Hathaway numa irresistível mulher-gato (por mais que nunca seja batizada assim), e também para sequencias dramáticas exageradas, carregadas, realmente fracas (e nisso, a comparação com o Coringa de Ledger torna ainda mais sofrível tais cenas. Marion Cotilard e Tom Hardy, coitados). O desfecho parecia perfeito, Nolan estava prestes a fazer um golaço, mas peca um pouco depois da explosão-crucial, cria história onde não precisaríamos e perde a oportunidade de fechar com coragem essa trilogia.

Um filme de super-herói que pretende ser “humano”, fora das possibilidades tecnológicas, que deseja acreditar em superação, em insistir no sombrio e apostar na moralidade, Nolan vai muito bem quando enlouquece com cenas de ação impressionantes, e se enrola nos meandros da história.

Um Dia

Publicado: julho 26, 2012 em Uncategorized
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One Day (2011 – EUA)

Tanto se fala que “o livro é melhor, o livro é melhor”. Mas, afinal, quando não se fala nisso? Lone Scherfig sai do requinte de uma ingênua garota apaixonada por um galanteador e um mundo de descobertas fascinante (Educação), para a ingenuidade de um amor guardado para o momento certo. Realmente é uma visão lindamente romântica de uma história, imagine se na vida real pudéssemos encontrar alguém com quem teríamos grandes chances de dar certo, mas aquele não é o timing certo porque um (ou os dois) precisam viver outras coisas para que não se destrua uma relação tão promissora.

Toda a história é baseada numa data, 15 de Julho. Cronologicamente acompanhamos o status da relação entre Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess), desde a noite de formatura em 1988 (quando os dois quase transam) até meados dos anos 2000. Amizade, amor reprimido, idas e vindas. Eles um burguês bon-vivant e conquistador, ela uma reprimida e sonhadora, com desejos de se tornar escritora.

A relação desengonçada, tanto pelas características psicológicas dos personagens (eles tem aquela coisa de diferenças que se completam, a vivacidade frente a responsabilidade, o não pensar no amanha frente o mundo de sonhos), quanto pela quebra de narrativa retomando a cada ano e deixando tantas arestas, não permite que Scherfig vá além de um romance açucarado com grandes sinais de clichê. Sobra intenção e falta realmente aquela capacidade de inspirar.

Love & Other Drugs (2010 – EUA)
 
Poderia soltar o verbo só por conta da personagem de Anne Hathaway, porque esse é um personagem interessante, rico em nuances, as vezes carregado em clichê, sempre presente com um sorriso encantador e a energia cativante da atriz para nos aproximar daquela jovem enfrentando suas limitações diárias devido a toda carga dramática proporcionada pela doença (assunto tratado de maneira honesta). Mas é um filme de Edward Zwick, e mais cedo ou mais tarde a coisa vai sair dos trilhos, é inevitável, e realmente sai.

Se bem que essa comédia romântica, por mais que prefira o humor boboca (e nisso um personagem conquistador e bobalhão como de Jack Gyllenhaal cai perfeitamente) tem seus predicados ao tratar da indústria farmacêutica, do universo dos propagandistas e do grande boom com o lançamento do Viagra. No mais é aquela coisa, um romance que nasce, uma separação, um amor avassalador e uma cena de declaração de amor… definitivamente, a segunda parte é de um excesso de clichês que naufraga com qualquer coisa que o filme tenha construído, ainda assim sobra Hathaway brilhando sob um Gyllenhaal apático, principalmente na cena chave.