Posts com Tag ‘Anthony Hopkins’

hitchcockHitchcock (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na caricata visão oferecida pelo diretor Sacha Gervasi, os produtores de cinema são aqueles homens durões cujos diretores expulsam dos sets. Ao invadir, não só, toda a história das filmagens de Psicose, mas principalmente da vida do casal Alfred (Anthony Hopkins) e Alma (Helen Mirren), Gervasi abre as portas a universo riquíssimo da curiosidade humana – o por dentro da coisa.

É a figura de Hitchcock tão repleta de charme, e suspense, a capaz de dosar humor e toda essa deliciosa curiosidade por trás do mito, de seus métodos, e de como um filme pode se tornar um clássico – mesmo contra tudo e todos. Porém, o diretor prefere perder tempo com a amizade de Alma e um escritor – mote para o ciumes de Alfred. O adentrar as intimidades do casal oferece um quê de ingênuo, a ponto de transformar o mestre do suspense num garoto mimado.

Por outro lado, há a cena do banheiro, que ganha ares de ator coadjuvante na trama (talvez mais importante que Scartett Johasson), com seu clímax na primeira apresentação nos cinemas. Enfim, é um filme de momentos, principalmente pelo humor hitchcockiano, mas de um todo tão raso e tolo que a biografia não faz jus à curiosidade que o bonachão desperta.

360 (2011 – ING/AUT/FRA/BRA)

O pecado é a obviedade, e ela está tão concentrada no roteiro de Peter Morgan (inspirado livremente numa peça teatral de Arthur Schnitzler) que realmente parece um filme de Morgan, com uns toquezinhos modernos do Fernando Meirelles e sua trupe. Enquanto o roteirista se mostra obcecado pela ideia de que “quando encontrar uma bifurcação, escolha um dos lados do caminho”, e contecta pessoas do mundo todo, sempre com o sexo como mote. Meirelles brinca de split-screen, de espertos movimentos de câmera, e cortes dinâmicos nos diálogos.

A fluidez de Meirelles até consegue tornar o tom palatável, já a história envolvendo prostituta eslovaca, traições, estuprador sofrendo tentação e uma série de outros percalços não vai além de uma eterna redundância que precisa ser justificada com diálogos e cenas que expliquem o que já está tão óbvio.

No fundo, nos tornarmos testemunhas de histórias que pouco nos interessam, clichês da vida moderna conectados para mostrar que estamos tão ligadas que o destino de um, depende do outro. É uma premissa frágil se não temos atração por aqueles personagens e seus dramas de cores tão pastéis. Vidas sem brilho, filme sem emoção, por mais que haja certo clímax na relação tensa criada no aeroporto (envolvendo Maria Flor e Ben Foster). Mas é pouco, e no final, ainda teremos mais doses desse mantro moral sobre tomar um caminho (e mudar o destino dos demais).

You Will Meet A Tall Dark Stranger (2010 – EUA)

A rede de personagens e complexidades que Woody Allen consegue emaranhar em seus filmes chega a ser absurda de tão bem tramada, é verdade que alguns de seus filmes travam nessa mesma capacidade de criar complexidade e riqueza de características, já em outros a trama flui deliciosamente. Aqui temos um homem mais velho que trocou o casamento por uma vida de luxo e prazer (aquela que ele gostaria de ter aos 30, e eu, honestamente não tenho), a esposa trocada apega-se às visões de uma cartomante enquanto sua filha trabalha numa galeria de arte e vive um casamento desgastado com um escritor fracassado, de um único sucesso. O escritor vai se apaixonar pela mulher na janela, a esposa pelo chefe galanteador, e os encontros e desencontros amorosos seguem na temperatura Woody Allen, sempre regados a diálogos enrustidos de verdade homéricas, enquanto certa dureza em algumas interpretações (além desse requinte do texto) não permite doses exageradas de emoções. Entre o que há de mais introspectivo e as explosões raivosas, temos uma nova comédia desse homem que sabe brincar com seu público, que sabe conduzir um diálogo, e sabe mexer em alguns temas relacionado às relações humanas (a filha explodindo quando decepcionado por uma escolha da mãe, ou o olhar do escritor admirado pela bela moça loira na janela, são coisas admiráveis). E não se engane pelo título em português, que mal traduzido além de perder a piada contida no filme, assim faz referência a uma comédia romântico estilo Drew Barrymore.

outonodepaixoesAugust (1996 – ING) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

 Inevitável a tentação de comparar, quando temos, por exemplo, duas adaptações da mesma obra. O livro de Anton Chekhov foi transformado em Tio Vânia em Nova York (por Louis Malle), onde se percorria o último ensaio de uma companhia teatral, antes da peça entrar em cartaz. Já neste aqui (com roteiro de Julian Mitchell) a história é transportada para dentro de sua realidade, e a locação na fazenda no País de Gales enriquece pelo aspecto visual criando o habitar desses personagens, a formalidade nas vestimentas e a riqueza dos objetos.

Só que a comparação entre os filmes em momento algum é benéfica para Outono de Paixões. Falta intensidade e emoção, peca pelo que o outro tem de sobra, a atmosfera. De longe, Anthony Hopkins parece um apaixonado pelo texto, assim para afagar seu ego deve ter decidido dirigir e atuar a adaptação. Seu efeito é um filme levemente penso para o lado de seu personagem.

Sua atuação não chega a ser afetada (no sentido figurado da palavra) ou espalhafatosa, mas essa centralização tira foco de outros personagens e prejudica a confecção do angustiante momento sentido por cada membro da família. São amores não correspondidos, sentimentos negativos e cheios de rancor guardados nos corações, são pensamentos individualistas e egocêntricos.

A grande ajuda ao filme é o ótimo texto de Anton Chekhov, são personagens tão ricos que qualquer construção, mesmo irregular, promove ritmo agradável e cenas intrigantes. Falta a Hopkins tato em perceber que é um filme sem atores principais, onde cada personagem divide a história em partes assimétricas. Faltam aos atores paixão, ouvimos o mesmo texto e não se consegue pactuar de que se trata da mesma história, onde foram parar aqueles instantes sufocantes do filme de Malle?

The Silence of the Lambs (1991 – EUA) 

O último filme a levar os cinco principais do Oscar (filme, direção, ator, atriz e roteiro), se tornou um ícone do cinema dos anos 90. É um dos exemplos do quanto os vilões são mais interessantes que os mocinhos, afinal, trazem características mais marcantes, muitas vezes insinuantes. Foi com esse filme que a tela grande conheceu o Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), o astuto e renomado psiquiatra serial-killer, praticante de canibalismo e outras práticas abomináveis. Adaptação do livro de Thomas Harris, o filme foge do padrão de desvendar quem é o assassino, a tônica aqui é outra. Lecter já está preso e o FBI tenta obter ajuda dele para pegar outro criminoso através de uma das mais promissoras alunas da escola de recrutas do FBI.

Clarice Starling (Jodie Foster) passa a visitar Lecter em sua cela de monitoramento 24 horas. O psiquiatra desenvolve uma curiosa relação de interesse pela moça, e cria um jogo psicológico, onde ele dá informações em troca de informações da própria vida de Clarice. Esse é o grande trunfo do filme a relação e disputa de poder entre Foster e Hopkins, o clima de suspense psicológico habilmente administrado pelo diretor Jonathan Demme. A relação de Lecter com Clarice é intrigante, um amor fraternal, sua personalidade Lecter fascinante, talvez seja um dos mais completos e aterrorizantes vilões do cinema. O terror está no olhar de Hopkins, que mesmo trancado e vigiado, transmite medo inigualável à jovem Clarice, a ponto de deixar qualquer um assustado na cadeira. O tempo o tornou um clássico, um dos grandes filmes de todos os tempos, talvez nem fosse para tanto, mas é sim um filmaço de tirar o fôlego.

ofantasticomundododrkellogThe Road To Wellville (1994 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Biografia do excêntrico médico inventor do cobertor elétrico, da pasta de amendoim e do corn flakes não poderia ter sido pior contada pelo diretor Alan Parker, mesmo contando com um elenco de estrelas. O tom de comédia sem graça, com pequenas histórias paralelas que pouco se relacionam, são alguns dos fatores que atrapalham a trama, que tem como centro nervoso a clínica criada pelo Dr. John Harvey Kellog (Anthony Hopkins).

O vegetariano Kellog fundou uma clínica para tratamento de males estomacais e intestinais. Lá utilizava métodos e estranhas invenções para a cura dos doentes. Entre as exóticas invenções do doutor, nessa clínica, está aquela que marcou seu nome, o corn flakes, que seu irmão industrializou. A história descamba com a chegada à cidade do vigarista Charles Ossining (John Cusack) que veio para criar uma fábrica de corn flakes patrocinado por sua tia. Enquanto isso, Will Lightbody (Matthew Broderick) vem com sua esposa (Bridget Fonda) para ser tratado na clínica. Outra vertente dessa história é a do filho adotivo, e problemático, do Dr. Kellog, George Kellog (Dana Carvey).

A comédia sem noção se divide entre as peripécias de Charles para criar a fábrica, as rebeldias de George, as confusões no tratamento de Will e as experiências de sua esposa com um médico espertalhão, personagens caricatos, humor barato e constrangedor. Uma das maiores bombas do mundo.