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 Wer Wenn Nicht Wir / If Not Us, Who? (2011 – ALE)

O diálogo com o filme O Grupo Baader-Meinhof é automático, voltamos a viver os anos 60 na Alemanha, a revolta contra o imperialismo americano e a Guerra do Vietnã. O documentarista Andres Veiel estréia na direção sob uma visão levemente lateral do grupo revolucionário, o foco de seu filme inicia-se pelo editor/escritor pacifista Bernward Vesper (August Diehl) e praticamente segue como a biografia de um casal. Dos tempos de faculdade, da relação com o pai (escritor Nazista), até o início do (conturbado) relacionamento com Gudrun Ensslin (Lena Lauzemis).

Aliás, pouco-a-pouco, Bernward vai saindo de foco e dando espaço a Gudrun, mas Veiel insiste em tentar manter a biografia dos dois e assim deixar de lado Andreas Baader apenas como um líder revolucionário que inicia um caso com Gudrun. Dessa forma torna-se um filme torto, enquanto Vesper parte para a loucura enquanto escreve seu best-seller inacabado Die Riese (A Viagem), Gudrun parte para a luta armada e mergulha na relação com Baader. Aliás, o Baader-Meinhof nem chega a ser mencionado. Trata-se filme de fácil acesso, camuflando fatos históricos e até a real importância dos personagens em suas próprias vidas, visão parcialmente do mundo de Berward Vesper.

 

Finalizando os filmes vistos na V da Jornada do Cinema Silencioso (cada vez mais oferecendo sessões com acompanhamento musical).

Garras de Ouro (Garras de Oro, 1926 – COL)

Panfletário é pouco para o filme dirigido por P.P. Jambrina. Talvez seja o filme-denúncia mais ofensivo e direto do cinema. A história rocambolesca sobre o editor do jornal The World acusado de calunia após uma reportagem sua contrária a reeleição de Roosevelt por ele ter traído um tratado internacional com a Colombia. Entre paixões e detetives, tudo não passa de um puro joguete para longos intertítulos acusando a Yanquilândia (nome genial para terra do Tio Sam) do golpe que tomou o Panamá da Colômbia, por interesses comerciais no que no futuro seria o Canal do Panamá. Seu valor histórico coloca-se muito maior que suas parcas qualidades cinematográficas.

 

O Quadro de Oswaldo Mars (Il Quadro di Osvaldo Mars, 1921 – ITA)

O quadro Salomé do, até então inexpressivo, pintor Oswaldo Mars (Domenico Serra) torna-se sucesso entre jornais e a classe aristocrática. Rumores correm envolvendo um suposto romance entre ele a Condessa de San Giusto (Mercedes Brignone). A história é trágica, o pintor aparece morto após a visita da condessa (que pretendia tirar satisfações por ter sido “retratada”), e obviamente ela se torna a grande suspeita do crime. O diretor Guido Brignone não consegue um desenvolvimento perfeito da trama, o roteiro parece curto e o filme esticado, repetitivo entre reuniões no castelo e o escândalo no tribunal. Sensação de que havia a idéia para um desfecho interessante, e só.