Posts com Tag ‘Anton Yelchin’

Cymbeline (2014 – EUA) 

Tragédia shakespeariana adaptada aos dias atuais. O cineasta independente americano, Michael Almereyda, já havia filmado Hamlet, com Ethan Hawke, e repete a dose, com um extenso elenco de famosos aos adaptar Cymbeline (que tem, facilmente reconhecíveis, traços de Romeu & Julieta). Manter o linguajar formal do século XVII, inserindo no mundo dos celulares e gangues de motos é tarefa complicada. O risco de parecer pedante, das interpretações exageradas, são características complicadas para transpor ao cinema atualmente. E Almereyda, realmente não consegue escapar da armadilha que seu autodesafio criou. Seu filme de intrigas, um quê de poesia em cada diálogo, romances e amores desiludido,s tem o sabor de uma velharia com roupa moderna. Além de aproveitar alguns de seus personagens e acabar refém da limitada Dakota Johnson no papel da mocinha romântica e indefesa.

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salaverdeGreen Room (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Desde sua exibição em Cannes, o novo filme de Jeremy Saulnier parecia ganhar ares de novo cult. Banda de punk rock metida numa grandes enrascada, acaba presa numa sala verde. Violência, drogas, a luta pela sobrevivência. O cineasta americano cria um suspense com doses de crueldade vistas em muitos filmes de terror. Tenta se aproveitar do ambiente para criar o claustrofóbico e assim subverter a sensação de suspense.

É uma pena que não há previsão de lançamentos nos cinemas do Brasil, faria sucesso num circuito restrito. Assim como é uma pena que a escolha do elenco possa entregar quem ficará para o último arco da trama. Fora isso, Saulnier é bem competente em trabalhar com a história que vaga entre o bizarro e o natural, até porque nada daquilo parece completamente impossível, ainda mais por essa visão marginal que se tem do mundo punk. As artimanhas do roteiro visando trazer personalidade a cada personagem (a entrevista, e a volta dela num momento crítico da trama) servem como referências, mas também não resolvem a questão de uma naturalidade pouco sufocante, clima esse que a todo momento o filme tenta buscar.

Porto

Publicado: outubro 28, 2016 em Cinema, Mostra SP
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portoPorto (2016 – FRA/POL/POR) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um dos bons exemplos das possibilidades que o cinema oferece, ao se fugir dos padrões normais de estrutura e narração. Ainda em seu segundo longa-metragem, o primeiro de ficção, o brasileiro radicado nos EUA, Gabe Klinger, oferece um pequeno prazer cinematográfico. Garrel, Cassavetes, Nouvelle Vague, não faltam referências que possam ser destacadas. Mas, há algo além que deve ser muito creditado a Klinger também, mesmo que seja nos personagens nem tão encantadores, e até problemáticos, de alguma forma. Seja na forma como expõe o amor fugaz com truculência e aspereza. Seja apenas por encontrar no balbuciar, muitas vezes, uma forma de expressão (diálogo).

A cidade de Porto filmada em esplendor. Noturna, romântica e iluminada, e ainda posicionada como um terceiro personagem, que se oferece de palco, para um (des)encontro infortúnio de um casal quase improvável. Os personagens praticamente presos, como reféns da narrativa, que embaralha a cronologia e os mantém ali, incapazes de seguir adante no tempo, orbitando no espaço que permite ao público flutuar pela atmosfera, e pouco importar com o que veio antes  ou depois. Basta ver Jake (Anton Yelchin) e Mati (Lucie Lucas), e esse conjunto de cenas embaralhadas, que dão cabo de contar um romance tão irracional.

oexterminadordofuturo5Terminator: Genisys (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Partimos da máxima que desde James Cameron a franquia nunca mais foi a mesma. Pudera, da ideia original, a partir de um sonho de Cameron, à criação da figura icônica do Exterminador (Arnold Schwarzenegger), criou-se uma das franquias milionárias de Hollywood. A ideia inicial vai de encontro a um dos grandes temores da humanidade (que já vem desde 2001 de Kubrick), a inteligência artificial fugindo de nosso controle. De quebra, gerando uma guerra entre máquinas e humanos, com direito a viagens no tempo para mudar o futuro dos fatos. Outro aspecto importante dos filmes é de marcarem suas épocas, tanto tecnologicamente, quanto em estilo. O primeiro é tão anos 80, o segundo pega muito da vibe Guns N’ Roses, que tomava o mundo do rock (presente na trilha sonora).

Cameron teve ainda a grande sacada de transformar o vilão apavorante do primeiro filme, em novo aliado de Sarah e John Connor. O Exterminador passa a defendê-los contra exterminadores mais modernos, Schwarzenegger vira o ícone que já se projetava. Mas, Cameron pulou do projeto após o segundo filme, e os seguintes não estão à aultura. Porém, eles mantem a estrutura dos personagens, e percorrem épocas, sem perder a linha lógica, que havia sido arquitetada. No primeiro o exterminador vinha aniquilar a mãe (Linda Hamilton) do futuro líder da rebelião, no segundo o alvo era John Connor já adolescente. A cada volta no tempo, pequenas mudanças no futuro.

O terceiro capítulo foi dirigido por Jonathan Mostow, mesmo sem brilho, ainda Schwarzenegger, o único remanescente. A dominação da Skynet foi adiada, não solucionada, a guerra efetivamente começou. O quarto capítulo (A Salvação) transforma realmente John Connor (Christian Bale) num soldado, longe da fragilidade que Cameron pregava. Dirigido por McG, ainda mantém a base sólida dos Connor’s e Kyle Reese (Anton Yelchin). Dessa vez é a vida de Reese que precisa ser protegida, a saga vai transformando a figura de John Connor como a única salvação da humanidade. Os dois últimos capítulos se apresentam mais genéricos como filmes de ação, vivendo apenas da herança de história deixada, ainda que consigam manter a chama do charme dos personagens.

A cada novo filme, as expectativas de uma grande “bomba” se renovam. Nenhum deles chega a esse status, mesmo após mais de 30 anos. Alan Taylor é o diretor do quinto episódio da franquia, e mantém a escrita. Schwarzenegger volta, com explicações para seu envelhecimento, mas a questão central é outra. Ainda que siga a linha lógica (e cronológica da saga), inclusive retomando cenas e acontecimentos do primeiro filme. Há uma quebra no tripé Sarah-John-Kyle, não só na mistura da trama (à la De Volta para o Futuro 2), mais efetivamente na estrutura mocinhos e vilões. De resto, Taylor repete a incapacidade dos filmes, que não tiveram Cameron, em não renovar, muito menos ousar. Outro filme de ação típico, que sobrevive do resgate dos primórdios da franquia. O público vai seduzido pela memória afetiva, e encontra outros atores, quase os mesmos personagens, máquinas e explosões, só que com interpretações pífias e a tentativa de transformar “Get Out” no novo jargão imortal que “I’ll be back” ou “Hasta La Vista” se tornaram.

LikeCrazyLike Crazy (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Chegando com atraso ao filme que levou a consagração de Drake Doremus, onde ganhou o prêmio de melhor filme da seleção principal, fica o sabor de olhar para o início de carreiras consolidadas. Veja o exemplo da coadjuvante Jennifer Lawrence, ainda era um papel pequeno, atualmente ela é protagonista na indústria do cinema.

O romance doloroso do cineasta Drake Doremus coloca de um lado as impossibilidades de conter um amor, e de outro as barreiras das leis que regem os vistos de permanência pelo mundo à fora. Felicity Jones e Anton Yelchin são os protagonistas que se equilibram entre a explosão do coração, e o início de suas carreiras que se solidifica.

Doremus filma com doçura, delicadeza, muitas vezes carrega no tom melado amoroso, em outras aprofunda-se nas crises e dores do amor. Há cenas bem construídas como o encontro no café, ainda na fase de flerte, com a câmera se dividindo entre eles (distantes) e uma coluna. Mas, o que de mais interessante o roteiro capta é essa necessidade psicológica de preencher com amores vazios, que talvez nem existam. A coisa de uma história que precisa de um ponto final, Doremus leva às últimas consequências, desperdiçando coadjuvantes, mas nunca perdendo o tom urgente do verossímil.

BuryingtheExBurying the Ex (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Haja condescendência e boa vontade com o novo filme de Joe Dante. Após 5 anos sem filmar, o diretor de Gremlins, volta com uma trama adolescente, trash B, daquelas que podem facilmente povoar a programação da tv aberta, nas madrugadas sem audiência. Nem tanto pelo espírito, muito mais pela preguiçosa forma com que conduz seu filme. Flerte ao humor dos filmes de Judd Apatow, com a pegada de sangue, nojeira e zumbis que faz a cabeça dos fãs de filmes de terror. No meio disso, romancezinhos complicados e atores fraquíssimos que fazem da experiência de reencontrar Dante, um gosto pouco animador.