Posts com Tag ‘Antonio Campos’

Christine (2016 – EUA) 

Os filmes do brasileiro radicado nos EUA, Antonio Campos, ainda seguem inéditos no circuito comercial brasileiro, foram exibidos apenas em festivais. Esse terceiro longa-metragem consolida sua carreira de maneira sólida no circuito indie americano. Após dois trabalhos com foco na juventude americana (Depois da Escola e Simon Killer), vira algo suas atenções a história verídica da jornalista Christine Chubbuck que tirou sua vida, frente às câmeras, em prol da audiência e em protesto a ferrenha busca por ela.

Importante lembrar que no mesmo ano foi lançado o documentário de Robert Greene, Kate Plays Christine, e com suas semelhanças e diferenças, o todo apresenta um interessante estudo do caso. Se o deocumentário aproveita um pouco do sentimental e apenas expõe os fatos, é o filme de Campos e a boa interpretação de Rebecca Hall, quem oferece uma perspectiva mais irracional da jovem jornalista, suas perturbações pessoais e decepções em sua luta por crescer na profissão.

Cai como uma luva a reinterpretação dessa personagem em tempos de feminismo tão voraz, durante os anos 70, uma mulher de quase 30 e tão independente e decidida é mais outra possibilidade de retomar as bandeiras do mundo igualitário, ainda que o filme passe a justificar as decepções e o final trágico com suas manias e dificuldades de se relacionar em sociedade, logo ela que brigava por matérias criticas ou com cunho social, muito além da simples guerra sangrenta pela audiência.

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simonkillerSimon Killer (2012 – EUA/FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Antonio Campos, filho de brasileiros, nascido em NY, volta a abordar jovens com algum tipo de transtorno emocional. A violência fora de controle, em jovens, é uma espécie de obsessão em sua carreira. Tanto em seu longa anterior (Afterschool), quanto nos curtas que dirigiu, Campos realiza estudos da natureza humana desequilibrada, absorvida pelo meio e as facilidades que a violência pode proporcionar.

Simon (Brady Corbet) viaja a Paris após o término de seu relacionamento, escreve e-mails a sua ex, sofre até encontrar consolo no sexo. É nítido o quanto Simon está sob pressão, seja no esbarrão de um imigrante na rua, ou na falta de jeito com que se encontra com a prostituta (Mati Diop), que se torna sua namorada. Campos segue absorvendo o clima e os cenários com seu estilo, que lembra Michael Haneke no trato da imagem, com a câmera que se movimenta como uma testemunha ocular, sempre pronta a focalizar um detalhe, que pode ser nada, mas sempre aparecenta ser definito.

A história mete os pés pelas mãos em sua metade final, as fragilidades de Simon e dela são quase primitivas, o interessante mesmo é a forma como Campos narra isso tudo. A Paris suja, marginal, o foco no incomum (a nuca de Simon pela rua, a cama enquadrada numa altura que a torna o objeto principal das cenas), e um garoto mimado que descobre sua fúria como forma de libertação.

phoenix-snl• Começando os Links da Semana um pouco diferente, com música e tv. E mais precisamente para aqueles, que como eu, gostam da banda Phoenix. Os franceses estão com disco novo (ótimo) na praça e agora, caiu na rede, a presença deles no SNL – Saturday Night Live [Pitchfork]

• E se falamos na banda, aproveitando o gancho para destacar o novo filme da esposa do vocalista… ok, se voce não sabe é Sofia Coppola. A Gangue de Hollywood tem previsão de estreia no Brasil em 12 de Julho [AdoroCinema]

zulu_cannes• A lista mais aguardada do ano ainda não saiu, o Festival de Cannes guarda a sete chaves os títulos que farão parte do principal festival de cinema do mundo. Mas, pelo menos, já temos o filme que fará o encerramento do festival. Dessa vez será Zulu, com Forest Withaker e Orlando Bloom [ScreenDaily]

• Crítica rápida e direta, sem deixar de ser simpática, de Inácio Araujo, para o novo filme de Alain Resnais (Voces Ainda Não Viram Nada), que estreiou ontem (e para esse blog, é por enquanto o Melhor Filme do Ano) [Folha Ilustrada]

homemdeferro3• Entre Homem de Ferro 3 e Superman, a fase dos grandes blockbusters de Hollywood está prontinho para começar. Nesse link, destaque para 15 filmes que devem lotar as salas de cinema. [AdoroCinema]

• Entrevista com o brasileiro, radicado nos EUA, Antonio Campos cujo segundo filme, Simon Killer, está prestes a ser lançado. As críticas foram moderadas, mas seu filme anterior é o  ótimo Afterschool, então… [Ion Cinema]

• Fechando com alguns trailers da semana:

Faroeste Caboclo, a canção da Legião Urbana virando filme [AdoroCinema]

Elysium, com Matt Damon e Wagner Moura [AdoroCinema]

Behind the Candelabra, Michael Douglas e Matt Damon “afetadas” [Collider]

depoisdaescolaAfterschool (2018 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

As influências de Elefante e Caché são absurdamente nítidas. A maneira de filmar é praticamente uma sobreposição do que fizeram Gus Van Sant e Michael Haneke. Entretanto, o brasileiro radicado nos EUA, Antonio Campos, recorre a uma caracterização, menos abstrata e mais realista, do cotidiano dessa juventude atual, cada dia mais perdida, sem limites, independente e subversiva.

Alguns sintomas de maneirismo, e uma lentidão forçada em cada imagem poderiam ser evitados, ainda assim, o cineasta aproveita-se, minuciosamente, de cada espaço do plano, causando incomodo permanente, tensão presumida. A era da internet, dos vídeos de celular, da informação ao alcance de todos, sem barreiras. Uma juventude em busca do prazer, do descobrir-se sexualmente, à mercê das drogas.

Uma escola de alto padrão em que a diretoria fecha os olhos para o que se passa, não quer comprometer-se (sempre consideramos que nada irá nos acontecer, não acreditamos no risco das tragédias). Campos traz um moderno (muitas vezes angustiante) estudo dessa juventude que vê na fatalidade sua rotina e na ânsia do desejo a perda do controle sobre os limites do certo e errado.