Posts com Tag ‘Antonio de la Torre’

La Trinchera Infinita (2019 – ESP)

Os cineastas Aitor Arregi, Jon Garaño e Jose Mari Goenaga desde o início vem se destacando na cena do cinema espanhol atual. Filmes mais recentes como Loreak e Handia, e esse novo ganharam destaque nos Goya, principalmente nos quesitos mais técnicos. São filmes de um cuidado meticuloso com a imagem, e a forma. Aqui, o trio de cineastas volta a uma das maiores feridas de todos os países que sofreram com governos ditatoriais. Na trama um homem foragido, se esconde em sua casa, por mais de trinta anos trancado numa trincheira, para escapar dos capangas de Franco da Guerra Civil Espanhola.

Muitas cenas com pouca luz, num ambiente diminuto, e a visão do mundo através de revistas, rádio ou de frestas que dão para a sala de casa. É um filme sobre um drama pessoal, mas também familiar porque todos precisam viver à mercê do estado de alerta ininterrupto. Para dar ritmo ao filme, os diretores vão além da preocupação com a passagem de tempo e conseguem criar tensão em visitas à casa enquanto todos vivem a expectativa de mudanças políticas na Espanha com uma possível vitória dos Aliados na Guerra, ou da entrada do país na ONU. Viver como um rato por não aceitar o autoritarismo do governo foi o que o destino reservou aos que ficaram conhecidos como “topos”.

Abracadabra

Publicado: abril 30, 2018 em Cinema
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Abracadabra (2017 – ESP) 

Em seu terceiro longa-metragem, o diretor espanhol Pablo Berger já vem deixando sua marca de um cinema (basta lembrar do anterior, Blancanieves) que pode dialogar com o grande público enquanto foge do usual. Mágica, tragédia, um serial killer, e um pouco de fantasia são alguns dos elementos de seu novo, e irregular, trabalho.

O início é de uma típica comédia, com o homem (Antonio de la Torre) não sai do sofá enquanto assiste futebol e espera a esposa (Maribel Verdú) trazer uma cerveja. Abracadabra! Tudo muda num show de hipnose que dá errado e um espírito passa a possuir o corpo do grosseirão, que passa a ter comportamentos bem diferentes. O tom cômico exagerado ganha traços sanguinários e românticos, que beiram Álex de La Iglesia, mas estão sempre bem empregados dentro desse novo universo de Berger começa a propor com sua filmografia