Posts com Tag ‘Antonio Fagundes’

alemaoAlemão (2014) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os pontos mais fracos do filme são exatamente os focos da campanha publicitária que tenta levar o público ao cinema. Com a trama ocorrendo nas 48 horas anteriores à ocupação do Complexo do Alemão, o filme parece tratar do tema pré UPPs, mas além de algumas imagens de arquivo do exército invadindo o Alemão, o filme apenas se aproveita do momento histórico. De fato nem precisaria desse pano de fundo.

Cinco policiais infiltrados na favela, descobertos pelo tráfico, trancados numa pizzaria enquanto os capangas de Playboy (Cauã Reymond) partem à caça dos “traidores”. Quase o filme todo ocorre nos fundos da pizzaria, tenso do início ao filme, os policiais não sabem se podem confiar uns nos outros, não podem colocar a cara na rua, completamente ilhados e incomunicáveis.

José Eduardo Belmonte cria o clima claustrofóbico, sua câmera apressada deixa no cubículo cada vez mais tenso, ofegante. Caio Blat, Gabriel Braga Nunes (alguém nos olhos claros infiltrados na favela?), Milher Cortaz, Otávio Muller e o grande destaque Marcello Melo Jr trancafiados enquanto esperam a invasão ou qualquer tipo de salvação inesperada.

Se todas as cenas da pizzaria funcionam muito bem, o que ocorre fora demonstra as imperfeições do roteiro. Cauã Reymond no extremo do subaproveitado, como o grande chefe do tráfico no Alemão, além do delegado Antonio Fagundes cujas cenas também não agregam muito. Como fita de suspense, tensa, no melhor estilo 12 Homens e Uma Sentença, tudo funciona bem, o problema está em querer resgatar temas políticos, em trazer falas como “nós (policiais) estamos aqui por vocês), o peso da necessidade de ser algo mais que um entretenimento eficiente..

Quando-Eu-Era-VivoQuando Eu Era Vivo (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um filme de terror sem sustos, mas com aquele incômodo latente, que se acentua enquanto a trama mergulha mais no mundo sobrenatural. Adaptação de livro escrito por Lourenço Mutarelli, o diretor Marco Dutra volta a tratar da classe média, sua visão é de pessoas fragilizadas, seja financeira, seja emocionalmente.

Marat Descartes é o filho, retornando a casa do pai (Antonio Fagundes) por estar se separando da esposa. Um personagem deveras perturbado, o filme tenta pregar suas teorias que intensificam esse comportamento, mas desde o início sua esquisitice destoa a tal ponto que essa transformação fica camuflada. Ao revirar o passado, buscando objetos e lembranças da mãe falecida, a presença do sobrenatural parece tomar conta do filho, o pai descrente assiste ao mergulho do filho nas profundezas.

Há ainda Sandy, uma universitária interiorana que estuda para seguir carreira de cantora (explicado o porquê de sua escalação). Sandy é esforçada, mas pesa sobre ela limitações nítidas e o estigma de ser quem é. As razões de ter sido escolhida são as mesmas que pesam sobre ela, se Sandy pretender seguir carreira de atriz, deveria se distanciar da música nos filmes (ao meu ver). As três peças desse quebra-cabeças, que habitam esse apartamento, mergulham (a seu modo) nessa atmosfera que lentamente traz à tona as explicações da presença maligna que assombra aquelas almas.

Ao mesmo tempo que o sobrenatural se fortalece, há sempre o peso da vida classe-média, a dificuldade da relação pai x filho, um pequeno turbilhão de temas que não parecem se esgotar, que não parecem seguir para um mesmo desfecho. Até que os caminhos apontem para uma única direção (nisso a participação de Tuna Dwek é imprescindível), o incomodo permanece com você até os créditos finais, culpa do belo trabalho de luz e som. Porém, a narrativa está longe de ser intrigante, arrastada, e aquela sensação de que tudo fechou perfeitinho, mas era apenas isso?