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Cest L’Amour (2015 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Paul Vecchiali novamente brincando de falar de amor. Com um pequeno grupo de personagens, num pequeno vilarejo francesa numa região vinícola, o diretor usa de suas artimanhas cinematográficas para explorar o amor livremente. Não há separação entre homens e mulheres, são pessoas interligadas pelo amor. Em algumas das cenas emblemáticas, Vecchiali brinca numa espécie de plano contra-plano, refazendo falas ao trocar o personagem focalizado. Em outras explora as dores e felicidades do amor, sejam via recordações dos mais velhos, seja pela paixão incontrolável dos mais jovens.

A presença do vermelho é constante em todos os ambientes, potencializando o objeto de estudo de Vecchiali, são vestidos, edredon, cortinas, ou apenas pequenos detalhes mas roupas, sempre uma presença marcante. Aparentemente a principal história é a da mulher do contador teme que seja traída, e decide se vingar. Mas, há o ator, que recentemente teria ganho o César, e se relaciona com um figurante de seu filme, que é um ex-militar com histórico gay. E esses personagens orbitam entre eles, com pequenas aparições de outros coadjuvantes, enquanto o amor se reflete, sob todas as formas, em todos os tipos de relacionamentos. O lado Vecchiali provocador se faz presente com uma clara menção ao filme Um Estranho no Lago, mas seu maior esmero é mesmo a abertura com narração em off do próprio cineasta.

noites-brancas-no-pier1Nuits Blanches sur la Jetée (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Encontros notívagos num píer, reúnem uma mulher e um homem. Ela, Natasha (Astrid Adverbe) à espera de seu amado, que prometeu retornar em 1 ano. Ele, um professor, Fédor (Pascal Cervo) vivendo um ano sabático. Quatro noites seguidas de encontros fortuitos, onde ambos refletem o vazio de seus corações.

Adaptação, de Paul Vecchiali, da obra Noites Brancas, de Dostoiévski. O autor não está apenas na inspiração, a homenagem vai até mesmo ao rebatismo do personagem masculino, claro sinal da profunda admiração de Vecchiali. São basicamente diálogos entre os dois (exceto na epígrafe num cameo do diretor). Meio teatral, meio literário, ainda assim, com elementos narrativos fílmicos que enobrecem a beleza do texto. Planos fixos, as luzes refletindo sob o mar negro da noite (oposição às noites brancas do livro), enquanto Natasha e Fédor versam sobre suas vidas, decifram suas biografias entre o lúdico e o direto, criam teorias ou buscam sentidos ao vazio que os assombra.

Em poucas noites tornam-se cúmplices de seus sentimentos, lágrimas ou sorrisos, a música unindo os dois corpos (que cena linda da dança). Apaixonados? Descobriremos mais tardes. A forte ligação entre eles não guarda segredos. Afinal, em tão pouco tempo, sabemos tanto daqueles dois solitários. Pena que tenha sido apenas o primeiro filme do veterano Paul Vecchiali a chegar aos cinemas daqui.