Posts com Tag ‘Axelle Ropert’

amocaeosmedicosTirez La Langue, Mademoiselle (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Após sua elogiada estreia, com o inquieto A Familia Wolberg, a diretora e roteirista Axelle Ropert volta a abordar dramas familiares e personagens inconstantes. A história trata de dois irmãos médicos, reservados, mas de características comportamentais distintas. Um ultra-simpatico (Laurent Stocker), o outro mais seco (Cedric Kahn), cada qual carinhoso à sua forma. Primeiramente, Ropert mergulha na rotina e relação umbilical entre eles. O mecânico dia-a-dia da clínica, a intimidade tímida de seus apartamentos (onde eles se comunicam pela janela).

A narrativa de um agridoce singelo trata insere temas com naturalidade absurda, de maneira tão simples que chocam pelo inesperado. As revelações surgem suaves, problemas pessoais tratando com simplicidade, sem a complexidade seja eliminada. Assim também surge a mãe solteira (Louise Bourgoin) pela qual ambos se apaixonam. Tal qual na vida fora das telas os relacionamentos são tratados de forma imperfeita, beirando o irracional, atitudes destemperadas, conflitos. A beleza do filme não está na trama bem arquitetada por Ropert, mas em como ela a conduz entre essa irregularidade humana. São dramas, são vidas, sentimentos guardados, arrependimento, angústia, brigas. Ropert nunca perde o tom, se houver finais felizes, é porque a vida também os tem, mesmo que de forma temporária. Drama, romance, pequenos momentos de humor, a diretora transforma coisas simples da vida numa envolvente história sobre pessoas comuns.

afamiliawolbergLa Famille Wolberg (2009 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A disfuncionalidade familiar capitaneada pelo patriarca (François Damiens), figura interessantíssima e complexa, amoroso e indireto, simultaneamente presente e incômodo, tanto em sua posição familiar quanto no exercício do seu cargo de prefeito da pequenina cidade do interior francês. A familia é formada pela esposa apagada, pela presença esmagadora do marido, a filha adolescente petulante e focada na chance de sair de casa, o caçula com espírito introspectivo e observador (além do cunhado praticamente um hippie europeu provindo de um charmoso road movie).

Oblíquo e bastante inquietante, eis a estreia da diretora Axelle Ropert. O filme é dono de discursos, ora prosaicos, ora iluminados, de um frescor e sapiência acima da média. Momentos como a representação da vida em pulos, por uma linha divisória imaginária, onde o tio, desapegado de laços, tenta transmitir, metaforicamente, ao sobrinho, um resumo das duas opções de caminho a trilhar. Ou a carta, de uma paixão inflamada, do pai, endereçada à filha, que completa dezoito anos (lida com uma emoção formal, desajeitada e crível) contrasta com outras cenas em que a autoafirmação do protagonista peca pelo excesso (se bem que ele é sinônimo de excessos), e a necessidade de fugir da linha para buscar uma marca autoral. Uma família remendada por super-bonder, alicerçada numa figura explosiva, altruísta, uma leoa cega ao tratar da proteção de sua cria (aqui no sentindo mais amplo, não só familiar, como no âmbito profissional, pessoal e sentimental).