Posts com Tag ‘Bahman Ghobadi’

Uma Bandeira Sem País

Publicado: novembro 6, 2016 em Cinema, Mostra SP
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umabandeirasempaisFlag Without a Country (2016 – IRQ) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Nascido na fronteira Irã-Iraque, o cineasta Bahman Ghobadi continua destacando em seu cinema histórias ligadas às suas raízes. Seu mais recente documentário segue a cantora pop curda Helly Luv, radicada na Finlândia, e um instrutor de voo (Nariman) que dá aulas para criança após ter sofrido um acidente e não pode mais voar.

O cinema de Ghobadi já repercutiu mais, aqui ele traz novas considerações sobre a sociedade curda, a guerra e os ataques violentos, enquanto se aproxima de grupos de crianças. Ao invés de trazer mais da realidade infantil, Ghobadi prefere retratar seus personagens centrais, e essa vontade de agir em comunidade que ambos tem. Interessante como material, decepção quanto a cinema e quanto ao que Ghobadi já apresentou antes.

RhinoSeasonFasle Kargadan (2012  – IRA)  estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Bahman Ghobadi aposta num aspecto visual tão carregado, de drama, quanto a vida do poeta curdo-iraniano, preso político por trinta anos (devido a seus poemas), que após libertado, sai à procura de sua esposa (Monica Belluci). Sem dúvidas uma história bonita, daquelas que já vimos cinema aos milhares, sempre conectadas às questões políticas, golpes de Estado. A dramaticidade lenta, o tom carregado de cinzas, é tanta tristeza que nem chega a doer tanto. Há um homem apaixonado por sua esposa, ele não mede esforços para “conquistá-la”, enquanto isso Ghobadi bem que tenta, mas esbarra em suas próprias armas, e nas coincidências dramáticas que abusam da boa-vontade.

Tempo de Embebedar Cavalos

Publicado: junho 28, 2012 em Uncategorized
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Zamani Barayé Masti Asbha / A Time for Drunken Horses (2000 – IRA)

Cinema-retrato, o consagrado ator do cinema iraniano, Bahman Ghobadi, fazia sua estreia (super premiada) na direção investindo na tocante vida dos moradores da região do Curdistão (divisa com o Iraque). Se por um lado parece uma imensa tragédia, não poderíamos no ater ao caso dessa família como um caso isolado, eles são o exemplo, o triste exemplo que se repete em cada um daqueles lares iranianos.

A mãe morreu no parto de um dos filhos, o pai contrabandista e sua mula também se foram ao se encontrarem com uma mina. Restaram os irmãos, 5 no total, um cuidando dos outros, um deles é deficiente e necessita de cuidados, os demais se desdobram entre o trabalho carregando peso pela paisagem árida e coberta de neve e os estudos (aos que ainda é possível frequentar escola). A mais velha cozinha, o mais velho trabalha o quanto pode tentando guardar dinheiro para pagar a operação necessária do irmão deficiente.

Os rumos daquelas vidas se desenvolvem, não é possível esperar por um final feliz, a divisa do país é terra sem lei, os empregadores contratam crianças para trabalhos árduos, abuso atrás de abuso, porém é a forma de subsistência, afinal são crianças responsáveis por crianças. A fim de aguentarem o frio, bebida alcoólica é misturada com a água das mulas, elas trotam bêbadas, tontas, enquanto os perigos cercam esse povo sofrido entre emboscadas e a ausência de um mínimo de conforto.