Posts com Tag ‘Belén Rueda’

Perfectos Desconocidos / Perfect Strangers (2017 – ESP) 

Outra obra provocativa do diretor espanhol Álex de la Iglesia, que mantém sua marca de um cinema de ritmo acelerado, cores fortes e diálogos críticos e satíricos. Dessa vez se aproveita de um tema que ainda será clichê, afinal os perigos da da quebra dos segredo por comta da tecnologia parece óbvio, destruindo amizades e relacionamentos.

A trama marca um jantar de sete amigos, numa noite de eclipse de sangue, quando um deles propõe um jogo, que todos coloquem seus celulares à mesa e leiam todas as mensagens, atendem todas as ligações, para que todos ouçam. Crises matrimoniais e casos de infidelidade se misturam com outros segredos familiares e um festival de descobertas cujos amigos de décadas jamais poderia imaginar. Elementar em sua proposta, Iglesia diverte mais por seu estilo saboroso em filmar.

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maradentroMar Adentro (2004 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O aspecto que mais chama a atenção, na decisão de Ramón Sampedro (Javier Bardem), é a convicção. Em nenhum instante paira a dúvida sobre seu maior anseio. É compreensível, foram vinte e oito anos presos, numa cama, necessitando de auxílio de amigos e familiares para as mais simples atividades. Sentimento de estorvo. Ramón faz questão de deixar claro que não está julgando outros deficientes, mas ele não tem mais vontade de viver. Morrer com dignidade é seu lema, e o filme mostra a luta na justiça, para que sua morte seja feito dentro da lei, sem que alguém possa ser responsabilizado. Eutanásia, assunto delicado.

Para caminharmos pela vida do poeta, é inserida na história a advogada Julia (Belén Rueda), e por meio de suas perguntas, mergulhamos no passado e na melancólica vida de Ramón. Dificilmente a câmera de Alejandro Amenábar é estática, quando fora do quarto de Ramón. Essa sensação de movimento destoa, ainda mais, da impossibilidade de liberdade do personagem. A música pontua cada passagem melodramática, quase sufocando a voz dos personagens, seu exagero é eficaz e cansativo. Javier Bardem é intenso do início ao fim, sempre na medida certa, faz de sua atuação, a nobre razão de existir do filme. Pouco se tira quando ele não está em cena. Mas nesse pouco, há coisas de grande valor, como a surpreendente atuação de Mabel Rivera (como cunhada de Ramón). É dela a cena de maior emoção, sem pieguice, quando a pacata senhora estoura sobre o padre.

Os enlaces amorosos soam burlescos, dando um tom emotivo, e ainda mais desnecessário quando as discussões deveriam concentrar-se na eutanásia, e na situação familiar com todas essas circunstâncias. Fico imaginando a cabeça de alguém em situação parecida, quantas emoções e reflexões um filme como esse podem trazer, vibrações negativas ou alguma lição que traga ainda mais desejo de viver? No mais encerro com o pai constatando uma cruel realidade; pior do que ver um filho morrer é um filho que deseja morrer.