Posts com Tag ‘Ben Affleck’

batmanvssupermanBatman vs Superman: Dawn of Justice (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O nome de Zack Snyder, desde que foi confirmado na direção, já torceu o nariz de muita gente. Ainda não vi nada dele positivo a ponto de o gabaritar a um projeto desse tamanho, e continuo na mesma. Sim, ele dirigiu o Homem de Aço, e assim como Nolan (produtor executivo do filme) seria um nome natural, desde que os filmes de Snyder fossem bons. São tantos pontos discutíveis, que os fãs dos heróis me perdoem, mas a trama parece tão rocambolesca, e o grande estopim para a criação da Liga da Justiça quase soa como piada. Mas, os problemas mais graves parecem mesmo a total incapacidade dos personagens em criarem identidade com o público, nenhum dos atores parece ter carisma/talento necessário para animar uma torcida que está avida por comemorar até cobrança de lateral.

São personagens tão conhecidos, e ainda assim tomassem liberdades que não descem (principalmente no que se refere ao Super-Homem), ou a preocupação de recontar a história (como no caso do Batman). E Lex Luthor então é o equívoco fatal, porque Jesse Eisenberg nunca consegue escapar do estereótipo do nerd falante (que em nada se parece com Luthor), e esse jeitinho falante destrambelhado não combina com a mente genial e diabólica do vilão.

Snyder continua com aquela tentativa de planos de “filme de Arte” ou algo que se pode tentar assemelhar a Terrence Malick, e tenta pegar emprestado aquele clima grandioso e definitivo dos Batman’s de Nolan. A junção desse todo também não dá certo. A DC tem essa característica meio carrancuda, diferente da Marvel e sua farofa espalhafatosamente divertida, e Snyder mantém o filme longe das piadas, parece a única coisa sóbria (além da luta, em si, entre os dois mega-heróis) que parece correta, de resto, a origem da Liga da Justiça chega como um soturno trem desgovernado, empurrado goela a baixo com altas quantidades de pipoca.

garotaexemplarGone Girl (2014 – CAN/EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O best-seller homônimo, escrito por Gilliam Flynn (que também assina o roteiro do filme) tem início com o desaparecimento de uma mulher (Rosamundo Pike). Sinais de violência em casa, estilhaços de vidro e manchas de sangue. O livro é narrado sob duas diferentes óticas, a da mulher desaparecida, e do seu marido (Bem Affleck) cujas as inventigações o tem como principal suspeito. A escolha de David Fincher em trazer ao cinema este thriller pop faz muito sentido pelo caminho que vem trilando sua carreira. O material tem o quê de suspense que perfaz sua carreira (Seven, Millenium), mas também dialoga com A Rede Social, mais precisamente com a imprensa, manipulação de opiniões.

Fincher conduz o suspense de maneira tecnicamente perfeita, sua mão suntuosa, ajuada pela trilha precisa de Trent Reznor e Atticus Ross, formam uma narrativa empolgante, pop, próximo ao público e ainda assim diferenciada por seu domínio do clímax.Por outro lado, seu cinema patina sobre sua própria carreira, o que esse filme acrescenta ao seu trabalho? Nada, é outro thriller competente. Ainda agravado pelo próprio roteiro que tão marcado por reviravoltas e precisão cirúrgica nos atos dos personagens, que a trama abusa da capacidade de manipulação, do excesso de dramatização.

A personalidade do casal é descoberta aos poucos, Fincher não consegue manter a narrativa dividida, ela fala em off, a dele é tomada como o tempo presente, a narração oficial. Isso também ajuda a desgastar o clímax, a saber que há os vilões e os que só não são bonzinhos. Em resumo é passatempo puro e simples, sofisticado por Fincher estar acima da média, mas é só uma roupagem especial para o mesmo rocambole do entretenimento.

benaffleckbatman
• Batman:
a repercussão da escolha de Ben Affleck deu o que falar essa semana [Variety]

• Wong Kar-Wai: o mestre do cinema chines falando de cinema de ação e The Grandmaster [IndieWire]

• Serra Pelada: trailer do filme dirigido por Heitor Dhalia, com Wagner Moura e Juliano Cazarré [Omelete]

• American Sniper: Spielberg saiu do projeto, Clint Eastwood é quem pode assumir [Variety]

• Abel Ferrara: entrevista com o cineasta em Locarno [Mubi]

• Caverna do Dragão: o final desse desenho animado incrível nunca foi exibido, nem gravado, mas ele pode ter sido escrito [Complexo Greek]

 

tothewonderTo the Wonder (2012– EUA) 

Se o filme anterior de Terrence Malick recebeu muitas críticas, principalmente de seus fãs mais fervorosos, é de esperar a estranheza que virá com esse novo passo, dentro do caminho que Malick está trilhando em sua carreira. A proposta narrativa diferente veio para ficar, o cineasta busca o sensorial, ao invés do puro e simples “contar uma história”. Indo além nessa linha, seu filme é todo compostos de diálogos raros, substituidos por reflexões dos personagens que funcionam como instrumento duplo: pontuar o público e expressar os sentimentos, como se pudêssemos ler pensamentos.

A história narra um amor (Ben Affleck e Olga Kyrylenko) que surgiu na França. O namoro à distancia, as dificuldades da vida à dois, separação, paixão (no romance com Rachel McAdams). Por meio de fragmentos, Malick propõe o jogo da intimidade. Filma mãos, corpos, cabelos contra o vento, momentos vagos entre quartos e janelas. Há outra forma de amor abordada, como o padre (Javier Bardem) em dúvidas em sua fé. Malick se converteu a estudar o amor, mas busca formas de trancá-lo numa garrafa e gravar em imagens. Nessa linha tênue entre o lírico e o abstrato, seus riscos de erro são grandes, e dessa vez fatais.

Oscar 2013

Publicado: fevereiro 26, 2013 em Oscar
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Viajando em boa parte do mes de fevereiro, fui obrigado a abrir mão de cobrir a repercussão do Festival de Berlim 2013 (que pelo visto não foi animador), e também de acompanhar a reta final das campanhas pelo Oscar. Por isso, sendo o último da fila, faço aqui meus comentários sobre a premiação, e, dessa forma, podemos começar 2013 por completo.

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E Oscar é igual carnaval, o próximo começa assim que termina o anterior. Já surgem as primeiras especulações sobre possíveis candidados. Sendo que os filmes nem finalizados foram, entre eles está a nova adaptação de O Grande Gatsby. O que quero dizer é a importancia das estratégias dos estudos e das campanhas de marketing (quase lavagem cerebral) na cabeça dos votantes. Esta última edição começou a pegar fogo no Festival de Veneza, e logo a seguir, com o Festival de Toronto.

Em Veneza, O Mestre foi aclamado, amado, dado como o grande filme do ano, e, dessa forma, o vencedor do Oscar. A inexplicável decisão do juri tirou o Leão de Ouro do filme para lhe dar outros dois prêmios. Mas, o fato é que, os americanos não entraram na do filme de Paul Thomas Anderson, perdendo tanta força que só conseguiu 3 indicações nas atuações.

A seguir estreiava no Festival de San Sebastian, Argo, e o filme de Ben Affleck foi recebido de maneira morna, tratado como um thriller competente (e é exatamente o que o filme é, nada além disso). Não se falava no filme porque com O Mestre caindo os holofotes se dividiam entre Kathryn Bigelow e seu A Hora Mais Escura – sobre a morte de Bin Laden. O musical de Tom Hooper, Os Miseráveis (que  ao estreiar foi tão detonado que afundou rapidamente), e Lincoln, de Steven Spielberg, que já surgia como provável vencedor.

Lincoln foi recebido com boa bilheteria, A Hora Mais Escura nem tanto. Mesmo a veneração dos americanos por Lincoln não conseguiram emplacá-lo totalmente rumo a consagração. Por fora surgia um desses filmes menores, O Lado Bom da Vida, de David O Russel que já conseguira algum destaque com o Vencedor. Outros nomes surgiam para completar a lista, mas, no fundo, os filmes naufragavam por suas fragilidades.

Oscar 2013 - Ang Lee (melhor diretor)

Já havia sinais de que não seria um Oscar de grandes filmes, mas Lincoln parecia absoluto, imbátivel, aquele filme com cara de Oscar. Os outros estudios no corpo a corpo do maketing, e eis que Argo ganha um premio aqui, outro ali, Lincoln vai sendo esquecido, perdendo terreno, surge o Globo de Ouro e as indicações ao Oscar. Ben Affleck não entra na lista de melhor diretor, Lincoln tem 10 indicações, e a fabulosa qualidade técnica de A Vida de Pi, de Ang Lee, também o colocam entre os que mais foram indicados (nesse ponto, A Hora Mais Escura já se tornará carta fora do baralho).

Analisando os indicados, se podia perceber que não havia um filme unanime, tanto que o estrangeiro Amour, de Michael Haneke, emplacara 5 indicações (incluindo filme e diretor). Que a fabricação de Indomável Sonhadora como filme sensação surtira efeito (após seus premios em Sundance e Cannes), tendo conseguido até ser indicado como diretor. E que, os Irmãos Weinstein são bons de marketing, afinal foram 8 indicações para a comedinha romantica O Lado Bom da Vida. Ainda tinha Tarantino, mas se ele nunca consegue grandes premios, não pareciaque as polemicas de Django o fariam virar o jogo dessa vez.

Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway, Christoph Waltz

Na noite do Oscar, ninguem tinha duvidas quanto a Argo, na reta final ele ganhara todos os premios, e descartando a possibilidade de Amour, os demais filmes nem pareciam melhor que ele (relembrando que é um thriller competente, só isso, imagine os demais). Assim como a vitória certa de Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway, a polarização entre Jessica Chastain e Jennifer Lawrence para atriz (Chastain tem feito por merecer nos últimos anos, mas no fundo, nenhuma das duas mereciam). Diretor e ator coadjuvante se colocavam como as grandes questões abertas da noite, e realmente surpreenderam. A lista de diretores não parecia ter grande vencedor, todos apostavam em Spielberg, herança da expectativa que se tinha com Lincoln, mas deu Ang Lee (que ganha seu segundo oscar de direção, e nunca melhor filme, enfim, preferiram alguém que conduziu a parte técnica, e sem atores, fez um filme mais que chato.

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E, dessa forma, se foi mais um Oscar, cheio de premios previsíveis, nem sempre optando pelo merecimento em detrimento às campanhas. E, como umas das piores festas dos últimos tempos, seja pelo apresentador fraco, seja pelo inexplicável resgaste do musical  Chicago, a incoerencia das canções (algumas cantadas, outras não), e pelos clips preguiçosos e sem inspiraçao (maior exemplo o desperdício na homenagem de 50 anos do James Bond). Hollywood sofre são mega estrelas, ainda vive das que marcaram os anos 80 e 90, e isso reflete nessas tentativas loucas de mudar a noite de premiação, e assim, atrair maior ibope.

Argo

Publicado: novembro 17, 2012 em Cinema
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Argo (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É verdade que Ben Affleck vai fundo na cartilha hollywoodiana para causar tensão, buscar sequencias de emoção ilimitada, abusa das coincidencias por segundo quadrado, sua última meia-hora exagera quando náo precisava. Ainda assim, Argo é um thriller competente, tenso, que deixa o público ligado na história do início ao fim, sem respirar, preocupado com o próximo passo que será dado pelos pivos dessa crise.

A invasão da embaixada americana no Teerã e, o consequente sequestro dos funcionários causa comoção internacional, porém 6 deles conseguem escapar da invasão. Nesse ponto entra a CIA (e Ben Affleck como o agente corajoso, ele não precisava atuar, não é seu forte) e um plano para resgatar os americanos. Enquanto a tensão toma conta da cidade, e o alivio comico na particpação magistral de Alan Arkin e John Goodman (como pessoas ligadas ao cinema que ajudarão no plano para o resgate) causa gargalhadas, o Irã pega fogo com o novo governo assumindo e as ruas tomadas por seus partidários.

Tensão política, um país em chamas, diplomatas sequestrados e americanos caçados pelas ruas. Affleck mistura cenas de arquivo com imagem granulada para reconstituir a invasão da embaixada, depois mantém a atmosfera numa pegada ágil, e apenas esbarra nessa mania dos americanos de salvar o mundo no último segundo.

elenaoestataoafimdevcHe’s Just Not That Into You (2009 – EUA/ALE) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grande filme de autoajuda para mulheres românticas, sensíveis, desesperadas por um namorado, e “cansadas” de serem mal-tratadas e desprezados por homens que não (ou pouco) se interessaram por elas. Também um filme sobre relacionamentos em dificuldade, sobre casamento e a mística que o envolve, sobre o desgaste da relação. Quer dizer, um senão de temas, em histórias interligadas, e desconexas, dentro de seu contexto.

Ken Kwapis brinca com as relações na sociedade moderna. Mulheres que se dedicaram mais a carreira do que a seus casamentos. Homens exemplares no âmbito do relacionamento, só que tem ojeriza ao matrimônio. Mulheres usando homens como estepe, válvula de escape quando sozinhas ou desamparados. E também um barman guru do amor, oferecendo seus conselhos a uma mulher desesperada para desencalhar.

Há ainda outras vertentes dessas histórias, e Kwapis almeja soar interessante com seus argumentos e as estrelas que desfilam sob sua direção. Pena que o ego de seu filme exija esse rótulo de manual para que as mulheres percebam suas “falhas”, seus comportamentos repetitivos e evasivos. Resumindo, o filme julga e rotula abusando de estereótipos e clichês, que apenas naufragam suas intenções.

Claro que dentro de toda essa embromação desempolgante, vamos nos divertir com Mary (Drew Barrymore) sofrendo com as paqueras tecnológicas, com o affair atraente de Ana (Scarlet Johansson) e Ben (Bradley Cooper), pelo desespero destemperado de Gigi (Ginnifer Goodwin) na espera por um telefonema, e iremos nos enxergar em algumas situações, apontar nossos pares e amigos, e as mulheres sonharem a perfeição em forma de cônjuge que é Neil (Ben Affleck).