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virginiaTwixt (2011 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A cada novo filme, Francis Ford Coppola parece provar que desaprendeu a fazer cinema. Há anos vem numa fase de pequenos trabalhos, que deveriam representar um cineasta cansado dos grandes estúdios, orçamentos milionários, filmes grandiosos e eloquentes. Mas não: a sensação é de que ele perdeu a mão mesmo e procura se reencontrar, como se sofresse de uma espécie de amnésia criativa. Seu nome, prestígio, amizade, seja o que for, ainda conseguem atrair atores de destaque (ou que buscam a redenção, caso do protagonista Val Kilmer), porém suas histórias vagam entre o confuso e o desinteressante.

O roteiro é daqueles “para boi dormir”. Um escritor de livros sobre bruxas (Kilmer) vai parar numa cidade macabra, com vampiros e um inexplicado assassinato em série de crianças, além de um xerife doido para ser escritor. Desse mote para um envolvimento com a própria história trágica do escritor é um pulinho.

Utilizando sua própria fazenda para as filmagens, Coppola parece ter descoberto a câmera HD só agora, e as imagens são tão mal-acabadas que mais parecem uma daquelas produções terror B que inundam a programação da tv a cabo nas madrugadas. Ainda há Edgar Allan Poe (coitado dele) explanando sobre a escrita, atuando como uma espécie de narrador para o próprio escritor entender tudo que se passa. Há também a mistura de sonho e realidade, uma parafernália narrativa para tentar resolver o que parece sem solução: o resultado final que não vale muita coisa.

The Thin Red Line (1998 – EUA) 

E Terrence Malick visita a guerra. Um hall gigante de estrelas de Hollywood incorpora membros das tropas americanas no período da Segunda Guerra. Porém, Malick segue fiel às suas origens e obsessões, e foge do filme de geurra convencional, como era de se esperar. Em seu início, privilegiando alguns diálogos, com personagens mais burocráticos, é a forma como o cineasta questiona valores do exército. É no fogo cruzado que o filme realmente mostra sua força.

Pense num filme de guerra onde não importa quem está lutando, onde a vitória na batalha está ali sem que heroísmos sejam foco, e sim a sensação de se estar ali entre as vibrações da natureza, o medo e sua presença fundamental. Resumindo, onde o que se sente dentro da alma e não dentro da mente, Malick consegue aqui o que talvez seja o seu grande filme. Um trabalho intuitivo, que pode estar permeado do dia a dia de um pelotão, mas está totalmente focado nas relações dos soldados com seus momentos, com seus temores, com a dor da perda, ali ao seu lado. Ou a saudade de casa, mas, sobretudo com o ambiente que os cerca, onde o inimigo está presente, ali escondido e pronto para o bote.