Posts com Tag ‘Ben Kingsley’

atravessiaThe Walk (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A façanha de Philippe Petit já havia chegado ao cinema através do documentário O Equilibrista, vencedor do Oscar desse gênero. Dirigido por James Marsh, e muito rico em imagens de arquivo, da vida e das façanhas, do maluco equilibrista francês que ousou cruzar as torres gêmeas do World Trade Center pisando num cabo de aço. E o segredo do documentário é de se estabelecer por meio dos depoimentos do personagem e de todos que colaboraram nessa e nas demais peripécias (como cruzar a Notre Dame também).

Agora foi a vez de Robert Zemeckis abordar a mesma história, através da ficção. Joseph Gordon-Levitt se esforça no sotaque de um francês falando em inglês, e no tom da voz de Petit, enquanto o filme parte desde a infância desse equilibrista incorrigível até os minuciosos detalhes para invadir as torres em construção, às escondidas, com todo o equipamento necessário para realizar a proeza.

Apoiado pela narração em off em tom de conto infantil, e cheio de trilha sonora de superação, Zemeckis assemelha muito de seu filme no documentário, aproveitando-se da tecnologia 3D para dar dimensão da altura (além dos 110 andares) e da maluquice. E essas cenas são impressionantes. No saldo, a ficção de Zemeckis se repete ao documentário, sem que consiga superá-lo, sendo mais importante como a possibilidade de alcançar um público maior pelo apelo comercial de marketing e estrelas.

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Iron Man 3 (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O fascinio, que virou febre, permanecerá intacto. Já se espera a próxima aventura com a presença de Tony Stark (Robert Downey Jr). Enquanto houver explosões e esse ego inflado e divertido, o público estará presente. Mais neurótico do que nunca, Stark recomeça com um flashback, mas antes ele se mostra realizado com seu relacionamento com Potts (Gwyneth Paltrow), e ainda mais obcecado por suas armarduras e tecnologias. Mas, acima de tudo um neurótico.

A presença de Shane Black (roteirista de filmes de ação como Máquina Mortífera), como diretor e roteirista, trouxe vilões bem mais interessantes (Ben Kingsley e Guy Pearce), e o terrorismo como mote central. Mas veio também uma versão MacGyver do Stark. As pretensões do personagem são trocadas pelas pretensões do próprio filme, tudo está cada vez mais faraônico, e quando procura algo mais “palpável” o transforma nesse clipe atualizado do velho seriado dos anos 80.

homemdeferro3_2É a sequência da farofa de Os Vingadores, aliás o filme não se cansa de citá-lo (até cansa), com os ingredientes básicos para manter a franquia viva, em alta, causando furor com as filas nas salas de cinema. Por mais que abuse de soluções fáceis, os minutos finais são ainda mais contundentes nisso, o fascínio causado por Tony Stark camufla os problemas.

Hugo (2011 – EUA)

Se pensarmos no que Martin Scorsese representa para o cinema, financiando a recuperação de filmes antigos, dirigindo documentários sobre cinema italiano, além é claro de seu trabalho autoral, a representatividade desse filme se torna ainda maior. Afinal, o grande mote é a bela homenagem ao cinema, principalmente ao mágico Georges Méliès e ao cinema mudo. É Scorsese reafirmando sua vocação de resgatar o que está escondido, e dividir com seu grande público. Tudo começa com aquela imagem cortando uma estação de trem, de forma acelerada, apenas o abre-alas para a longa introdução antes dos créditos iniciais.

É verdade que dali em diante, o filme cai assustadoramente, é a fase mais infanto-juvenil da história, Hugo e sua relação com o pai, sua vida como orfão e etc. O garoto vive no mundo dos sonhos, sua própria história é uma bela fábula da subsistência. Quando surge a segunda metade com o resgate do cinema de Méliès e a história mistura realidade e ficção da biografia do cineasta, o filme dá um salto fabuloso, torna-se encantador, charmoso. A obra de Méliès se encaixa perfeitamente à história e ao 3D, o garoto (Asa Butterfield) é ótimo e descobrimos Sacha Baron Cohen como um ato dando vida ao inspetor cruel da estação de trem, e por fim, temos um golaço de Scorsese.