Posts com Tag ‘Ben Stiller’

avidasecretadewaltermittyThe Secret Life of Walter Mitty (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Essa nova adaptação do conto originalmente publicado na revista The New Yorker passou por muitas mãos antes de chegar a Ben Stiller. Desta vez, o pacato Walter Mitty trabalha na Life (pouco antes da revista deixar as bancas e se tornar apenas virtual). Ele sonha (acordado) com grandes aventuras, mas não consegue se desprender de suas características de loser introvertido até encontrar em uma paixão a mola propulsora para se tornar um galã aventureiro.

Como diretor, Stiller flerta com o cinema indie (tentando referências aqui e ali), sem deixar de buscar o grande público, com sequências de ação, muitos efeitos especiais e uma “lição de moral” enrustida (que o próprio diretor Stiller não respeita, mas venderia muitos livros de autoajuda).

Enquanto o filme se perde nesse zigue-zague entre o cinemão e pitadas de cult, Stiller está na pele de um Mitty com cabelos brancos, se aventurando de skate, pulando de um helicóptero. É o exagero que faz dessa vida secreta de Mitty algo tão fora da curva. É com essa megalomania ao extremo que Stiller joga pelo ralo seu conto sobre viver a vida, desprender-se das amarras, arriscar. Isso, sem falar no humor que exagera nas tintas, encontrando no “fazer de bobo” a única saida para divertir. Como se sair pelo mundo fosse lhe trazer dinheiro e felicidade, e a mulher dos seus sonhos.

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The Royal Tenenbaums (2001 – EUA) 

A consagração em seu terceiro longa-metragem. Wes Anderson já havia sido bem recebido pela critica com Três É Demais (Rushmore), e agora repete os elogios e conquista seu púbico com essa excentricidade dominante. Desde o formato dividido em capítulos como num livro, passando por seus personagens esquisitos, mórbidos e desembocando no humor negro, e num certo grau de ousadia do roteiro co-escrito por Owen Wilson, sempre a excentricidade como figura capital.

No centro de uma familia de prodígios está o patriarca inescrupuloso, o advogado Royal Tenenbaum (Gene Hackman). Os três filhos, um deles adotivo, demonstram talentos natos para as finanças, artes ou esportes, quando crianças. Após ser desmascarado pela família, Royal é obrigado a deixar a casa e se afastar. Mais tarde, completamente falido, descobre que sua esposa Etheline Anjelica Huston) pretende casar-se com o contador. Royal planeja retomar seu lugar na família, inventando uma doença terminal, e desse modo, acabando também com seus problemas financeiros.

A genialidade infantil foi perdida entre problemas familiares e desencontros amorosos, cada um a seu modo, vive amargurado, solitário, ou melhor… perdido. Aquela capacidade precoce foi canalizada para uma tristeza explícita e cíclica. Wes Anderson imprime, com muita personalidade, o astral de seus personagens, vai além disso, todo o pesar e sofrimento são ressaltados com maquiagens, cores de móveis e paredes, direção de arte em sintonia total com a melancolia presente. O humor negro, Anderson descontrói o mito do american way of life, de maneira caricata e abusivamente esquisita.

Gene Hackman brilha, apoiado num elenco de peso, em atuações sob medida ao tipo de cinema que Anderson tenta criar. Mas é uma narrativa calcada numa visão tão nerd de mundo, numa simetria estética que se contrapõe as cores berrantes. Vale, além da corrosiva critica à sociedade americana, a questão dos problemas psicológicos encontrados em  talentos infantis que não se concretizam quando adultos. São inúmeros os casos de adolescências perturbadas e brigas entre familiares gananciosos. Macaulin Calkin está aí para não me deixar mentir.