Posts com Tag ‘Benedict Cumberbatch’

ojogodaimitacaoThe Imitation Game (2014 – Reino Unido) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É tamanha a preocupação com recriar a época, gravar nos locais onde se passaram os fatos, usando as máquinas originais da Segunda Guerra, e outras purpurinas que o cineasta norueguês Morten Tyldum esquece do cinema. O filme é quadrado, esquemático, racional, quadrado, consequentemente chato. Alan Turing (Benedict Cumberbatch), o pai da computação, é interpretado com todo refinamento, o tom correto para um matemático homossexual que precisava esconder sua opção sexual (proibida por lei na Inglaterra na época). Cumberbatch dosa esse refinamento com pitadas de humor e toda a estranheza antissocial de um típico gênio da matemática. O problema está longe dele, ou da história “que precisa ser contada”.

Os coadjuvantes que não tem peso algum (Kiera Knightley, Mark Strong e etc), a trama narrada nessa cortina de zelo com questões técnicas oferece como resultado um quase telefilme de tão contido e funcional. Demasiadamente narrativo para um grupo notável que através da criptografia desvendou os códigos secretos alemães e modificou os rumos da Segunda Guerra Mundial.

HawkingHawking (2004 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na corrida para o próximo Oscar, um dos filmes mais recomendados trata da cienbiografia do físico Stephen Hawking. Menos conhecido é este telefilme, didático ao extremo cuja direção ficou a cargo de Philip Martin. Marca também um dos primeiros trabalhos de Benedict Cumberbatch como protagonista, muito antes de ser aclamado como Sherlock.

O filme realiza um pequeno recorte na vida de do estudante de Cambridge, enquanto, aos 21 anos, a esclerose lateral amiotrófica atinge rapidamente a capacidade motora de Hawking, ele trabalha incessantemente em seus estudos. O roteiro tenta apenas dar cabo de seu grande feito (confirmar a Teoria da Relatividade) e de seu relacionamento com sua futura esposa (Lisa Dillon). É pobre em todos os lados, restando apenas a Cumberbatch os trejeitos físicos da doença enquanto a figura do jovem problemático, e genial, se solidifica frente ao público. Vale como curiosidade, pelo início do ator, pela figura de Hawking, cinematograficamente é uma negação.

12anosdeescravidao12 Years a Slave (EUA – 2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Entristece um pouco pensar que Steve McQueen, um dos cineastas mais intrigantes da recente safra de novos diretores, vá ganhar o Oscar com o filme mais “convencional” de sua curta carreira. Este é apenas o terceiro longa. Favorito absoluto na corrida deste ano ao “careca dourado”, porém por mais consistente e fabuloso que seja seu filme, ficou de lado aquela perturbação de seus trabalhos anteriores em prol de uma história justa.

Porque, afinal, este é um daqueles filmes que precisavam ser filmados, uma daqueles histórias que precisavam ser contadas, e toda aquela ladainha blasé. Trata-se da biografia de um homem (cuja trajetória representa a de inúmeros outros à época). Um negro livre (Chiwetel Ejiofor), sequestrado e escravizado, durante 12 anos. Tempo suficiente para McQueen transpassar às telas toda a indignação com a escravidão.

12anosdeescravidao_2Injustiças, açoites e humilhações, qualquer sabe o que esperar dessa história. Capatazes impiedosos, fazendeiros sádicos (Michael Fassbender), todo e qualquer tipo de abuso nas relações raciais. A narrativa de McQueen é densa, sóbria, consistente. Aliada o tradicional ao seco, mesmo os momentos mais dramáticos tem ausência do melodrama, retrato estéril do estilo do cineasta. Por exemplo, na grande cena do filme, as chibatas no tronco, são de uma agressividade impar, o corte do corpo, o jorrar do sangue, impressiona mais o exercício cirúrgico do que a novela de um homem sofrendo todas as dores do mundo.

albumdefamiliaAugust: Osage County (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Até tento não comparar, tratar apenas como mais um filme, mais uma história, mas quando surgem os comentários sobre a “veracidade” do drama familiar, como as famílias são tão cheias de problemas, mágoas e segredos. Como um filme onde a única pessoa “decente” é a índia que trabalha como doméstica, fico me questionando se é só a minha família que tem uma relação mais light, com seus problemas, mas muito longe desse mundo perverso onde ninguém presta.

O filme dirigido por John Wells, adaptação de uma peça de teatro escrita por Tracy Letts, segue esse caminho das imperfeições. O patriarca (Sam Shepard) desapareceu, as três filhas voltam com seus maridos, filhos, e problemas a conviver com a mãe (Meryl Streep com a mesma peruca de Cate Blanchett interpretava Bob Dylan) que sofre de câncer na boca. A reunião familiar é estopim, Wells filma guerras verbais em cada cômodo, basta transpassar outra porta para dar de cara com outro quebra pau.

Nesse mar de discussões e humilhações surgem alguns momentos engraçados, aquele humor provocativo costumeiro, mas a proposta é mesmo de jogar para baixo qualquer ser vivo que aparece por aquela casa. Não questiono nenhum dos dramas, mas o conjunto parece tão diabolicamente perpetuado para o propósito de desestruturar a instituição falida (família) que fica difícil dar crédito ao peso de interpretações tão carregadas (ok, Julia Roberts convence, Chris Cooper também, Streep dá outro show), ainda assim, parecem andorinhas isoladas que juntas não fazem nem um veranico sequer.