Posts com Tag ‘Benjamín Naishtat’

Rojo (2018 – ARG) 

Benjamin Naishtat surge como um cinema bem interessante dentro da cena argentina, por mais que seus dois trabalhos anteriores empolgavam mais na proposta do que no resultado final. Bem Perto de Buenos Aires e O Movimento, flertava com a atmosfera de terror ou do western, sempre dentro de uma marca bastante autoral. Segue com esse cinema diferente aqui, dessa vez em ritmo de thriller, nos oferece duas primeiras cenas curiosas. Na primeira, a porta de um casa e um entra e sai de vizinhos, móveis carregados, algo muito estranho. Na seguinte, uma briga, inusitada, num restaurante.

Esses dois momentos quase parecem não convergir com o restante da história, em grande parte da narrativa, até finalmente serem reincorparadas. Até lá estamos seguindo a rotina de um advogado de uma pequena cidade argentina, já sabendo o que se passou e o que ele carrega de segredo. Naishtat preocupa-se muito com a atmosfera de mistério quando um investigador chega a cidade para descobrir o paradeiro do outro envolvido na briga no restaurante.

Aonde toda essa atmosfera vai nos levar que é bastante questionável, a estranheza do embate entre investigador e advogado nos leva a uma festa ou ao deserto, em reações descontrolados na praia. Mas, Naishtat não parece saber, tão bem, o que fazer com tal atmosfera. A parte final não quer ser onírica, mas te um quê, e o resultado final é um avanço em sua carreira.


Festival: San Sebastián 2018

Mostra: Competição

omovimento

El Movimiento (2015 – ARG) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Não é um western, como não é Jauja (de Lisandro Alonso), mas flerta com os dois de maneira charmosa. Na Argentina de 1835, entre a anarquia e a peste, e pequenos grupos de homens que com violência lutam por sua forma de justiça ou moral. Neste cenário caótico, o cineasta Benjamin Naishtat estabelece (Pablo Cedrón) como o líder de um braço do Movimento que luta contra a anarquia. Eles pedem financiamento de pobres camponeses, em tempos de crise, de miséria. Igreja Católica, delírios políticos, a imposição da violência como forma de estabelecer alianças com o povo.

Naishtat vai estabelecendo seu espaço no cinema internacional, após seu primeiro filme (Bem Perto de Buenos Aires) ser selecionado para Berlim, desta vez foi Locarno que exibiui este novo trabalho. Filmado em preto e branco, destaca-se por essa proximidade com os costumes gaúchos, enquanto tece a loucura desse porta-voz maldito do Movimento. A proximidade da câmera no rosto dos personagens, com pequenos tremores típicos da câmera na mão, oferecem essa profundidade dos devaneios alucinados enquanto o discurso se impõe da hipocrisia política que permanece até hoje.

Se Naishtat passa longe de inovar, ou de alcançar a fantasia que o filme de Alonso se desenvolvia, o jovem argentino demonstra possibilidade de trafegar entre o contemporâneo (de seu primeiro filme) e o século XIX, traçando um paralelo obcesno entre as duas épocas, como narrativas irregularidades porém singulares.

 

bempertodebuenosaires

Historia del Miedo (2014 – ARG) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O grupo de personagens orbita num condomínio de casas, ao redor de Buenos Aires, cercado por grandes áreas verdes. Isolam-se para se proteger. O jovem diretor Benjamín Naishtat, primeiro longa após alguns curtas premiados em Cannes e Roterdã, trata do medo. Ele é o personagem central, o conjunto de personagens que se interrelacionam são apenas joguetes capazes de criar as mais diversas formas de medo.

Dedsde os moradores burgueses do condomínio, até as empregadas domésticas e seguranças, todos protagonizam pequenos (e sinistros) momentos capazes de causar pânico. O homem nu (na foto) que aparece no pedágio, os apagões de energia elétrica, o medo de perder um ente querido. Naishtat filma com traços de uma atmosfera de terror, lembra a narrativa de Juliana Rojas e Marco Dutra, onde a sensação é de um mal maior prestes a acontecer.

Enquanto a crítica a burguesia é clara, o medo gerando medo, suas “esquetes” vivem mais do argumento que da realização em si. Naishtat tenta filmar o sentimento, consegue oferecer apenas parte das vibrações almejadas.