Posts com Tag ‘Bernardo Bertolucci’

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euevoceIo e Te (2012 – ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A mãe tenta criar Lorenzo (Jacopo Olmo Antinori)  para o mundo, talvez seus métodos não sejam tão eficazes. Ele carrega aquelas cismas adolescentes de sempre, assim como um perfil mais individualista, tímido. Traça um plano para fugir do acampamento, mente para a mãe, carrega compras e um formigueiro, mas é surpreendido em seu esconderijo pela meia-irmã, Olivia (Tea Falco).

E ela vem com seus problemas, sua carga dramática, a abstinência de uma usuária de drogas é apenas um dos problemas, Bertolucci novamente tranca seus personagens entre quatro paredes. Quando falam é para discutir, ou urrar de dor, a invasora consegue trazer Lorenzo ao mundo, de forma nada planejada, expondo o garoto aos problemas, às mazelas do mundo. Parece intenso, não é, Bertolucci tenta entre livros e incomodo trazer seus personagens ao mundo real.

antesdarevolucaoPrima della Rivoluzione (1964 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Aos vinte e dois anos de idade, Bernardo Bertolucci era um jovem cineasta, em seu segundo longa-metragem. Na figura central de seu filme há Fabrizio (Francesco Barilli), na plenitude de seus vinte e dois anos (será mera coincidência com o diretor ou traços autobiográficos?). O jovem vive em Parma, enfrentando uma crise de indecisão, a insegurança que a imaturidade insiste em alimentar. Fabrizio passa horas e horas discutindo com um amigo professor sobre política, ideologias, artes, sobre a sociedade. Renega ferozmente a burguesia, mas se considera à frente das ideologias comunistas. Sua indecisão sobre a vida torna-se ainda mais exacerbada quando do suicídio de um de seus melhores amigos, a tragédia anunciada perturba ainda mais esse jovem confuso.

É um filme sobre política, é um filme sobre artes, mas é essencialmente um filme sobre o amor. E o amor vem na figura da charmosa e sedutora Gina (Adriana Asti), Fabrizio descobre o verdadeiro amor nos braços de sua tia, que veio de Milão passar uma temporada. O relacionamento proibido desperta nos dois um sentimento platônico, ele derrete-se completamente, pela primeira vez sente realmente o que é o amor. Gina sofre de crises de identidade, é volúvel, complicada, ama e sente-se só numa velocidade alucinante.

A chegada da fase adulta marca Fabrizio profundamente. As descobertas amorosas, os dissabores que a vida lhe reserva, suas crenças. Bertolucci recheia seu filme com referências artísticas, desde Oscar Wilde até Moby Dick. Seus personagens lêem muito, discutem, recitam trechos dos livros. A efervescência de assuntos dá lugar ao tema amor, e conseqüentemente as peculiaridades que cada relacionamento possui tiram espaço para o que se estava exercitando nos outros desmembramentos.

O trabalho do diretor, sob o formoso rosto da atriz Adriana Asti, exalta-a em cada cena ao status de uma grande diva do cinema. Com maestria o público se vê encantado, sem que se use de artifícios vulgares e eróticos. Quase no fim, Bertolucci volta a politizar seu roteiro, Fabrizio discute com um fazendeiro falido e desse diálogo podemos pincelar uma frase que diz tudo, o resumo dos caminhos tomados pelas decisões narcisistas econômicas: “Aqui termina a vida e começa a sobrevivência”. Depois disso o que mais for falado é irrelevante, Bertolucci expôs sua visão plural do futuro e acertou em cheio.

ossonhadoresThe Dreamers (2003 – ITA/EUA/FRA/RU) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

As ruas de Paris fervilhando, a juventude intelectual bradando em protestos contra a demissão de Henri Langlois do comando da Cinemateca Francesa. Movimentos estudantis e operários de esquerda, munidos de coquetéis molotov, confrontavam-se com a polícia, governos acusados ferozmente de fascismo. Os protetos de maio de 1968 mobilizaram o mundo, jovens de grandes centros como Praga, São Paulo e Rio de Janeiro também manifestavam seus ideais comunistas. Sem dúvida, Paris foi o grande rolo propulsor da efervescência cultural e política que tomou conta da juventude naqueles anos, nomes como Truffaut e Godard eram alguns desses idealistas.

Bernardo Bertolucci vem com a adaptação do livro The Holy Innocentes, revive os anos efervescentes. Os três personagens dão o ar da graça pelas ruas, apenas um leve gostinho do tema político. A verdadeira revolução dos três acontece dentro de um apartamento. No meio do tumulto da demissão de Langlois, na porta da Cinemateca, os irmãos gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) conheceram o ingênuo norte-americano Matthew (Michael Pitt), e os cinéfilos inveterados convidam o estrangeiro a passar uns dias no apartamento da família enquanto os pais estariam viajando.

A fuga completa da realidade é estabelecida por esses jovens, a relação mais do que íntima dos irmãos encontra em Matthew a perfeita simetria de desejos libertários. Jogos sexuais envolvendo adivinhações cinéfilas, conversas pseudo-filosóficas, discussões inflamadas pela preferência por Hendrix ou Clapton, Keaton ou Chaplin, a descoberta do corpo e do amor. Enquanto discutem seus ideais reacionários, no conforto do lar regado a um vinho caro, milhares manifestavam nas ruas essas idéias panfletárias. Uma espécie de realidade paralela.

Os Sonhadores parece embalado para o mercado comercial americano, além de falado em Inglês, quase tudo o que é discutido baseia-se na cultura artística dos EUA, seja pela maravilhosa trilha sonora de Janis Joplin, The Doors e outros, seja pelas referências cinéfilas como Fred Astaire, Howard Hawks, Nicholas Ray e companhia. O filme faz a alegria dos cinéfilos, mas perde-se pela exclusão do momento, pela exaustiva maratona de transformar esses personagens na própria. Bertolucci está certíssimo em afirmar que seu filme não é político,pende mais para realização de sonhos de jovens excêntricos.

 

oultimoimperadorThe Last Emperor (1987 – ITA/CHI) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Bernardo Bertolucci mirando seus olhos para a figura de Aisin-Gioro Pu Yi, a incrível história do último imperador da China. Com todos os cuidados estéticos de superprodução, o cineasta italiano faz um retrato intimista atendo-se principalmente aos detalhes da vida pessoal. O período retratado compreende entre 1908 e 1967, desde que Pu Yi assumiu o trono de imperador da China, aos três anos de idade, passando por seu confinamento na Cidade Proibida na época em que a os comunistas tomaram o poder. Outro período importante é a época em que a China passou por domínio japonês, e Pu Yi voltou a ser imperador, mas apenas como fantoche (imperador da Manchúria). Até seus últimos dias como jardineiro, após ser “convertido” ao comunismo.

Enquanto transcorrem alguns dos acontecimentos mais importantes da história da China, Bertolucci explora a adoração de Pu Yi pela cultura ocidental, sua falta de presença nos acontecimentos do país, a revolução comunista, sua amizade com os japoneses, e principalmente seu relacionamento com seu tutor Reginald Johnston (Peter O’Toole), e com sua esposa titular Wan Jung (Joan Chen), além de suas outras esposas.

O que se vê é Pu Yi totalmente ausente e despreparado, figura perfeita para ser utilizado como fantoche. Enganado por sua esposa, usado pelos japoneses para dominarem a China, preso julgado e condenado pelos próprios chineses. Porém, mesmo com toda essa riqueza histórica, Bertolucci prefere a ênfase na adolescência, nos costumes milenares, nos ensinamentos do aprendiz de Imperador, enfim, ele dar alicerce às explicações do porquê seu fim como fracassado, e do porque nunca ter sido um líder.